Mercado fechará em 3 h 20 min
  • BOVESPA

    121.312,68
    +606,77 (+0,50%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    49.195,53
    +366,22 (+0,75%)
     
  • PETROLEO CRU

    65,11
    +1,29 (+2,02%)
     
  • OURO

    1.838,90
    +14,90 (+0,82%)
     
  • BTC-USD

    50.905,16
    +711,32 (+1,42%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.421,52
    +62,96 (+4,63%)
     
  • S&P500

    4.167,51
    +55,01 (+1,34%)
     
  • DOW JONES

    34.319,42
    +297,97 (+0,88%)
     
  • FTSE

    7.043,61
    +80,28 (+1,15%)
     
  • HANG SENG

    28.027,57
    +308,90 (+1,11%)
     
  • NIKKEI

    28.084,47
    +636,46 (+2,32%)
     
  • NASDAQ

    13.353,50
    +253,25 (+1,93%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3808
    -0,0317 (-0,49%)
     

Com Salles pressionado, governo dos EUA espera 'seriedade' de Bolsonaro na Cúpula do Clima

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
·4 minuto de leitura
O governo americano espera que Bolsonaro, em seu discurso na cúpula da semana que vem, assuma
O governo americano espera que Bolsonaro, em seu discurso na cúpula da semana que vem, assuma "um compromisso muito claro de acabar com o desmatamento ilegal, com medidas tangíveis para punir os desmatadores - Foto: Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images
  • EUA não pretendem dar recursos em troca de promessas de preservação ambiental, como pede ministro Ricardo Salles

  • Bolsonaro participa da Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelo governo Biden, que será realizada de forma virtual nos dias 22 e 23 de abril

  • Norte-americanos querem que Bolsonaro assuma compromissos contra desmatamento em seu discurso no encontro

O governo Joe Biden espera que o presidente Jair Bolsonaro demonstre "seriedade" na discussão sobre desmatamento durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima e descarta, neste momento, focar em recursos financeiros em troca de promessas de preservação ambiental, como reivindica o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

"Nós realmente esperamos que o presidente Bolsonaro use essa oportunidade [cúpula do clima] para demonstrar a seriedade dele, abordando a mudança climática e a redução de emissões causadas pelo desmatamento na Amazônia", disse à reportagem um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. 

Leia também

Bolsonaro participa da Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelo governo Biden, que será realizada de forma virtual nos dias 22 e 23 de abril. Questionado se os Estados Unidos fechariam um acordo com o Brasil oferecendo recursos financeiros em troca da preservação da Amazônia, o porta-voz respondeu: "Continuamos focando nossas conversas nas medidas necessárias para frear o desmatamento ilegal, em vez de pensar em fontes específicas de financiamento". 

A resposta é uma ducha de água fria nas pretensões de Salles, que vem tentando convencer os EUA a enviarem dinheiro ao Brasil em troca de metas de redução de desmatamento. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Salles declarou que conseguiria reduzir a devastação da Amazônia em até 40% em 12 meses —mas somente se recebesse US$ 1 bilhão de países estrangeiros. 

Em reunião com integrantes da equipe de John Kerry, enviado especial para o clima do governo Biden, Salles mostrou slides com a imagem de um cachorro sentado, abanando o rabo diante de uma máquina de frango assado. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o desenho vinha acompanhado do texto "expectativa de pagamento", e os frangos carregavam cifrões de dólares estampados no peito. 

O governo americano espera que Bolsonaro, em seu discurso na cúpula da semana que vem, assuma "um compromisso muito claro de acabar com o desmatamento ilegal, com medidas tangíveis para punir os desmatadores e uma sinalização política de que desmatamento ilegal e invasões de terra [grilagem] não serão tolerados", informou o porta-voz do Departamento de Estado. 

"Acreditamos que é realista esperar que o Brasil tenha uma redução real no desmatamento até o fim da estação de queimadas de 2021." A gestão Biden vem sofrendo pressões de organizações internacionais de meio ambiente e de direitos humanos para não fechar um acordo que repasse recursos ao governo Bolsonaro. 

Bolsonaro é visto como chefe de Estado não confiável

Gestão ambiental do governo Bolsonaro é criticada mundialmente - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Gestão ambiental do governo Bolsonaro é criticada mundialmente - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Em reunião recente com membros da equipe de Kerry, organizações enfatizaram que o presidente não é confiável e que repassar recursos antes de haver progresso real seria premiar o retrocesso na política ambiental brasileira e ajudar na estratégia de relações públicas de Bolsonaro. 

Nesta quinta-feira (15), ativistas e legisladores promovem um evento paralelo à cúpula dos líderes, o Amazon Climate Forum, com participação de Sonia Guajajara, porta-voz da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), da deputada federal Joenia Wapichana, de Daniel Wilkinson, diretor da área de meio ambiente e direitos humanos da Human Rights Watch, de deputados da ala mais progressista do Partido Democrata, como Raul Grijalva e Mark Pocan, e de artistas como Morgan Freeman e Barbra Streisand. Os atores Leonardo Di Caprio e Mark Ruffalo também se juntaram à ofensiva contra um acordo que premie Bolsonaro. 

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

"Joe Biden, suas opções são ou a Amazônia ou Bolsonaro. Escute os povos originais [indígenas] e tome a decisão correta para o povo do Brasil e para nossa Terra", escreveu Ruffalo no Twitter. Embaixadores de outros países, além dos EUA, indicaram, em videoconferência com o chanceler brasileiro, Carlos França, na sexta-feira (10), que o apoio financeiro só será liberado após serem mostrados resultados. Também segundo reportagem da Folha de S.Paulo, essa foi a mensagem dos chefes das missões diplomáticas em Brasília de Alemanha, Reino Unido, Noruega, EUA e União Europeia. 

"Reconhecemos e respeitamos a soberania do Brasil ao lidar com desafios ambientais, e podemos reforçar nosso forte histórico de cooperação ambiental para atingir objetivos mais ambiciosos", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano. "A Cúpula dos Líderes é uma oportunidade para o Brasil demonstrar liderança ambiental no cenário global. E esperamos que as declarações feitas pelos líderes sejam embasadas em ações tangíveis em seus países."