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Governo cria narrativa para criminalizar protestos contra Bolsonaro

BRASILIA, BRAZIL - JUNE 13: Demonstrators transport a large balloon as President Jair Bolsonaro caricature during protest against the Brazilian government amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at Esplanada dos Ministerios on June 13, 2020 in Brasilia. Brazil has over 828,000 confirmed positive cases of Coronavirus and 41,810 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

O avanço dos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preocupa o governo e seus apoiadores, que traçaram uma estratégia de reação para sufocar os manifestantes.

A ideia bolsonarista, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, é construir a narrativa de que os opositores do presidente são “violentos” para criminalizar os atos.

O presidente mudou o discurso em relação às manifestações a seu favor, criticadas por gerar aglomeração durante a pandemia do novo coronavírus. Após sete semanas incentivando os atos, Bolsonaro pediu para seus militantes ficarem em casa e evitarem confrontos com opositores.

A preocupação do Planalto, porém, era que o número de opositores nas ruas fosse muito maior do que o de apoiadores, dando a impressão de que o governo está perdendo popularidade.

Nas últimas semanas, Bolsonaro chamou os manifestantes contrários a ele de “terroristas”, “marginais”, “desocupados”, “maconheiros” e “viciados”, e comparou grupos antifascistas aos black blocs, que depredaram bancos e prédios públicos durante os atos de 2013.

Nas redes sociais, os filhos de Bolsonaro criaram a narrativa de que os movimentos contra o governo são ilegítimos. Mais um protesto foi marcado para este domingo. O governo teme que o crescimento das manifestações pressione a Câmara a abrir um dos 45 processos de impeachment contra o presidente.