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Governo britânico quer ajudar cidades brasileiras a se tornarem inteligentes

Felipe Ribeiro

Você com certeza já deve ter ouvido falar no termo "Smart City" ou "Cidade Inteligente". Conceitualmente, uma Cidade Inteligente é aquela que faz uso de dispositivos conectados para monitorar e gerenciar ruas e espaços comuns, além de incorporar a tecnologia da informação e a internet das coisas para otimizar a vida de seus habitantes.

Exemplos práticos do que podemos identificar como características de cidades inteligentes, em um primeiro momento, soam simples, mas fazem toda a diferença na vida das pessoas. No trânsito, por exemplo, uma cidade conectada pode evitar que o tráfego seja caótico, com organização e monitoramento por meio de câmeras interligadas com os semáforos, que funcionam de modo a deixar o fluxo de veículos mais suave e sem maiores engasgos. Na segurança, a internet e a inteligência artificial podem ser aliadas do policiamento no combate e prevenção aos crimes, sobretudo em grandes e populosas cidades.

Na última semana, o governo do Reino Unido, em uma apresentação online para a imprensa, fez a divulgação da London Tech Week, um evento anual que traz empresas e projetos tecnológicos que estão sendo trabalhados não apenas na Terra da Rainha, mas também no restante da Europa e no mundo. Em meio à live, o Canaltech pode acompanhar algumas das novidades em Smart Cities que estão sendo executadas aqui na América Latina — incluindo o Brasil.

Tecnologia a favor das cidades

Existem dois projetos em andamento no Brasil com a participação do Reino Unido: um em Recife e outro em Belo Horizonte. Mas é bom ressaltar que outras capitais são consideradas Smart Cities por uma série de atividades e características, como São Paulo, Curitiba, Vitória e Rio de Janeiro, que possuem sistemas de segurança baseados em câmeras e reconhecimento facial, cabeamento de internet por fibra ótica e até projetos de sustentabilidade — algo que também se enquadra no conceito de cidade inteligente.

Segundo o especialista em cidades inteligentes do Departamento de Negócios Internacionais do Reino Unido, Jawad Sardar, em Recife, os projetos têm a ver com composição de dados sobre a infraestrutura local, principalmente com a criação de um centro de controle que trace todas as estratégias para a transformação do município. Tudo sob a supervisão do Porto Digital, braço do governo do Recife que cuida dos projetos tecnológicos locais, e do Global Future Cities Programme, programa do governo britânico.

Já em Belo Horizonte, o governo britânico participa do processo de modernização do sistema de transporte público da capital mineira, sob o comando da BH-Trans. O foco é no Expresso Amazonas, um projeto de via expressa que tem como objetivo levar o MOVE, o sistema de ônibus para transporte rápido que já existe em algumas regiões da cidade. Esse corredor será totalmente monitorado para que sua eficiência seja elevada ao máximo, com uso de tecnologia e inteligência artificial. O Global Future Cities Programme também prevê investimentos em 5G, mobilidade, Big Data e computação em nuvem nas duas cidades para os próximos anos.

Move, sistema de corredores de ônibus de Belo Horizonte/ Imagem: O Tempo

O governo britânico participará da Smart City Expo, que acontecerá em dezembro, em Curitiba, e deve mostrar mais projetos para o mercado brasileiro.

Atuação no Reino Unido e na América Latina

No Reino Unido existem mais de 370 datasets de cidades inteligentes, com destaque para Glasgow, Edimburgo, Manchester, Bristol, Oxford e Londres. A atuação ocorre nos metrôs, no policiamento, controle do trânsito e na segurança de monumentos históricos. Já na América Latina, existem projetos para desenvolvimento de infraestruturas inteligentes no Peru e no Chile, que incluem veículos elétricos e autônomos, planejamentos urbanos e tecnologia verde.

Fonte: Canaltech