Governo brasileiro acredita em crescimento de 4% em 2013, apesar da crise

Rio de Janeiro, 23 nov (EFE).- A economia do Brasil poderá crescer pelo menos 4% em 2013, apesar do cenário internacional desfavorável por causa da crise econômica, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Temos que levar em conta o cenário internacional desfavorável, mas, mesmo assim, cresceremos o que está previsto", disse o ministro em seu discurso em um fórum de industriais.

Segundo o ministro, apesar de a crise internacional não dar sinais de melhora, a economia brasileira mostra que terá um primeiro semestre em 2013 muito melhor que o de 2012.

Mantega admitiu que o Brasil fechará 2012 com uma desaceleração econômica mas que, após o decepcionante resultado do primeiro semestre, a economia começou a reagir no terceiro trimestre e estará em ritmo de aceleração no começo de 2013.

O ministro calcula que a economia brasileira cresceu 1,2% no terceiro trimestre (dado que será divulgado na próxima semana) com relação ao segundo, o que equivale a um crescimento anualizado de 4,5%.

"Se mantivermos esse desempenho, vamos começar 2013 com um crescimento trimestral de no mínimo 1,7%", afirmou. "Trabalhamos para um crescimento acima de 4% (em 2013)", acrescentou.

Os economistas dos bancos calculam que o Brasil crescerá 1,52% este ano e 3,96% em 2013.

A projeção para 2012 confirma a tendência à desaceleração do Brasil que, após ter crescido 7,5% em 2010, só se expandiu 2,7% no ano passado.

Segundo o ministro, os altos interesses e o real valorizado, dois dos fatores que impediam um maior crescimento da economia já foram superados e permitem pensar em uma recuperação.

Nos últimos meses o Banco Central reduziu a taxa básica de juros para um mínimo histórico, depois que os juros reais no país estiveram entre os mais caros do mundo.

A taxa de câmbio, por sua vez, se aproximou nos últimos dias dos R$ 2,10 por dólar, seu maior nível em vários meses e longe do R$ 1,60 por dólar que preocupava os exportadores.

Segundo o ministro, a economia brasileira estava "viciada" em altos juros e câmbio valorizado, mas 2012 foi o ano da "desintoxicação".

Acrescentou que as últimas reduções das taxas de juros começarão a ser sentidas pela economia nos próximos meses.

"E há cerca de quatro ou cinco meses que temos o câmbio acima dos R$ 2,00 por dólar. É um nível que chegou para ficar", afirmou.

Mantega assegurou que o Governo está criando as condições para que o investimento volte com força em 2013 e que, com uma expansão de pelo menos 8%, se transforme na locomotiva da recuperação.

Acrescentou que para isso, além dos programas de incentivos já anunciados para investimentos em estradas e aeroportos, o Governo anunciará nos próximos dias um projeto para fomentar o investimento nos portos.

Disse igualmente que, apesar da rejeição de algumas concessionárias, o Governo manterá a política que adotou de condicionar a renovação das concessões das empresas de energia elétrica a uma redução significativa das tarifas de energia.

"Não é possível que com o potencial energético que temos, principalmente em hidroelétricas, tenhamos que pagar as tarifas de energia mais altas do mundo", afirmou o ministro, para quem uma redução do preço da eletricidade reduzirá significativamente os custos de produção no Brasil. EFE

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