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Governo Bolsonaro tenta abrir diálogo com centrais sindicais em meio à crise de popularidade

·3 minuto de leitura
BRASILIA, DF,  BRASIL,  24-08-2021, 12h00: O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro das Relações Exteriores Carlos França, aguarda a chegada do presidente da Guiné-Bissau General Umaro Sissoco Embaló no palácio do planalto, durante visita de estado. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASILIA, DF, BRASIL, 24-08-2021, 12h00: O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro das Relações Exteriores Carlos França, aguarda a chegada do presidente da Guiné-Bissau General Umaro Sissoco Embaló no palácio do planalto, durante visita de estado. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, recebeu o Fórum das Centrais Sindicais nesta terça-feira (24), em Brasília. Segundo as lideranças das centrais, o convite partiu de Lorenzoni, que manifestou interesse em abrir um canal de diálogo para ouvir as demandas do grupo.

Compareceram representantes de CUT, Força Sindical, UGT, CTB e Nova Central.

Desde que Bolsonaro assumiu a Presidência, em 2019, a interlocução entre as centrais sindicais e o governo federal foi congelada. O presidente inclusive dissolveu o Ministério do Trabalho, recriado em julho deste ano.

Participantes do encontro relatam que Onyx se disse aberto às reivindicações dos sindicalistas e que a reunião desta terça seria a primeira de muitas.

Segundo o relato, ele afirmou que não concordará com todas as pautas das centrais sindicais, mas ressaltou que tem histórico como sindicalista no Rio Grande do Sul (foi presidente do sindicato dos médicos veterinários na década de 1980) e vê suas demandas como legítimas.

A aproximação acontece em um momento em que o presidente enfrenta crise de popularidade, pressionado pela CPI da Covid, pela relação cada vez mais tensa com o Supremo Tribunal Federal e por manifestações que pedem seu impeachment, das quais participam as próprias centrais sindicais.

"Foi um primeiro contato. Questionamos se a recriação do ministério é para centralizar o debate sobre trabalho e colocá-lo no lugar certo. É o espaço correto, dialogando com as centrais sindicais e as empresas", diz Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

"Ele disse que quer construir em negociação com as centrais. Vamos conferir. Nossa dúvida é que essa não é a linha do governo. Ele foi muito simpático, demonstra boa vontade na relação, mas o governo não é do diálogo. Espero que não seja repreendido pelo Bolsonaro por ouvir os trabalhadores", acrescenta.

"Ele disse que construiu os sindicatos de veterinários no Rio Grande do Sul e que entende o nosso lado do balcão. Disse que sabe do diálogo e do esforço do sindicalismo", afirma João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical.

"Achei que é uma abertura de diálogo em um momento difícil do país. O Ministério do Trabalho pode ser um espaço de diálogo. É o que estamos querendo construir", completa.

Um dos principais focos de crítica das centrais sindicais atualmente é a Medida Provisória 1.045, já aprovada na Câmara dos Deputados e que agora passará pela análise do Senado.

Por meio de intervenção do relator do texto na Câmara, deputado Christino Áureo (PP-RJ), foi incluída na MP uma minirreforma trabalhista que havia sido proposta pelo ministro Paulo Guedes em 2019 e perdeu validade no Congresso.

O texto cria novas modalidades de contratações e muda normas da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), modificações que, na visão das lideranças das centrais sindicais, levarão à precarização das condições de trabalho.

Ricardo Patah, presidente da UGT, falou em retorno da escravidão ao tratar do tema com Onyx durante a reunião. O ministro defendeu a proposta e disse que ela produzirá empregos.

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