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Governo Bolsonaro dificulta acesso ao número de mortes pela Covid-19 no Brasil com dados desatualizados

João de Mari
·3 minutos de leitura
Dados que estampam o site nesta quinta (8) são referentes ao último domingo (4) (Foto: Reprodução)
Dados que estampam o site nesta quinta (8) são referentes ao último domingo (4) (Foto: Reprodução)

O site do Ministério da Saúde amanheceu nesta quinta-feira (8) com o número de mortes causadas pela Covid-19 no Brasil desatualizado. Os dados do órgão, que deveria ser a fonte natural desses números, informam — de maneira incompleta — apenas os óbitos registrados até a última segunda-feira (5).

De acordo com os dados disponíveis no site oficial, são pouco mais de 4 milhões de pessoas recuperadas da doença, 11.946 novos casos nas últimas 24 horas e 323 novos casos no mesmo período. Acontece que esses dados são referentes ao último domingo (4). Não há informações sobre o avanço da doença, sequer o número total de infectados ou mortos pelo vírus em toda pandemia.

Para saber esses dados, segundo o ministério, é necessário acessar outro link, o “acesse todos os dados”, disponibilizado no próprio site. Ao clicar no local indicado, o usuário é redirecionado para outro site, mas nada aparece. Ao invés de informar o número total de óbitos no país e informações sobre a evolução da doença, há apenas uma mensagem de “erro”.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde solicitando explicações sobre os dados desatualizados e sobre a falta de dados referentes a doença, mas não obteve resposta até a publicação.

Mais de 5 milhões de infectados

Nas últimas 24 horas, foram registradas 733 mortes pela Covid-19 no Brasil, chegando ao total de 148.304 óbitos desde o começo da pandemia. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia, são 5.002.357. Desses, 31.404 confirmados no último dia.

Esses números são do consórcio de veículos da imprensa que, em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro (sem partido) de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal. Os veículos são: G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL.

A criação do consórcio, em junho deste ano, foi motivada pelas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente durante a pandemia, que colocaram em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

Mascarando os dados

Isso porque o governo tenta mascarar os dados da pandemia, gerando uma impressão de que as pessoas não estão morrendo e que o vírus estaria controlado. Essas atitudes reduziram a quantidade e a qualidade dos dados que servem como munição para o enfrentamento da doença no país.

Houve alteração primeiro horário de divulgação dos dados, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta, até abril, passando para as 19h e depois para as 22h. Isso dificulta ou inviabiliza a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos.

Além do site oficial do Ministério da Saúde, há um portal no qual o órgão divulga o número de mortos e contaminados. Porém, também houve mudanças. Em junho, o portal foi retirado do ar por 19 horas. Quando retornou, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia.

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Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo, e também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, servindo de informação para outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão a curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.