Mercado fechado
  • BOVESPA

    111.183,95
    -355,84 (-0,32%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    46.377,47
    +695,28 (+1,52%)
     
  • PETROLEO CRU

    61,19
    +1,44 (+2,41%)
     
  • OURO

    1.713,30
    -20,30 (-1,17%)
     
  • BTC-USD

    50.987,12
    +3.496,84 (+7,36%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.019,34
    +31,25 (+3,16%)
     
  • S&P500

    3.819,72
    -50,57 (-1,31%)
     
  • DOW JONES

    31.270,09
    -121,43 (-0,39%)
     
  • FTSE

    6.675,47
    +61,72 (+0,93%)
     
  • HANG SENG

    29.880,42
    +784,56 (+2,70%)
     
  • NIKKEI

    29.559,10
    +150,93 (+0,51%)
     
  • NASDAQ

    12.679,50
    -375,75 (-2,88%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,7741
    -0,0880 (-1,28%)
     

Governo aposta em privatizações para 2021, mas apoio no Congresso é incerto

Luiz Anversa
·4 minuto de leitura
The logo for Eletrobras, a Brazilian electric utilities company, is displayed on a screen on the floor at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, U.S., April 9, 2019. REUTERS/Brendan McDermid
The logo for Eletrobras, a Brazilian electric utilities company, is displayed on a screen on the floor at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, U.S., April 9, 2019. REUTERS/Brendan McDermid

A eleição para as duas casas do Congresso Nacional nesta segunda-feira será fundamental para o andamento da agenda de reformas econômicas. O raciocínio é simples: ou o Planalto se articula com a base aliada para tocar as pautas que envolvem privatizações e mudanças nos impostos, por exemplo, ou isso dificilmente será discutido em 2022, ano de pleito presidencial.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

No final do ano passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse estar contrariado pois não havia conseguido privatizar nenhuma estatal. Os motivos vão desde a pandemia a falta de interessados.

Hoje, a União tem sob seu comando 47 estatais. A secretaria especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia pretende entregar no primeiro semestre deste ano uma avaliação sobre essas companhias com o objetivo de demonstrar qual é a justificativa da existência delas até hoje.

A privatização não é um processo simples. Para essa operação prosseguir com estatais como a Eletrobras e os Correios - tidas como as "joias da coroa" - é necessário criar projetos de lei e, claro, contar com a aprovação do Congresso. O mesmo Parlamento que terá novo comando a partir desta segunda.

"Estamos num esquema no Brasil do presidencialismo de coalizão que é o apoio em troca de cargos. O governo tem suporte de agenda por grupos de interesse, e não programático. Tentou-se fazer mais privatizações no governo Temer, que tinha condições parlamentares e técnicas para isso. A equipe desse governo é inferior. Não dá para comparar o Henrique Meirelles com o Paulo Guedes. As reformas aprovadas foram 'apesar' do governo. Para os militares não interessa esse processo de privatização, pois aí entra a questão do nacionalismo e da própria perda de empregos. E o Centrão? Como fica nisso tudo?”, critica Sandro Cabral, professor do Insper.

Para o ano passado, Paulo Guedes pretendia privatizar Eletrobras, Correios, Porto de Santos e Pré-Sal Petróleo S.A. Em 2021, com muito otimismo, as duas primeiras podem entrar em algumas discussões no Congresso. A secretária Especial do PPI (Programas de Parcerias de Investimentos), Martha Seillier, falou que o presidente Jair Bolsonaro pretende privatizar os Correios no quarto trimestre de 2021 após envio de projeto de lei ao Congresso. A empresa de entregas tem um passivo de 14 bilhões de reais, segundo o Ministério da Economia, mas a privatização pode render 15 bilhões ao governo.

Apesar da secretária afirmar que os serviços prestados pelos Correios seguirão universalizados - como envio de correspondências, documentos e encomendas - existe um temor de como isso será desenhado com uma eventual venda.

“O processo de privatização passa por questão de atrativos, modelagem. Como está sendo conduzido isso? Vão fatiar essa venda? [Empresas distintas assumiriam diferentes frentes da estatal] Os Correios estão preparados para a nova realidade? Podem ser medidas impopulares que passam por demissões e diminuição de cobertura em áreas pouco rentáveis”, argumenta o professor do Insper.

Já a Eletrobras tem valor de mercado avaliado em 60 bilhões de reais. A companhia, aliás, ficará sem presidente em breve. Wilson Ferreira Junior, no cargo desde julho de 2016, renunciou ao posto exatamente por causa da demora em desenvolver um projeto para a privatização da companhia. Ferreira Junior, que ficará na estatal até março, assumirá a BR Distribuidora, privatizada em 2019.

Para o analista, o governo Bolsonaro foi eleito, entre outros fatores, por essa plataforma pró-mercado, mas é necessário fazer avaliações. “Se o governo prometeu uma maior participação do ramo privado, ele precisa avaliar os prós e os contras disso. É preciso fazer tudo com muito muita transparência, avaliar os custos sociais, além de consultar a base técnica e política”, diz Sandro.

O professor do Insper aponta alguns casos que considera bem-sucedidos das privatizações brasileiras. “Vale, Embraer, mas nesse último caso o governo continua presente. A rodada de concessões dos aeroportos feitas no governo Temer também foi interessante. Nos anos FHC [1994-2002], a privatização da telefonia naquele momento foi positiva, mas sabemos que houve escândalos no caminho. Cada setor tem suas próprias regras. O importante é garantir o máximo de competição, sem barreira de entrada. A modelagem do processo precisa incorporar a visão dos órgãos de controle, como TCU e Ministério Público, pois estes podem embargar o leilão. O investidor precisa estar ciente disso e não ser pego de surpresa”, finaliza Sandro Cabral.

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube