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Google reduz fragmentação do Android, mas distribuição ainda está longe do ideal

Felipe Junqueira

A fragmentação do Android sempre foi tema de notícias e matérias no mundo da tecnologia. Recentemente, um órgão de defesa do consumidor no Reino Unido divulgou um estudo cuja conclusão era de que cerca de 40% dos dispositivos com o sistema do robozinho poderiam estar em risco por trazerem uma versão antiga. Esse número, contudo, pode ser bem menor do que isso, apesar de ainda ser preocupante.

O estudo, realizado pelo Which?, utilizou os dados mais recentes disponibilizados pelo Google sobre a distribuição das versões do sistema operacional globalmente, que são de 7 de maio de 2019. Desde então, segundo dados da StatCounter - que mostravam números não muito diferentes dos oficiais - indicam que a fragmentação reduziu drasticamente nestes últimos 10 meses.

Foram considerados em risco pelo Which? os dispositivos que utilizem a versão do sistema 7.0 ou inferior. Os dados oficiais de maio de 2019 apontavam cerca de 42% o total desses aparelhos no mundo, incluindo cerca de 0,3% que ainda usavam o Android Gingerbread, de 2010. De acordo com a StatCounter, esse número pode ser atualmente de cerca de 21%, apenas.

Fragmentação no Android já foi muito pior, mas segue longe do ideal (Foto: Reprodução/Which?)

Ainda é uma quantidade considerável de usuários, pois representa cerca de 500 milhões de dispositivos. Estes aparelhos podem ter brechas que permitem a um atacante para roubar dados, enviar spam ou até mesmo forçar assinatura em serviços premium.

Dados oficiais versus dados atualizados

Uma vez que o Google não disponibiliza mais dados da distribuição do Android, temos que partir para outras plataformas para ter uma ideia de como está a fragmentação do sistema.

Os dados da StatCounter possuem algumas diferenças quando comparamos com os do Google. Por exemplo, o Android 9 Pie em maio de 2019 era usado por 14,77% dos usuários da plataforma, enquanto a informação oficial do Google, coletados entre 1º e 7 do mesmo mês era de 10,4%. Da versão 7.1 Nougat, os números são parecidos: 7,52% contra 7,8%, respectivamente. A precisão não é das melhores, mas há uma boa confiabilidade nos dados.

A partir de junho, o Android 9 Pie disparou nos acessos aos sites que usam a StatCounter. Atualmente, mais de 41% dos dispositivos Android ativos usam a versão lançada no segundo semestre de 2018. O quadro se reverteu, caso os dados continuem próximos dos reais. Contudo, as versões muito antigas ainda estão em muitos aparelhos: são pouco mais de 20% no Oreo (8.0 e 8.1), cerca de 11% no Nougat (7.0 e 7.1) e pouco mais de 7% no Android 10.

Distribuição das versões do Android no Brasil em fevereiro de 2020, segundo o StatCounter

Sobram cerca de 21% de aparelhos ainda com uma versão bastante defasada. Já reduz bem o número, mas não deixa de ser preocupante. Isso, claro, se os dados que mostram a ascensão das versões mais novas realmente estiverem próximos da realidade. Faz sentido, uma vez que o Google passou a obrigar que todo aparelho Android lançado em 2020 já tivesse a versão 10, que tem um aumento considerável entre dezembro a fevereiro.

O Brasil não tem números muito diferentes da média mundial: são pouco mais de 23% os dispositivos com Android Marshmallow ou anterior no país, segundo os dados da StatCounter.

Riscos para o usuário

Usar uma versão antiga do sistema operacional, que já não tem mais pacotes de segurança, deixa o usuário desprotegido contra vulnerabilidades descobertas após o período mínimo de atualizações. Isso para não falar dos produtos que são lançados no mercado e nunca recebem nem sequer um pacote de segurança, desrespeitando a exigência do Google.

Seja como for, o Which? fez alguns testes com cinco modelos lançados em 2017: Motorola X, Samsung Galaxy A5 2017 e Sony Xperia Z2, “todos comprados em marketplace da Amazon.co.uk” recentemente, justamente para o estudo.

A empresa de antivírus AV Comparatives conseguiu explorar as brechas conhecidas como Joker e Blueflag em todos. O Xperia Z2 ainda se mostrou vulnerável ao Stagefright. E só o Galaxy A5 possui suporte ao Google Play Protect.

Testes do Which? foram feitos com produtos comprados embalados na Amazon

Ou seja, são aparelhos que ainda podem ser comprados novos, lacrados, no Reino Unido, e possuem vulnerabilidades cuja correção só foi disponibilizada para modelos mais recentes. Curiosamente, o Galaxy A5 já roda o Android 8.0 Oreo, mas fica devendo essas correções.

A Blueflag, que afeta o Bluetooth de todos os dispositivos Android, foi corrigida em fevereiro deste ano pelo Google. Joker era um malware que se disfarçava de aplicativo legítimo para enganar o usuário. A infecção depende de ações do usuário, que precisa dar diversas permissões ao app para que os códigos maliciosos aproveitem a brecha. O Stagefight só afeta dispositivos com o Android abaixo do 6.0 Marshmallow, que era o caso do Xperia Z2, atualizado apenas para o 4.4.2 KitKat.

“O impacto de um malware pode variar. Por exemplo, em um teste anterior, infectamos um smartphone Android com um malware que usa o dispositivo para minerar criptomoedas lucrativas”, explica o Which?, que ainda completa dizendo que esse tipo de exploração pode afetar a vida útil da bateria, chegando a durar até menos da metade do normal.

Fragmentação no Android: um problema insistente

O Google obriga as parceiras, chamadas OEMs (fabricante de equipamentos originais, na sigla em inglês), a atualizarem um dispositivo Android com pelo menos duas versões do sistema, além de pacotes de segurança durante três anos contados da data de lançamento. Infelizmente, essas regras não são respeitadas por quase nenhuma empresa.

A Apple atualiza cada modelo de iPhone por até quatro anos, o que garante vida útil longa aos dispositivos. No Android, muitas fabricantes lançam um produto com o sistema e param por aí, desrespeitando as exigências da Gigante das Buscas. Uma solução encontrada foi forçar todo mundo a lançar produtos com o Android 10 em 2020.

O problema é que isso mantém desprotegido o usuário que não troca de smartphone ou tablet com frequência. Ou seja, resolve o problema apenas em partes. Coincidentemente ou não, explora também o lado mais lucrativo do negócio: quem quer segurança, tem que fazer o upgrade de hardware.

Como se proteger?

Para se proteger, o primeiro conselho é manter seu dispositivo sempre atualizado. Vá em Configurações, toque em Sistema e busque por Atualização. Se tiver alguma disponível, baixe e instale. Repita o procedimento até aparecer uma mensagem que seu dispositivo está atualizado para a versão mais recente disponível.

Caso isso ainda o mantenha na versão 7.0 Nougat ou inferior, a solução é trocar de aparelho. Você ainda pode ficar com ele, claro, desde que tome muito cuidado com o que acessa e que tipos de apps instala. Isso vale mesmo para quem já está no Android 10, pois é uma medida de segurança padrão.

Conta pra gente nos comentários abaixo qual versão do Android está rodando no seu dispositivo!

Fonte: Canaltech

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