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Google pretende usar núcleo tradicional do Linux para melhorar o Android

Felipe Ribeiro

Não é segredo para ninguém que o Android é construído sobre o núcleo (kernel) do Linux, que é extremamente modificado para atender às necessidades da Google e de outras empresas como Qualcomm e MediaTek. Isso, porém, pode estar com os dias contados; a gigante da tecnologia pretende fazer com que seu sistema operacional seja feito em uma versão mais original possível deste núcleo.

Na Linux Plumbers Conference deste ano, os engenheiros da Google conversaram sobre os esforços da empresa para obter o Android o mais próximo possível do núcleo tradicional do Linux. Isso não apenas reduziria a sobrecarga técnica para a Google e outras empresas - porque elas não precisariam mais mesclar milhares de alterações em cada nova versão do Linux (e a Google não precisaria mais suportar as versões do kernel do Linux por seis anos) - mas também beneficiam o projeto Linux como um todo. Por exemplo: o número crescente de telefones e computadores Linux baseados em ARM pode melhorar o desempenho e a duração da bateria.

Como isso seria feito?

A primeira etapa desse processo é mesclar o maior número possível de modificações do Android no núcleo principal do Linux. Desde fevereiro de 2018, o núcleo comum do Android (para o qual as fabricantes fazem alterações adicionais) possui mais de 32.000 inserções e mais de 1.500 exclusões em comparação ao Linux 4.14.0 da linha principal. Isso é uma melhoria em relação há alguns anos atrás, quando o Android adicionou mais de 60.000 linhas de código sobre o Linux.

Imagem: ARS Technica

Para mostrar quanto progresso foi feito, Tom Gall, diretor do Linaro Consumer Group, colocou no palco um Xiaomi Pocophone que estava executando o Android 10 sobre um Linux principal. Ele disse à plateia: "existem adereços importantes para a Equipe do Kernel do Google, em particular por obter o código upstream para que possamos inicializar dispositivos com um núcleo da linha principal". É provável que alguns dos recursos do telefone não tenham funcionado (a porcentagem de bateria na imagem é 0%), mas ainda é impressionante.

Imagem: ARS Technica

O núcleo do Android ainda recebe modificações das fabricantes de chips, como a Qualcomm e a MediaTek, além dos ajustes comuns feitos pelas fabricantes de telefones, como a Samsung e a LG. A Google, por sua vez, aprimorou esse processo em 2017 com o Project Treble, que separava drivers específicos de dispositivos do resto do Android. A empresa quer levar essa tecnologia para o núcleo do Linux tradicional, o que, potencialmente, pode eliminar a necessidade de outras modificações por dispositivo e acelerar ainda mais as atualizações do sistema operacional.

Obviamente, esse é um empreendimento gigantesco e que não terá seu sucesso e eficácia totalmente comprovados. A Google precisaria reunir seus parceiros de hardware Android e, como Ron Amadeo, da Ars Technica, apontou, parte da comunidade Linux é contra a ideia de uma interface estável do núcleo do sistema.

Imagem: Google

Migrar o Android para um núcleo "café-com-leite" do Linux e depois integrá-lo ao tradicional em um sistema semelhante ao Project Treble é uma movimentação enorme, complexa e que pode até não ser concretizada. Enquanto isso, a Google ainda está trabalhando em seu novo sistema operacional, o Fuchsia, que poderá, um dia, substituir o Android.


Fonte: Canaltech

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