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Google fez doações a grupos que negam aquecimento global, diz jornal

Felipe Demartini

O Google está sendo apontado como um importante apoiador de movimentos conservadores nos Estados Unidos, incluindo aqueles envolvidos com ideias que negam a existência do aquecimento global. A denúncia, publicada pelo jornal britânico The Guardian, afirma que a empresa doou quantidades “significativas”, cujos valores não foram revelados, a pelo menos 12 organizações que ventilam ideias dessa categoria.

Entre os grupos que receberam o suporte da empresa, está o Instituto Empresarial Competitivo (CEI, na sigla em inglês), que tem ligações ao governo de Donald Trump e, inclusive, participação na decisão do líder em abandonar o acordo climático de Paris. Eles também se opõem a uma série de políticas ambientais que datam desde a era Obama e são a favor de menos regras desse tipo, com a visão de que elas seriam barreiras ao desenvolvimento do país.

Na ocasião da saída dos EUA do Acordo de Paris, a Google lamentou a medida e se disse desapontada. Isso, entretanto, não teria significado a retirada do apoio à CEI, bem como a outras instituições desse tipo. Outro exemplo é a Rede de Políticas de Estado (SPN, na sigla em inglês), que é apontada como criadora de fake news sobre a ativista Greta Thumberg e realiza reuniões e ciclos de palestras anuais com temas que negam o aquecimento global e afirmam que o meio ambiente melhora a cada ano.

O ponto central da denúncia do site The Guardian, entretanto, é relacionado ao primeiro grupo. Ele seria um dos principais aliados do Google em Washington na oposição a políticas mais rígidas relacionadas às empresas de internet. Além disso, o apoio em questões regulatórias seria essencial para a companhia, que deseja, com aportes financeiros, garantir o apoio conservador contra pautas que não sejam de seu interesse.

Em resposta à reportagem publicada pelo The Guardian, a Google disse que o apoio a grupos desse tipo não deve ser entendido como um endosso a todas as ideias defendidas por eles. Pelo contrário, a empresa afirma ser uma das únicas do mercado de tecnologia a manter esse apoio, ao mesmo tempo em que faz críticas públicas a elas em relação aos temas de caráter ambiental.

Ainda, a companhia afirma que sua posição quanto ao aquecimento global é bastante clara e que a empresa discorda veementemente das posturas negacionistas veiculadas pelos grupos que apoia. O Google lembrou que foi uma das primeiras empresas de tecnologia a se tornarem neutra em emissões de carbono, algo que aconteceu em 2007 e que, desde 2017, vem trabalhando inteiramente com energias renováveis.

Por outro lado, a empresa não revelou quanto doou a esses grupos, afirmando apenas que a exibição pública dos apoios é mais uma medida de transparência, de forma a mostrar os alinhamentos da empresa a organizações de cunho político e social. Ao mesmo tempo em que ideias conservadoras são parte da relação, o mesmo também vale para associações que defendem ideais progressistas.

O senador democrata Sheldon Whitehouse, de Rhode Island, criticou a postura do Google afirmando que esse tipo de separação não existe. De acordo com ele, a gigante não deveria achar adequado dar suporte a organizações que ventilam ideias desse tipo e atacam ativistas ambientais, e taxou o apoio dado por ela como inaceitável.

Fonte: Canaltech

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