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Google é acusado de práticas de monopólio pela terceira vez em dois meses

·3 minuto de leitura
Autoridades americanas aumentaram a pressão sobre o Google

Autoridades americanas aumentaram a pressão sobre o Google. Procuradores-gerais de 38 estados e territórios entraram nesta quinta-feira com uma ação acusando o gigante tecnológico de práticas contra a concorrência. A empresa já enfrenta outros dois processos de autoridades por motivo semelhante.

As últimas acusações vão mais longe do que as apresentadas pelo Departamento de Justiça contra o Google em outubro.

"As ações do grupo contra a concorrência protegeram seu monopólio nas buscas genéricas e excluíram rivais, privando os consumidores do benefício das escolhas competitivas, impedindo a inovação e minando novas entradas ou expansões", afirmou o procurador-geral do Colorado, Phil Weiser.

A demanda chega um dia depois de um grupo de estados, liderados pelo Texas, apresentar outra ação em separado e solicita ser considerada também no caso federal contra o Google.

Para a gigante tecnológica, a denúncia carece de fundamento.

"O mecanismo de buscas foi concebido para oferecer os resultados mais pertinentes", propondo, inclusive, links diretos com, por exemplo, companhias aéreas ou comerciantes, afirma o Google em seu blog.

O usuário insatisfeito "tem alternativas numerosas, como Amazon, Expedia, Tripadvisor e muitas outras, com apenas um clique. É importante que as grandes empresas sejam controladas, mas as mudanças exigidas pela ação privariam os americanos de informações úteis e prejudicariam a capacidade das empresas de se conectar diretamente com os clientes."

Para a organização CCIA, que representante empresas do setor, as mudanças realizadas ao longo dos anos pelo Google em seu motor de buscas "melhoraram a experiência do consumidor".

"Para isso exatamente serve a concorrência", afirmou.

- Movimento simultâneo -

O procurador-geral de Nebraska, general Doug Peterson, classificou de histórico o movimento antimonopólio contra a empresa, destacando que as ações, combinadas, representam a maior aliança desde a ação contra a Microsoft, de décadas atrás.

Os procuradores acusam o Google de ter fechado acordos para eliminar concorrentes e bloquear rivais ao instalar seu mecanismo de buscas e publicidade em carros, smartphones e outros dispositivos. "Estamos em novos tempos, em uma nova era, e é muito importante que nós, no campo da aplicação da lei e da concorrência, continuemos muito comprometidos com o avanço da indústria tecnológica", declarou Peterson.

A plataforma digital Yelp expressou hoje satisfação com o novo processo e disse esperar que o mesmo represente "o retorno a uma Internet mais viva e mais aberta". Segundo estimativas da empresa eMarketer, o Google fatura cada vez mais com publicidade nos Estados Unidos, mas sua participação global na publicidade on-line passou de 32,8% em 2018 para 29,8% este ano.

O modelo de negócio de longa duração do Google - que combina um mecanismo de buscas gratuito e outros serviços sem custo, como e-mail e o YouTube, juntamente com os anúncios pagos - é avaliado em uma ação legal-chave lançada pelo Departamento de Justiça americano. Em outubro, Washington acusou o grupo de manter um "monopólio ilegal" sobre as pesquisas e a publicidade eletrônica, em uma ação à qual se somaram novas partes.

Maior processo antimonopólio em décadas nos Estados Unidos, a ação poderia abrir caminho para uma potencial ruptura do gigante do Vale do Silício.

jum/lo/etr/rs/dga/dg/lb/mvv