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Golpe pode debilitar economia de Mianmar e acentuar dependência da China

Sophie DEVILLER y Lisa MARTIN
·2 minuto de leitura
Manifestantes queimam imagem do general Ming Aung Hlaing em protesto em Bangcoc, Tailândia, em 3 de fevereiro de 2021

O golpe militar contra o governo liderado de fato por Aung San Suu Kyi pode aproximar ainda mais Mianmar da China em detrimento dos investidores ocidentais e prejudicar a economia birmanesa, duramente atingida pela pandemia de coronavírus.

Muitas empresas ocidentais "vão dizer que não podem ficar", estima David Mathieson, um analista independente baseado em Mianmar.

O golpe pode acentuar o declínio dos investimentos ocidentais que vinha ocorrendo desde os ataques contra a minoria rohingya em 2017.

Os Estados Unidos e a União Europeia ameaçaram aplicar novas sanções que podem colocar em risco o setor têxtil, que vive um boom desde a chegada da empresa sueca H&M, da americana GAP e da alemã Adidas.

Por sua vez, a China, que tem uma fronteira de 2.000 km com Mianmar, reagiu com moderação ao golpe, apelando às partes para que resolvam suas diferenças.

"O desequilíbrio que já é significativo entre o Ocidente e a China vai se acentuar", diz Françoise Nicolas, diretora da seção Ásia do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).

Os militares birmaneses organizaram o golpe por ambição política, mas "também porque temiam perder o controle sobre seus poderosos interesses econômicos", acrescenta Nicolas.

Os militares estão envolvidos no comércio de jade e rubi e têm interesses em conglomerados imobiliários, turísticos e bancários.

A China apresenta-se como um "vizinho amigo" de Mianmar e continua a promover os seus investimentos no âmbito do plano das "novas rotas da seda", que inclui, entre outros projetos, uma zona econômica especial com um porto de águas profundas, construção de centrais de energia ou uma linha ferroviária.

Outro grande objetivo chinês é criar um corredor econômico, o "China Myanmar Economic Corridor", para obter acesso direto ao Oceano Índico.

Mianmar é uma fonte de recursos naturais para a China, que importa madeira, jade e gás natural.

"A China não está interessada no caos em seu vizinho", diz Olivier Gaillard, diretor de informações do Crisis24, grupo especializado em segurança internacional.

Outro país com muitos interesses em jogo é o Japão, o terceiro parceiro econômico de Mianmar, que está construindo uma zona econômica especial em Yangon.

O Japão foi um dos primeiros países a reconhecer o resultado das eleições legislativas de novembro, vencidas pelo partido de Suu Kyi, mas descritas como fraudulentas pelos militares birmaneses.

O golpe pode colocar a economia birmanesa de joelhos, considera Françoise Nicolas.

"Vai fazer Mianmar retroceder justo no momento em que começava a tirar a cabeça para fora da água. As medidas de Aung San Suu Kyi estavam começando a dar frutos", aponta.

De 2015 a 2017, a pobreza passou de 48% da população para menos de 25%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que recentemente forneceu ajuda emergencial de US$ 350 milhões para ajudar Minarmr a combater a pandemia, disse estar "muito preocupado" com as consequências do golpe na economia.

sde-lpm/clp/zm/mb/mr