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Golpe do pagamento falso: urgência e simpatia atraem vítimas

·3 min de leitura
Homem usando notebook e segurando cartão de crédito
Fraude foi responsável por um prejuízo de cerca de R$ 6 milhões
(Getty Creative)
  • Golpe do pagamento falso atrai, na maioria, vendedores online. Fraudadores criam comprovantes de depósito falsos para simular pagamento que nunca acontece

  • Estudo aponta que a fraude corresponde a 42% das aplicadas no primeiro semestre de 2021 e que visa, principalmente, eletrônicos

  • Urgência na entrega e contas falsas com dados de pessoas reais contribuem para que vítimas não percebam que estão caindo em um golpe 

Quando Thiago Nascimento anunciou a venda, em uma plataforma online, de quatro rodas de carro, não imaginava que estava prestes a cair em um golpe. Tudo parecia decorrer tranquilamente: um comprador interessado mandou mensagem, negociou o valor e marcou a retirada do produto. O problema? Thiago estava, na verdade, em contato com um fraudador.

Por muito pouco o analista financeiro não entrou para a estatística que aponta que, só nos primeiros seis meses deste ano, cerca de 42% de casos de fraudes aplicadas no comércio eletrônico correspondem ao golpe do falso pagamento. De acordo com um estudo da OLX e AllowMe, ele sozinho foi responsável por um prejuízo de cerca de R$ 6 milhões.

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O golpe funciona da seguinte maneira: criminosos se aproximam de vendedores online e criam falsos comprovantes de depósito com os dados da vítima – que os envia via e-mail ou aplicativo de mensagem. Isso faz com que a pessoa acredite que o valor do produto comprado foi depositado e o entregue ao golpista, que nunca mais responde às mensagens. Quando percebe o que aconteceu já é tarde demais.

Quem se beneficia da prática costuma utilizar contas falsas com dados de pessoas reais, o que dá ainda mais veracidade à fraude. “Os fraudadores atuam principalmente na falta de conhecimento dos usuários sobre os processos de compra e venda eletrônica para aplicar a engenharia social e enganá-los”, explica Beatriz Soares, diretora de Produto e Operações da OLX.

O detalhe que fez com que Thiago não perdesse cerca de R$ 4.000 foi a conferência, via aplicativo, do saldo em sua conta bancária. Ao perceber que o valor da venda não estava entrando, ele se recusou a entregar as rodas ao motorista de aplicativo enviado pelo golpista.

“Havia na troca de mensagens todo um contexto de urgência para receber o produto. A pessoa que negociou comigo a venda criou um personagem, que era a esposa de um policial. No WhatsApp, tinha a foto desse suposto policial”, conta Thiago. “Até eu ter a frieza de perceber que era golpe demorou, pois a pessoa teve toda uma empatia, envolveu aniversário do filho, necessidade de receber a compra logo para fazer uma surpresa... Me senti pressionado, claro”.

Os produtos mais visados pelos fraudadores são os eletrônicos, com destaque para os celulares (47%), seguidos por videogames (19%) e computadores (13%). O valor e a facilidade no transporte e em repassar esses itens são os principais fatores que os colocam no topo do ranking. Além do golpe do falso pagamento, o estudo da OLX e do AllowMe aponta outras duas fraudes bastante recorrentes, sendo a da falsa venda (25% dos casos) e a do roubo de dados (23% dos casos).

Ao negar a entrega das rodas, Thiago foi bloqueado pelo golpista nos canais em que estavam conversando. Ele conta que esse é um daqueles casos que “vemos todo mundo passando e achamos que nunca vamos cair”. Para Beatriz, isso mostra a importância da educação digital, “fundamental para que as pessoas possam identificar comportamentos suspeitos e se protejam das investidas dos golpistas”.

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