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Goldman ainda vê espaço para recuperação de ações emergentes

Vinícius Andrade

(Bloomberg) -- A recuperação das ações emergentes ainda não chegou ao fim e há espaço para ganhos, a despeito do risco de uma potencial segunda onda de casos de coronavírus e de valuations que parecem um pouco esticados, de acordo com o Goldman Sachs.

“Estamos bastante positivos com ações emergentes taticamente”, disse Caesar Maasry, chefe de estratégia de mercados emergentes do grupo de pesquisas do Goldman Sachs, em Nova York. “Há uma preferência crescente por ativos cíclicos e também vemos alguma fraqueza do dólar. Essa tendência de curto prazo deve continuar”, disse Maasry, em entrevista.

O índice MSCI de ações emergentes acumula alta de 30% desde que atingiu o menor nível em quatro anos no fim de março. O impulso veio com a reabertura de algumas economias e dados de alta frequência melhores do que o esperado.

Após a performance mais fraca da América Latina no início do ano, Maasry diz que a região oferece uma combinação de exposição cíclica e valor. Dado que a bolsa brasileira já subiu cerca de 46% em relação às mínimas, o Goldman agora enxerga melhor valor relativo no México. Ações de bancos nos dois países parecem atraentes em meio a perspectivas de taxas de juros mais baixas.

“Ao contrário dos mercados desenvolvidos, onde margem financeira é o primordial, o crescimento do crédito é o fator mais importante em mercados emergentes e tende a acelerar quando as taxas de juros estão muito baixas”, disse.

Com queda de 36% em moeda americana desde o começo de 2020, o Ibovespa tem o segundo pior desempenho do mundo entre os principais índices acionários, dado que a pandemia atrasou a agenda de reformas, abalou as perspectivas para a economia e piorou o cenário fiscal. O Goldman projeta o Ibovespa a 100 mil pontos em 12 meses, 8% acima dos níveis atuais. Já o Mexbol, do México, pode subir cerca de 12%, para 42 mil pontos.

O potencial de valorização no longo prazo é mais limitado, já que o Brasil e outros países em desenvolvimento ainda precisam endereçar vários problemas estruturais que não foram equacionados, como o crescimento estagnado, disse Maasry.

“Em um prazo um pouco maior, talvez de 12 meses, os desafios fiscais podem entrar em foco e os investidores podem perceber que a taxa de crescimento do Brasil talvez não seja tão forte quanto esperavam”, disse.

O Goldman também vê oportunidades no mercado de dívida e considera particularmente atraentes títulos de alto rendimento de países como Egito e Ucrânia. Segundo os modelos do banco, enquanto ações de emergentes precificam um crescimento de médio prazo de 2,5% e as moedas precificam um crescimento de 1%, os títulos emergentes ainda precificam uma contração de 1%, diz Maasry.

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