GM e sindicato fecham proposta para evitar demissões

Depois de mais de dez horas de negociações, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) e a General Motors (GM) do Brasil desenharam um acordo para evitar quase 1.600 demissões no complexo industrial de São José. A proposta prevê a manutenção da produção do Classic na unidade de São José a partir de 14 de fevereiro até dezembro deste ano. Também está prevista a prorrogação da suspensão dos cerca de 800 trabalhadores (layoff) por mais dois meses, com direito a mais 3 meses de salários ao final desse período. O acordo ainda contempla o não fechamento da linha de Montagem de Veículos Automotores (MVA), mas não leva em conta banco de horas.

Dentro da proposta, que ainda deve ser votada em conselho pelos trabalhadores na próxima segunda-feira, está previsto ainda um investimento de R$ 500 milhões por parte da GM, a ser feito entre 2013 e 2017, na linha de motores e transmissões do complexo industrial de São José.

Dirigentes do sindicato deixaram claro que esse foi "o acordo possível", mas não o desejado, uma vez que foi necessário abrir mão de conquistas do trabalhadores. Uma delas é o estabelecimento de uma grade mais baixa de salários, que prevê um nível de R$ 1.800 a R$ 3 mil para eventuais novos contratados da GM na planta. O sindicato cobrou também uma postura mais atuante do governo, que "poderia ter feito mais intervenções, no sentido de que a empresa não fizesse demissão", disse Antonio Ferreira de Barros (Macapá), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.

O acordo prevê também que a jornada de trabalho extraordinária do complexo será de no máximo 2 horas e há uma nova modalidade de compensação da jornada. "Se o mercado cair e tivermos necessidade de redução da jornada, poderemos fazer (a compensação) no montante de 12 dias por ano. Na eventual necessidade de jornada extra, poderemos compensar com essa jornada reduzida nos períodos em que o mercado estiver em baixa"

Lay-off

No caso dos funcionários que estão afastados em lay-off, que é a suspensão temporária dos contratos de trabalho, que terminaria neste sábado e atinge cerca 800 trabalhadores, o acordo prevê que os trabalhadores poderão ficar por mais dois meses nessa condição de suspensão, com a garantia de obter mais 3 meses de salário como multa rescisória adicional aos demais direitos trabalhistas. Para os trabalhadores que optarem por sair do layoff imediatamente, a GM explicou que o empregado receberá cinco meses de salário, além dos demais direitos.

A GM saiu satisfeita com a proposta. "Termino o dia satisfeito. Hoje (sábado) é aniversário da GM no Brasil, de 88 anos, e brinquei que eu deveria receber o presente, mas quem recebe é o Brasil e a sociedade. Posso dizer que nós da GM procuramos reverter uma decisão já tomada (de parar a produção do Classic) em função dos pedidos que recebemos", disse o gerente de relações institucionais da GM, Luiz Moan.

Moan explicou que a produção do Classic só deverá ser retomada após o Carnaval, já que, como os trabalhos haviam sido interrompidos, há falta de autopeças. Ele disse que os funcionários terão férias coletivas a partir de segunda-feira e deverão retornar ao trabalho no dia 14 de fevereiro. Ao manter a produção dessa linha, a empresa deixou de fechar 750 postos de trabalho.

"O custo mais elevado de produção é a do Classic, mas nós decidimos apostar no diálogo com o sindicato. Mantermos esse nível de relacionamento foi fundamental. Esperamos que nos próximos períodos mantenhamos esse nível, para que possamos defender empregos e investimentos, e quem sabe conseguir sucessivas negociações, com a GM voltando a ter aqui não 7,5 mil funcionários, mas números que já tivemos, cerca de 13 mil", avaliou.

A reunião, que teve início por volta das 10h30 deste sábado, no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de São José dos Campos, contou com a participarão da mesa de negociação, além de empresa e o sindicato, o prefeito de São José, Carlinhos Almeida (PT), e Manoel Messias, representante do Ministério do Trabalho.

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