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“Nunca passei por machismo escancarado", diz Glenda Kozlowski

Renan Nievola
·10 minutos de leitura
(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Por Renan Nievola (@renancaarvalho)

A estreia de Glenda Kozlowski no Show do Esporte da Band, no último domingo, foi o começo de um novo ciclo em sua vida. A apresentadora iniciou sua trajetória no esporte como atleta de bodyboarding, e se tornou um rosto conhecido do telespectador que acompanha conteúdo esportivo, tendo atuado por diversos anos na apresentação de programas como Globo Esporte (do RJ e de SP), Esporte Espetacular e trabalhado na cobertura de Copas do Mundo, Jogos Panamericanos e Olimpíadas.

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Após deixar a Globo em Outubro do ano passado, a comunicadora acertou com o SBT para apresentar o Reality Show “Uma Vida, um Sonho”, mas saiu da emissora de Silvio Santos pouco tempo depois, em junho deste ano.

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Apesar da baixa audiência no programa de estreia, a chegada de Glenda à Band para comandar a atração esportiva dominical do canal, ao lado de Elia Júnior, foi assunto que movimentou as redes sociais.

Em bate-papo exclusivo com o Yahoo Esportes, a apresentadora relembrou diversos momentos de sua carreira na televisão, falou de sua saída da Globo e do novo momento vivido na Band. Glenda também revelou se já sofreu machismo e comentou sobre a possibilidade de atuar em novelas da emissora onde trabalha. Confira.

Glenda estreou no Show do Esporte no último domingo
Glenda estreou no Show do Esporte no último domingo

- Como foi a experiência de estrear num programa com uma rica história no cenário esportivo brasileiro, o Show do Esporte? Como foram as conversas com a Band? O que te seduziu pra embarcar nesse projeto?

Glenda Kozlowski: “Estar à frente do retorno do Show do Esporte é uma grande honra, fico muito feliz. Ao mesmo tempo é um desafio enorme, é uma responsabilidade muito grande. Temos bastante futebol, mas em nosso DNA também temos esportes olímpicos, esportes radicais, os brasileiros que competem pelo mundo... Um dos grandes motivos pelo qual eu resolvi voltar (porque eu não queria mais fazer televisão, nesse formato), foi poder trazer a bandeira do esporte novamente com relevância na televisão aberta. Um caminho que o esporte foi tomando nos últimos anos foi ter se concentrado na TV fechada, e ir tendo seu tempo diminuído na TV aberta, só que a TV aberta ainda é a TV que chega nos quatro cantos do país. E também me estimulou poder trabalhar com a tradição do Show do Esporte, que tornou a Band o canal do esporte, junto de toda essa novidade que a tecnologia pode nos trazer, e junto desses novos formatos de se contar história.”

- A Band pretende retomar a maratona esportiva aos domingos, colocando 12 horas de esporte seguidas no ar. Como manter a atenção dos telespectadores para o tipo específico de conteúdo, o esportivo, durante tanto tempo?

Glenda Kozlowski: “É um desafio mesmo. Como são muitas horas de programação de esporte, é óbvio que nossa audiência vai variar. Vai ter gente que vai estar mais na parte da manhã, gente que vai estar mais na parte da tarde, gente que vai concentrar à noite. Mas o importante é que essas doze horas de conteúdo esportivo estejam no ar para quem quiser esse tipo de conteúdo.Televisão é hábito, e com o tempo as pessoas vão voltar a entender que a Band é de fato o canal do esporte, que no domingo ela vai ligar a televisão na Band e que vai ter alguma coisa de esporte no ar para ela curtir. Uma coisa que me surpreendeu muito foi o movimento nas redes sociais no programa de estreia. A gente foi Top Trendings do Twitter, teve um movimento muito forte nas plataformas digitais, nas redes sociais, o que me deixou muito feliz também, porque ele é um programa que está na TV aberta mas que, de certa forma, faz barulho também nas redes sociais, e a gente quer essa participação cada vez maior, com essas mensagens e com perguntas que vamos começar a fazer não só para o telespectador mas também para o público das redes sociais, para que haja um engajamento muito grande. Tenho certeza que as pessoas, cada vez mais, vão ficar na Band. Primeiro, porque já temos dois campeonatos fortíssimos: o alemão e o italiano. São dois campeonatos muito tradicionais, com jogadores brasileiros, nomes importantes do futebol”.

- A Glenda um pouco mais jovem queria ser atriz, mas foi para o jornalismo esportivo. Esse desejo de ser atriz ainda permanece, mesmo que lá no fundo? Se houvesse um convite para estrelar uma novela na Band, você aceitaria?

Glenda Kozlowski: “Sempre fiz cursos e estava me preparando para ser atriz na juventude. Fiz curso de dança, de canto, de teatro, queria fazer artes cênicas... Se a Band me chamasse para fazer uma novela, quem sabe? Na minha vida, depois de um certo tempo, nunca digo não para nada. Quem sabe um dia eu não estarei estreando na novela da Band ou em algum seriado? Não gosto de ficar fazendo planos, mas tenho um lema: eu não digo não para as oportunidades. Se eu gostar e se eu tiver afim na hora, se a minha intuição disser para fazer, eu faço. Estou sempre muito aberta ao que o universo me oferece”.

- Você chegou a atuar na apresentação do desfile das escolas de samba do Rio. A experiência de apresentar um desfile é muito diferente da de apresentar um programa esportivo? Você gosta de Carnaval e gostou de ter atuado na apresentação do desfile?

Glenda Kozlowski: “Eu fiquei cinco anos narrando o desfile das escolas de samba do grupo especial do Rio. Junto com o Cleber, no primeiro ano, e depois com o Luis Roberto, mais quatro anos. É uma emoção enorme. Eu adoro Carnaval. Sou carioca, né? Cresci no Rio de Janeiro, cresci indo aos desfiles e acompanhando. Minha mãe chegou a ajudar uma escola chamada Tradição, que nasceu de uma divisão da Portela. Acho que essa Tradição nem existe mais. Se existir, deve estar na terceira ou quarta divisão. A mecânica da narração do Carnaval é diferente da apresentação de um programa esportivo. É muito longa e é uma narração, não uma apresentação. Mas a gente lida também com paixão. O Carnaval tem muito a ver com a paixão do futebol. As pessoas das escolas de samba são completamente apaixonadas pelas suas escolas, viram noite trabalhando. Muitas nem ganham dinheiro, é puro amor. Eu fiquei muito triste quando deixei de narrar os desfiles das escolas de samba, porque era uma coisa que eu fazia com muito carinho, muita paixão, muita responsabilidade, respeitando cada história e cada escola. E eu sempre procurei trazer histórias individuais de personagens que foram importantes para a história daquelas escolas”.

Glenda ao lado do corredor Wanderley Silva
Glenda ao lado do corredor Wanderley Silva

- Você já passou por alguma situação de machismo explícito ou não tão evidente na profissão? Qual?

Glenda Kozlowski: “Nunca passei por machismo escancarado, explícito. Acho que nunca passei por nenhum tipo de machismo. Se foi machismo, eu não notei, não chamou minha atenção. Como eu vi do esporte (e de um esporte muito mais masculino, porque o surfe tem muito mais homens dentro da água do que mulheres), esse ambiente muito masculino para mim sempre foi muito normal, então eu nunca senti isso não. Acho que eu não tinha nem tempo para sentir um negócio desse, porque eu tinha que trabalhar, tinha filho pequeno, tinha que botar comida em casa. Comigo era trabalho, eu sempre quis fazer o meu melhor. Se eu sofri machismo, realmente não me chamou atenção”.

- Na ocasião da sua saída da Globo, você disse que chegou a pensar por dois anos sobre não trabalhar mais na emissora e chegou a comentar que não queria mais falar de esporte e abordá-lo da maneira como ele vinha sendo abordado. Como era essa maneira pela qual ele era abordado? O que exatamente não te agradava?

Glenda Kozlowski: “Perguntinha capciosa essa aí... Olha, minha saída da Globo aconteceu porque eu queria mudar meu caminho de alguma forma. Ali na Globo eu já tinha feito tudo: Carnaval, Reality, Esporte Espetacular durante muitos anos, Globo Esporte Rio, Globo Esporte São Paulo, Copa do Mundo, Olimpíadas, e eu queria continuar falando de esporte de outra forma, por meio de outro formato. Eu queria sair dessa obrigatoriedade de ter que bater o cartão. Eu queria pegar a minha experiência e produzir conteúdos para plataformas digitais. Eu queria estar mais nas plataformas digitais, na internet. Eu saí porque eu não estava conseguindo fazer aquilo que eu queria fazer”.

- Também na ocasião da sua saída da Globo, você manifestou a vontade de produzir conteúdo esportivo para o público infantil e de desenvolver outros projetos pessoais. Você mantém esses desejos mesmo agora com a missão de apresentar o Show do Esporte?

Glenda Kozlowski: “Eu queria produzir outros tipos de conteúdo, como coisas para crianças, por exemplo livrinhos que contem histórias de atletas e esporte, como eu já estou fazendo. Estou escrevendo esses livrinhos infantis. E não só isso, também queria fazer licenciamento de marcas ligadas a produtos esportivos para crianças, como eu estou desenvolvendo, e produtos que levem a experiência de jogar bola de uma outra forma. Não posso falar muito mais do que isso porque esse projeto está em andamento. Quero abrir o meu instituto. Isso estava pendente, eu não tinha como abrir um instituto porque eu não podia ligar o meu nome às marcas, eu tinha uma série de restrições com o Grupo Globo, pelas regras do Grupo Globo, que me atrapalhariam a fazer uma série de coisas que eu estava querendo fazer. Apesar disso, não tenho nada contra o Grupo e tenho muitos amigos lá.”

Glenda ao lado de Érica Souza.
Glenda ao lado de Érica Souza.

(Foto Glenda 3. Legenda: Glenda ao lado de Érica Souza.

- Outros apresentadores que também saíram da Globo apontaram um dos motivos que você também apontou depois da sua saída, que foi a transformação do consumo de conteúdo por parte do público, que tende a acompanhar canais do YouTube, mídia on demand e streaming. Como você enxerga essa transformação?

Glenda Kozlowski: “Eu acho que o nosso universo está mudando muito. A gente está vendo essas mudanças, a chegada do streaming. Essas plataformas digitais, o YouTube, todo mundo pode ter seu próprio canal. É uma mudança que a gente está vendo que tem que amadurecer. É preciso ver o que cada um quer. Isso é bom porque abre um leque para quem trabalha com comunicação”.

- O que te levou a deixar a apresentação do reality show Uma Vida, um Sonho, do SBT? O projeto acabou não sendo aquilo que você esperava?

Glenda Kozlowski: “Não quero falar muito sobre isso, porque é passado. Eu saí porque achei melhor sair. Não quero entrar em detalhes e não tenho nada a declarar sobre isso.

- Qual foi a cobertura esportiva que mais te marcou?

Glenda Kozlowski: “Todas as olimpíadas, Copas do Mundo, Panamericanos. Esses grandes eventos esportivos. Mas se eu tiver que escolher uma, vou citar a Copa do Mundo da Rússia, porque eu tive a oportunidade de ficar junto com os familiares e ter um outro olhar sobre seleção, esporte, disputa e sobre rivalidade. Foi incrível poder acompanhar a seleção brasileira junto das esposas, das mães, dos tios, dos pais, dos avós e dos filhos dos jogadores. Foi único.”

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