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Glaxo estuda micróbios do intestino para desenvolver vacinas

James Paton

(Bloomberg) -- A GlaxoSmithKline está explorando os trilhões de micróbios que habitam o intestino em busca de novas maneiras de prevenir algumas das doenças mais comuns do mundo.

A gigante farmacêutica do Reino Unido firmou uma parceria com a Viome, uma empresa financiada pelo capitalista de risco Vinod Khosla e pelo cofundador da Salesforce.com, Marc Benioff, para uma compreensão mais profunda do universo de bactérias que residem no trato digestivo e do papel que elas desempenham no sistema imunológico.

A parceria é o mais novo sinal de interesse em uma nova e empolgante fronteira, mas não comprovada, do desenvolvimento de medicamentos. A AstraZeneca, rival da Glaxo, fechou um acordo com a Seres Therapeutics no início do ano para estudar abordagens baseadas em microbiomas que aumentema eficácia de terapias imunológicas contra o câncer. Outras focam em doenças como obesidade e depressão, buscando transformar descobertas em produtos comerciais. Para a Glaxo, o objetivo é encontrar novas vacinas.

O campo não estava “maduro o suficiente para realmente considerar algo sério” até recentemente, disse Emmanuel Hanon, chefe de pesquisa e desenvolvimento da divisão de vacinas da Glaxo, em entrevista. “A ciência por trás do microbioma evoluiu surpreendentemente nos últimos anos, até meses.”

Em editorial no mês passado, o filantropo e bilionário Bill Gates disse que novos insights sobre bactérias intestinais podem ajudar a prevenir a desnutrição, obesidade, asma, alergias e algumas doenças autoimunes.

Com o acordo, focado em doenças crônicas, a Glaxo terá acesso à tecnologia licenciada pelo Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, além de dados de projetos de pesquisa personalizados. A empresa com sede em Seattle examina a coleta de organismos intestinais com base em amostras de fezes. Para fazer isso, a Glaxo usa um sistema de inteligência artificial, chamado de Vie, para analisar como esses organismos funcionam e os comandos enviados por seus genes. Nem a Glaxo nem a Viome quiseram fornecer os termos financeiros do contrato, que tem prazo de dois anos.

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Repórter da matéria original: James Paton London, jpaton4@bloomberg.net

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