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Giro da Saúde: coronavírus híbrido; bebida alcoólica e vacina; sequelas da COVID

Luciana Zaramela
·17 minuto de leitura

As mutações do coronavírus continuam intrigando e desafiando a ciência. De um lado, países tentam conviver com o vírus; de outro, empresas de vacinas propõem "updates" em suas fórmulas, para abranger um "espectro" maior de cepas. Afinal, o que os pesquisadores vêm descobrindo após um ano de pandemia? É sobre isso (e um pouco mais) que vamos falar no Giro da Saúde deste domingo.

Ciência: 4 alertas sobre variantes do coronavírus

O que precisamos saber sobre as novas variantes? (Imagem: Pete Linforth/Pixabay)
O que precisamos saber sobre as novas variantes? (Imagem: Pete Linforth/Pixabay)

Com mais de um ano de pandemia rolando, o que tem intrigado os médicos e pesquisadores no momento é o potencial de transmissibilidade e letalidade de novas cepas do coronavírus, também chamadas de variantes — termo usado para designar aqueles vírus que, graças a mutações genéticas, se diferem do "original" e passam a atuar de maneira diferente, seja infectando mais, ou até mesmo causando mais estrago que as "versões" anteriores.

Nem todas as variantes que vão surgindo são consideradas graves, vale dizer. Mas pesquisadores fazem alertas para as variantes do Reino Unido, da África do Sul e do Brasil (Manaus). Está havendo um surto de hospitalizações em vários países devido a essas cepas, e o alerta que fica é: as cidades precisam acompanhar o andamento das internações nos hospitais, pois qualquer aumento significativo pode ser resultado da alta contaminação por uma variante, e devem ser considerados também os números de mortes.

O aumento de reinfecções também preocupa: de acordo com uma pesquisa recente, 83% das pessoas que já se curaram da doença ficam com os anticorpos no organismo por até cinco meses, um tempo razoável. Então, se muitas pessoas começarem a testar novamente positivo para a doença, pode ser que uma nova variante esteja em circulação.

Ainda não há comprovação científica sobre alteração nos sintomas da COVID-19 quando a infecção ocorre por novas cepas. O que se sabe é que algumas mutações provocam cargas virais mais altas nas pessoas infectadas, deixando a doença mais grave.

E uma característica tem chamado a atenção da ciência: o crescimento da contaminação em grupos etários que costumam ser os menos atingidos pelo coronavírus, como pacientes jovens.

Veja, com detalhes, os quatro alertas da ciência para as novas cepas do coronavírus

Vacina da Pfizer tem 94% de eficácia

Os testes foram conduzidos em Israel, que vacinou boa parte de sua população com o imunizante da Pfizer (Imagem: Katja Fuhlert/Pixabay)
Os testes foram conduzidos em Israel, que vacinou boa parte de sua população com o imunizante da Pfizer (Imagem: Katja Fuhlert/Pixabay)

Uma pesquisa realizada em Israel com 1,2 milhão de pessoas (600 mil completamente imunizadas, ou seja, receberam as duas doses) revelou que a vacina da Pfizer/BioNTech conta com uma eficácia de 94% contra o coronavírus, número que se refere ao total de contaminações sintomáticas. Diante da vacinação, as ocorrências graves de COVID-19 tiveram redução de 92%.

A eficácia da vacina se manteve estável entre todas as faixas etárias, incluindo idosos acima dos 70 anos. Embora sejam resultados preliminares, são bons para mostrar à população israelense e de outros países que a vacina traz mais segurança e resultados muito promissores.

O governo de Israel vem trabalhando em uma imunização em massa de toda a população, com idades a partir dos 16 anos, e espera ter todo esse grupo vacinado até o final do mês de março. São cerca de nove milhões de pessoas ao todo, sendo que desse total, quase quatro milhões já receberam pelo menos uma dose, enquanto 2,5 milhões já tiveram ambas aplicadas.

Saiba mais sobre a vacina da Pfizer e o estudo

OMS: surto em Wuhan foi maior do que se imaginava

Vírus estaria circulando amplamente em Wuhan em dezembro de 2019 (Imagem: Li Lin/ Unsplash)
Vírus estaria circulando amplamente em Wuhan em dezembro de 2019 (Imagem: Li Lin/ Unsplash)

A equipe de pesquisadores da OMS que foi até a China para investigar as origens do coronavírus sinalizou nesta semana que o número de casos teria sido mais amplo do que o imaginado inicialmente. Agora, os cientistas coletam amostras de sangue de milhares de habitantes da região.

De acordo Peter Ben Embarek, um dos membros da comitiva, oram encontrados alguns sinais de que a propagação do coronavírus teria sido mais ampla, ainda no final de 2019, e que havia mais de uma dúzia de cepas do vírus da COVID-19 em circulação na cidade, já durante o primeiro surto notificado. "O vírus estava circulando amplamente em Wuhan em dezembro, o que é uma nova descoberta", afirmou Embarek, durante entrevista para a CNN.

Os pesquisadores, aliás, entrevistaram o primeiro paciente identificado com o coronavírus, lá no início da epidemia na China. A contaminação ocorreu em 8 de dezembro de 2019. Além desse paciente, Embarek comentou que a equipe da OMS foi apresentada a 174 casos de coronavírus de Wuhan, relatados em dezembro de 2019. Do total de pacientes, 100 tiveram o diagnóstico confirmado através de testes de laboratório e outros 74 por meio de uma análise clínica. Segundo o pesquisador, é possível que a infecção tenha contaminado cerca de mil pessoas naquele momento.

Leia mais sobre a missão da OMS e suas descobertas na China

Beber demais pode atrapalhar eficácia de vacinas contra COVID-19

É bom ter cuidado com excessos antes e depois de se vacinar (Imagem: Little Visuals/Pexels)
É bom ter cuidado com excessos antes e depois de se vacinar (Imagem: Little Visuals/Pexels)

A vacinação já começou no Brasil, e se você conhece alguém ou vai se vacinar em breve, saiba que é bom evitar bebidas alcoólicas antes e depois de tomar a agulhada. Isso porque beber muito álcool pode prejudicar a eficácia dos imunizantes.

A informação vem de uma pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia do Conselho Filipino para Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde. "O consumo excessivo de álcool pode afetar a resposta do nosso corpo às vacinas", aponta o estudo. De acordo com Jaime Montoya, diretor executivo do departamento, o hábito de beber assiduamente já afeta, por si só, o organismo de quem está acostumado com boas doses de álcool. O corpo pode não responder 100% às vacinas, já que o organismo fica imunologicamente comprometido.

No Reino Unido, especialistas também chamam a atenção para o hábito de beber demais: as pessoas devem evitar o consumo de álcool nos dias antes e depois de receber a vacina COVID-19, para ter uma boa resposta ao imunizante.

Mas, de acordo com Hana El Sahly, virologista e professora do Baylor College of Medicine, beber moderadamente ou só um pouquinho ainda está liberado. “O consumo de álcool não foi avaliado como uma variável no grande ensaio clínico de Fase 3. Não esperamos que a ingestão ocasional ou moderada de álcool afete a resposta à vacina. E não estamos pedindo às pessoas que se abstenham de álcool na época da vacinação", disse em entrevista ao veículo Healthline.

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Pesquisadores podem ter descoberto as causas da névoa mental pós-COVID

Difícil organizar os pensamentos? Pode ser culpa da tempestade de citocinas (Imagem: Pressphoto/Freepik)
Difícil organizar os pensamentos? Pode ser culpa da tempestade de citocinas (Imagem: Pressphoto/Freepik)

Uma das sequelas da COVID-19 é a chamada névoa mental, ou seja, a dificuldade de reunir pensamentos, conseguir se concentrar, lembrar-se de coisas simples e ter ideias bem definidas. Um novo estudo trouxe uma possível explicação para essa confusão gerada após a infecção: partículas inflamatórias no líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e a medula espinhal.

A análise contou com a participação de 18 pacientes com câncer, hospitalizados com COVID-19 e que desenvolveram graves problemas neurológicos. Todos eles passaram por exames de ressonância magnética, tomografia computadorizada e eletroencefalograma (EEG), enquanto 13 receberam uma punção lombar para obter uma amostra de líquido cefalorraquidiano para biópsia.

Os pesquisadores descobriram que os pacientes continuavam a ter níveis elevados de citocinas (moléculas sinalizadoras secretadas por células imunes que estão envolvidas na inflamação) no líquido semanas após a infecção. "Descobrimos que esses pacientes apresentavam inflamação persistente e altos níveis de citocinas em seu líquido cefalorraquidiano, o que explicava os sintomas que eles estavam tendo", declarou o co-autor do artigo, Dr. Jan Remsik, em meio a um comunicado.

"Costumávamos pensar que o sistema nervoso não tinha nenhum tipo de relação com o sistema imunológico. Mas quanto mais olhamos, mais encontramos conexões entre os dois", observou Adrienne Boire, a outra co-autora do estudo.

Veja mais detalhes sobre a pesquisa, conduzida em Nova York pelo Memorial Sloan Kattering Cancer Center

Umidade da máscara pode trazer mais proteção

Máscara "babada" vale? (Imagem: user3802032/Freepik)
Máscara "babada" vale? (Imagem: user3802032/Freepik)

Parece um tanto contraditório, mas é exatamente isso que você leu: a máscara, quando usada por certo tempo, acumula umidade das partículas de saliva e ar que saem da boca e do nariz durante a fala e a respiração. E isso pode trazer proteção extra contra o coronavírus — pelo menos de acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos, por cientistas do National Institutes of Health.

De acordo com o estudo, as máscaras aumentam a umidade do ar conforme as pessoas respiram por trás delas, provocando a hidratação do trato respiratório, já conhecida por ser benéfica ao sistema imunológico.

A descoberta pode ser a resposta para os casos de versão mais leve da doença em pacientes que usaram a máscara corretamente. Segundo Adriaan Bax, principal autor do estudo, "as máscaras aumentam consideravelmente a umidade no ar inalado, e sugerimos que a hidratação que ocorre no trato respiratório pode ser a responsável pelas descobertas documentadas que conectam os casos de gravidade baixa da COVID-19 ao uso de máscaras", diz o cientista. "Foi comprovado que níveis altos de umidade amenizam a gravidade da gripe, o que pode ser aplicado à severidade da COVID-19 por um mecanismo parecido", completa.

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Cães podem detectar COVID-19 com precisão

Cachorros, se bem treinados, podem ajudar humanos no diagnóstico (Imagem: Couleur/Pixabay)
Cachorros, se bem treinados, podem ajudar humanos no diagnóstico (Imagem: Couleur/Pixabay)

Já ouviu aquela história de que cachorro detecta câncer pelo faro? Pois bem, ela é verídica e, graças ao olfato apuradíssimo dos caninos, se bem treinados, eles também podem identificar se uma pessoa está contaminada com o coronavírus. De acordo com uma revisão sistemática publicada no Journal of the American Osteopathic Association, cães podem ser até mesmo mais precisos que os atuais exames realizados para detectar a infecção no nosso organismo.

Cachorros conseguem sentir uma ampla gama de moléculas em concentrações extremamente pequenas, e foi a partir disso que Tommy Dickey, um dos responsáveis pela revisão detalhada, chegou à sua conclusão. Após filtrar as pesquisas, foram selecionados "quatro estudos revisados ​​por pares, dedicados a determinar a viabilidade e eficácia da detecção e triagem de indivíduos que podem estar infectados pelo vírus da COVID-19 com cães farejadores", conforme descrevem os autores do artigo.

Ao realizar uma análise comparativa dos resultados, os autores do estudo mostraram que as taxas de acerto de um diagnóstico para a COVID-19 apontado por um cachorro treinado são comparáveis e, até mesmo, melhores do que as taxas de acerto dos exames de RT-PCR. Alguns estudos mostram que a sensibilidade do olfato canino para o diagnóstico da COVID-19 pode ultrapassar os 90%, sendo que um deles demonstrou 94%, e outro 95,5%.

Animador, não? Será que teremos cachorros em aeroportos e locais públicos como estratégia de combate à COVID-19? Antes de termos a resposta, mais pesquisas ainda precisam ser realizadas com os caninos para aperfeiçoar os métodos de treinamento e diagnóstico.

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Três novos remédios contra COVID são testados nos EUA

Ainda não existe remédio contra COVID, mas os testes não param (Imagem: Luciana Zaramela/Canaltech)
Ainda não existe remédio contra COVID, mas os testes não param (Imagem: Luciana Zaramela/Canaltech)

Enquanto as campanhas de vacinação visam imunizar milhões de pessoas mundo afora, a ciência busca incansavelmente desenvolver um ou mais remédios que sejam capazes de curar a COVID-19, mas, por ora, sem nada definitivamente comprovado. Agora, um instituto de pesquisa dos Estados Unidos anunciou que vai testar três novas drogas contra a infecção.

No programa Accelerating COVID-19 Therapeutic Interventions and Vaccines (ACTIV), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), as medicações serão avaliadas tanto em termos de eficácia quanto de segurança, em estudos clínicos de fases 2 e 3.

As fórmulas são as seguintes:

  • SNG001: composto que, ao ser inalado, pode acentuar a resposta imune do organismo humano, graças à presença de interferon beta em sua formulação;

  • AZD7442: medicamento baseado em anticorpos monoclonais, capaz de oferecer anticorpos contra o coronavírus para acelerar a recuperação dos pacientes;

  • Mesilato de Camostato: fórmula que pode bloquear a entrada do coronavírus nas células saudáveis, barrando a evolução da infecção.

A pesquisa está recrutando voluntários com mais de 18 anos, com sintomas leves ou moderados. Se um dos medicamentos se demonstrar promissor em critérios de segurança e reduzir os sintomas da COVD-19 até 28 dias após a administração, o estudo de Fase 2 passará para Fase 3, onde serão coletados dados adicionais de um grupo maior de voluntários.

Veja, em detalhes, como acontece a pesquisa nos EUA

E a CoronaVac? É eficaz contra novas cepas?

CoronaVac pode proteger contra variantes? (Imagem: Reprodução/Governo de São Paulo)
CoronaVac pode proteger contra variantes? (Imagem: Reprodução/Governo de São Paulo)

A pergunta de um milhão de dólares: será que a CoronaVac, vacina mais amplamente distribuída e aplicada no Brasil, também protege contra as novas variantes do coronavírus? De acordo com especialistas entrevistados pela BBC News Brasil, a resposta é sim.

A CoronaVac, por utilizar em sua formulação o coronavírus inativado, porém "inteiro", pode levar vantagem sobre vacinas que utilizam apenas fragmentos do vírus, como genes da sua proteína espicular, por exemplo. A mutação E484K , presente nas novas cepas de Manays e da África do Sul, ocorre exatamente nessa proteína, que é o ponto de ligação entre o vírus e a célula humana. É nesse ponto que os anticorpos neutralizantes agem para impedir a infecção.

Sendo assim, vacinas que focam na proteína da coroa do vírus apostam na produção desse tipo de anticorpo. Estamos falando de Oxford-AstraZeneca, Moderna, Pfizer e Novavax. O grande problema é que as variantes de Manaus e África do Sul parecem ser capazes de contornar a ação de anticorpos neutralizantes. Os especialistas afirmam que, com a CoronaVac usa o vírus inteiro inativado, várias células do sistema imune são ativadas e são produzidos vários outros anticorpos, não só os neutralizantes. Segundo o virologista Julian Tang, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, a CoronaVac induz anticorpos que interagem com todas as outras 20 a 30 proteínas que compõem o coronavírus.

Mas isso não quer dizer que as outras vacinas não sejam eficazes contra novas cepas. Elas continuam apresentando eficácia contra casos graves, pois os anticorpos e linfócitos ajudam a reduzir a concentração e multiplicação do vírus no organismo, garantindo quadros menos graves da COVID-19.

Acesse o conteúdo na íntegra

Vacinas falsificadas rendem lucros astronômicos ao crime organizado

Crime organizado usa vacina falsa para fazer dinheiro na China (Imagem: Artem Podrez/Pexels)
Crime organizado usa vacina falsa para fazer dinheiro na China (Imagem: Artem Podrez/Pexels)

Enquanto, de um lado, uns tentam a todo custo desenvolver métodos para conter a pandemia, de outro, pessoas mal intencionadas enxergam na COVID-19 uma máquina de fazer dinheiro, ao falsificar vacinas. Na China, Kong Mou, o líder de uma quadrilha, foi preso por vender vacinas falsas contra a doença. Com a façanha, os criminosos lucraram cerca de US$ 3 milhões vendendo frascos falsos pelo país, contendo apenas soro fisiológico, como se fossem vacina de verdade.

Apesar de a prisão ter acontecido no Natal do ano passado, a notícia veio à tona agora. Só em novembro, duas mil doses falsas foram vendidas a outro criminoso, conhecido como Li, por mais de US$ 60 mil. Li, então, enviou 600 dessas doses para fora do país, saindo de Hong Kong no dia 12 de novembro, lucrando US$ 140 mil. A descoberta do esquema foi anunciada somente no dia 2 de fevereiro, quando aproximadamente 80 pessoas foram presas devido a golpes de vacinas contra a COVID-19.

Na semana passada, uma agência de investigação chinesa revelou que pretende se aprofundar mais nas buscas por venda de vacinas falsas. Foram mais de 21 casos de fraudes similares por toda a China.

Saiba mais sobre as vacinas falsas clicando aqui

Registrada a primeira morte por recorrência da COVID-19 no Brasil

Duas contaminações levam paciente a óbito em Sergipe (Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay)
Duas contaminações levam paciente a óbito em Sergipe (Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay)

Em Aracaju (SE), foi confirmado o primeiro caso de óbito em decorrência da reinfecção por coronavírus no Brasil. O paciente em questão tinha 44 anos e era farmacêutico de um hospital de urgência da capital.

O caso aconteceu da seguinte maneira: em 8 de maio de 2020, o paciente testou positivo para a infecção pela primeira vez. Na época, o paciente tinha relatado sintomas leves e, em menos de 15 dias, voltou ao trabalho. Depois de um mês da recuperação, ele presentou novos sintomas da infecção e, em 13 de junho, testou positivo pela segunda vez, e o quadro era mais severo. Ele precisou ser hospitalizado, mas não resistiu e morreu em 2 de julho.

Não se sabe, no entanto, se o caso se trata de uma recidiva ou de uma nova infecção, justamente por falta de material coletado como amostra. O caso foi divulgado em um artigo científico publicado no Journal of Infection deste mês.

Acesse a notícia completa e o estudo com o caso de Sergipe

Molnupiravir, o remédio que promete inibir a ação do coronavírus

Antiviral promete impedir replicação viral no organismo (Imagem: Reprodução/Reproductive Health Supplies Coalition)
Antiviral promete impedir replicação viral no organismo (Imagem: Reprodução/Reproductive Health Supplies Coalition)

Um novo antiviral está animando os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, nos EUA. Chamada de molnupiravir, a droga tem baixa toxicidade e poderia ser usada como tratamento preventivo à COVID-19. Pelo menos é o que indicam os testes com camundongos, que tiveram células humanas contaminadas pelo vírus injetadas em seus pulmões para que o estudo fosse feito. Como resultado, o remédio mostrou-se capaz de inibir a replicação do vírus no organismo dos roedores.

Outro estudo, já em fase mais avançada e conduzido pelas empresas MSD e Ridgeback Bio, está investigando o uso da droga em pessoas que já estão contaminadas com o coronavírus. Até março, devem ser divulgados os estudos clínicos das fases 2 e 3 com pacientes humanos.

Vale comentar que o antiviral em questão atua diretamente no RNA do SARS-CoV-2, evitando que ele acabe se replicando nas células e agravando a reação.

Leia mais sobre o molnupiravir

No Brasil, novo lote de vacinas será usado como primeira dose

Mais pessoas imunizadas com a primeira dose é a nova tática do governo brasileiro (Imagem: Steven Cornfield/Unsplash)
Mais pessoas imunizadas com a primeira dose é a nova tática do governo brasileiro (Imagem: Steven Cornfield/Unsplash)

O Brasil está vivendo um cenário desesperador, já que o aumento substancial do número de casos de pacientes contaminados está fora de controle. Como o país ainda não tem doses de vacina suficientes para imunizar a população a ponto de frear o contágio em todo o território nacional, a aposta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, é utilizar todo o novo lote que chegou ao país para imunizar pessoas aplicando apenas a primeira dose.

A informação foi anunciada pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) por meio do Twitter. No último dia 12, as próprias Secretarias Estaduais de Saúde, declararam 6,53 milhões de doses prontas para uso, mas 70% delas precisaram ser aplicadas em quem já tomou a primeira dose. Nesta semana, ao menos cinco capitais registravam falta de vacinas.

A expectativa é que em 25 de fevereiro, o Instituto Butantan entregue mais 8,6 milhões de doses da CoronaVac. Enquanto isso, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deve receber até o fim da próxima semana mais 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca.

"Agora, a partir do dia 23, com a chegada de 4,7 milhões de novas vacinas, a imunização será em 4,7 milhões de brasileiros, não a metade, como estava acontecendo até então. A justificativa é que a pasta tem garantia de produção das doses", tuitou a FNP.

Coronavírus híbrido: duas variantes se fundem nos EUA

Uma variante com característica de duas? O que aconteceu nos EUA? (Imagem: Viktor Forgacs/Unsplash)
Uma variante com característica de duas? O que aconteceu nos EUA? (Imagem: Viktor Forgacs/Unsplash)

De acordo com um análise realizada nos Estados Unidos, algo inédito aconteceu com um paciente da Califórnia: duas variantes do coronavírus se "mesclaram" e infectaram o mesmo organismo. O caso veio de uma amostra coletada no estado americano, e ainda não se sabe o que essa fusão pode desencadear.

Tal hibridização foi resultado da recombinação das variantes B.1.1.7, descoberta no Reino Unido, e B.1.429, que se originou na própria Califórnia e pode ser mais resistente a alguns anticorpos. A novidade foi descoberta no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, pela bióloga computacional Bette Korber. Ela alertou que havia identificado evidências "bastante claras" dessa fusão em seu banco de dados de genomas virais.

Nesse caso específico da califórnia, o coronavírus resultante pode reunir diferentes mutações de uma única vez. No entanto, é importante esclarecer que essa situação não é necessariamente uma vantagem para o vírus. A recombinação é um processo que ocorre durante a reprodução do vírus, dentro das células infectadas. Provavelmente, o caso aconteceu em um paciente que apresentasse um caso de coinfecção pelo coronavírus, ou seja, a pessoa carregava simultaneamente duas variantes diferentes do agente infeccioso (a britânica e a californiana). Dessa forma, as diferentes informações genéticas, na hora da replicação, podem ter se misturado e originaram o coronavírus híbrido.

Leia mais, em detalhes, sobre a hibridização do coronavírus

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Fonte: Canaltech

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