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Gigogas tomam quase metade do espelho d’água da Lagoinha do Parque Chico Mendes, no Recreio

Imagens do alto mostram como a proliferação de gigogas já modifica a paisagem do Parque Chico Mendes, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A vegetação tomou quase 50% do espelho d’água da Lagoinha das Taxas e cada vez mais vem comprometendo a drenagem, favorecendo inundações na região, além de contribuir para a infestação de pragas, como mosquitos, ratos e baratas.

As gigogas são plantas aquáticas, de água doce, sendo comuns na baixada de Jacarepaguá. Mas, a reprodução acelerada da espécie tem a ver com a falta de saneamento básico e com a poluição. No caso da Lagoinha do Parque Chico Mendes, o esgoto despejado na comunidade do Terreirão, vem pelo canal das Taxas e chega até o espelho d’água. A matéria orgânica presente nesse esgoto sem tratamento adequado fornece nutrientes para que as gigogas se multipliquem em uma velocidade mais rápida do que o normal.

— As gigogas encontram as condições ideias para a sua multiplicação nessas condições ambientais profundamente degradadas — explica o biólogo Mário Moscatelli.

O pesquisador, que monitora o sistema lagunar, afirma que as consequências dessa proliferação descontrolada das gigogas são muitas, tanto para o meio ambiente, quanto para a sociedade. Segundo ele, a partir do momento em que há um desequilíbrio ambiental, o número de espécies nativas presentes é reduzido, prejudicando o controle de pragas.

— Para o ambiente, temos o empobrecimento ainda mais intenso da biodiversidade local. Para a sociedade, que principalmente por omissão aceita a degradação dos recursos naturais, temos a “vingança” da Natureza, com a ação de pragas como o mosquito. Tudo muito simples, mas parece que as pessoas insistem em não querer entender — enfatizou Moscatelli.

A expansão do território coberto por gigogas também é facilmente notada na Lagoa da Tijuca e na Lagoa do Camorim. Os dois lugares sofrem com o despejo de esgoto sem tratamento e a falta de saneamento no entorno. Eventualmente, como aconteceu no início deste ano, o problema no escoamento da água causado pelo excesso das plantas aquáticas pode causar o rompimento da ecobarreira do Itanhangá, fazendo com que as gigogas cheguem até a praia da Barra.

Por ser um problema que ocorre há décadas, o biólogo Mário Moscatelli explica que para reverter a atual situação, levará tempo. Mas, com um comprometimento do poder público e das empresas responsáveis pelo saneamento, ainda é possível corrigir esse cenário.

— A grande expectativa é que com a nova concessionária de água e esgoto, esse problema como tantos outros da baixada de Jacarepaguá sejam equacionados. Mas isso não será rápido, visto que temos um passivo ambiental de ao menos cinco décadas de impunidade e irresponsabilidade no que tange o tema de saneamento na região — reforçou.

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