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Gigante japonesa SoftBank investe mais de US$ 1 bi em startups do Brasil; saiba por quê

Fundador e CEO do SoftBank Group Corp., Masayoshi Son. Foto: Alessandro Di Ciommo/NurPhoto via Getty Images

Com apenas quatro meses atuando efetivamente no mercado brasileiro, o fundo de investimento Vision Fund, pertencente ao conglomerado japonês SoftBank, tem dado indícios de que as startups do País podem ser as novas queridinhas do mundo da tecnologia.

Anunciado em março deste ano, o fundo já investiu em grandes startups como a fintech Creditas, a empresa de ginástica Gympass e as de logística Loggi e Rappi, com valores que chegam a US$ 1 bilhão por rodada de aporte. O montante tem atraído o interesse de startups de diversos tamanhos, que procuram uma fonte de renda para além de ter de abrir capital na bolsa de valores.

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“O SoftBank está de olho em três perfis de empresas: as que valem até US$ 100 milhões e com potencial para se tornarem unicórnios; startups com valor de mercado de até US$ 250 milhões e que podem entrar no clube dos US$ 1 bilhão com o investimento e também as companhias que já são unicórnio, mas que precisam de capital para continuar expandindo”, analisa Felipe Matos empreendedor e autor do livro 10 Mil Startups.

Para isso, o conglomerado japonês pretende desembolsar US$ 5 bilhões em investimentos em startups na América Latina. De acordo com a Associação Latino Americana de Venture Capital (LAVCA, na sigla em inglês), o valor é quatro vezes maior que o total de aportes de capital de risco realizado na região no ano de 2017. No ano passado, estima-se que as startups no Brasil receberam US$ 1 bilhão em investimentos.

À frente do fundo na América Latina está o boliviano Marcelo Claure. Em declarações recentes, o executivo diz que as reformas econômicas previstas para os países locais e a qualidade dos empreendedores fizeram a empresa se interessarem pela região.

Fábio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas, acredita que o interesse do SoftBank vai além de apenas alguns poucos fatores econômicos. “Somos uma das principais economias do mundo que está dando sinais de que vai resolver seus problemas econômicos. Neste cenário, as startups e suas soluções inovadoras e tecnológicas estão se sobressaindo e se tornam um dos principais mercados para quem quer investir no Brasil”, diz.

A facilidade na adoção de novas tecnologias por brasileiros também é um fator que favorece o crescimento de startups na região. De acordo com Felipe Matos, investir em empresas que possuem produtos de fácil adesão e de crescimento em larga escala é uma característica do fundo japonês.

“O Brasil chegou a um nível de adoção de smartphones e conectividade que já comporta diversos negócios em larga escala. É um fenômeno que já aconteceu na China. Agora, mesmo que a economia cresça pouco, o setor de tecnologia continuará crescendo bastante, alavancando-se no ganho de eficiência que ela proporciona. Os grandes fundos têm interesse nisso.”