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Gigante chinês das máquinas, XCMG inicia operação de banco no Brasil

ARTHUR CAGLIARI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O grupo XCMG, um dos maiores fabricantes de maquinário pesado da China, inicia nesta quarta-feira (1º) sua operação bancária no Brasil.

A instituição financeira do grupo, com investimento inicial R$ 100 milhões, tem como foco principal a indústria e os próprios negócios (de fornecedores e distribuidores do grupo), depois empresas chinesas no país e, se ainda tiver capital, não descarta uma atuação mais ampla.

"O banco XCMG foi criado para financiar as operações da indústria, mas vemos que conseguimos ser mais do que isso. Nosso presidente é o chefe da associação brasileira das empresas chinesas, o que reforça nossa relação com essas companhias", diz Way Chien, gerente jurídico do grupo XCMG Brasil em entrevista à Folha de S.Paulo.

"Depois da indústria e das empresas chinesas, num terceiro momento, se ainda tivermos fôlego sobrando, atenderíamos o mercado em geral como se fôssemos um banco qualquer."

Mesmo antes de iniciar suas atividades, o banco já foi procurado por empresas do segmento industrial e já recebeu documentação para análise de crédito, segundo Chien.

A previsão feita pelo grupo no começo do ano sobre a movimentação do banco se mantém, apesar da crise econômica desencadeada com a pandemia do novo coronavírus. A projeção é de que entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões sejam transacionados em operações de crédito no primeiro ano e que o break even (quando a empresa não dá lucro e nem prejuízo) seja atingido em três anos.

Isso é sinal de que nem mesmo a economia brasileira travada por conta da pandemia afugenta o dinheiro chinês do Brasil, conforme afirma Chien. Para ele, mesmo que reprimida, há uma demanda por capital e a própria crise mostra que há uma lacuna a ser preenchida.

"Se você acompanha as notícias nesse período de pandemia, você percebe que há muitas empresas reclamando que os recursos financeiros não chegam. Então apesar da crise e da dificuldade que o Brasil está tendo, entendemos que há oportunidades que podem ser trabalhadas", diz.

"Antes da pandemia, víamos um movimento de retomada, principalmente da construção civil, que acaba puxando outros setores. Entendemos que essa demanda ressurgirá depois que a questão do coronavírus se estabilizar", afirma Chien, que diz acreditar numa recuperação rápida do Brasil quando superada a crise atual.

O gerente jurídico do grupo diz ver a instabilidade política brasileira como um obstáculo para vinda de mais recursos estrangeiros para o país. O dinheiro que está vindo de fora, como é o caso do chinês, acaba vindo porque há a demanda muito reprimida, mas, na sua avaliação, o Brasil poderia ter um desempenho muito melhor.

"Se tivesse um cenário político mais estável e mais resolvido, o Brasil teria um crescimento muito maior. Mas trabalhamos com o quadro mais conservador sobre a mudança desse quadro instável."

O banco XCMG, que inicia as operações com 16 funcionários e deve fechar seu primeiro ano com 26, ficará sediado em Pouso Alegre (MG), onde está localizada a matriz do grupo no espaço construído de 140 mil metros quadrados.

Em São Paulo, a instituição financeira terá inicialmente um escritório em uma sede do grupo em Guarulhos, mas a ideia é migrar para um dos centros financeiros da capital, seja na avenida Paulista ou na Faria Lima.