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Gigante de cacau agora rastreia maioria de grãos comprados

Isis Almeida e Manisha Jha
·2 minutos de leitura

(Bloomberg) -- A gigante de cacau Olam International agora pode rastrear o fornecimento da maioria dos grãos que compra, intensificando esforços de sustentabilidade diante da maior pressão de clientes e governos para saber de onde vêm os alimentos e se foram produzidos de forma ética.

A terceira maior processadora de cacau do mundo é capaz de rastrear todo o cacau em sua cadeia de suprimentos direta em nove países até uma fazenda individual, comunidade ou primeiro ponto de compra, onde um agricultor ou cooperativa é pago, disse Gerry Manley, responsável pela unidade de cacau da Olam. Isso representa cerca de 60% dos grãos que a operadora com sede em Cingapura adquire, ou 12% do cacau mundial.

A mudança ocorre em um momento em que a União Europeia planeja implementar legislação que poderia responsabilizar empresas por abusos de direitos humanos e danos ambientais em suas cadeias de abastecimento. Nos EUA, congressistas propuseram proibir importações de cacau produzido com mão de obra infantil. A rival Barry Callebaut começou a divulgar neste mês cooperativas e estações de compra das quais adquire cacau diretamente em três países da África Ocidental.

“A rastreabilidade é realmente a chave para desvendar muitos dos problemas que temos hoje, seja trabalho infantil, desmatamento ou saber sobre questões de pobreza e educação”, disse Manley em entrevista. “Somente por meio da ação e regulamentação de governos conseguiremos realmente um sistema pelo qual todo o cacau será rastreável.”

A Olam usa tecnologia para rastrear cerca de 600 mil toneladas de cacau em países como Costa do Marfim, Indonésia, Nigéria e Brasil. Embora rastreie algumas compras em Gana, é mais difícil controlar toda a cadeia de custódia por causa do sistema centralizado do país no qual um regulador vende e despacha os grãos, disse Manley. A Olam também não consegue rastrear o que compra de parceiros.

“Faremos mais com o tempo, tenho certeza disso, já que outros fornecedores também obtêm cacau rastreável em suas cadeias de suprimentos”, disse Manley, acrescentando que as parcerias público-privadas são necessárias para atingir toda a cadeia.

O desmatamento tem sido uma questão urgente para o setor: a área florestal na Costa do Marfim, o maior produtor, encolheu mais de 80% desde 1960, para 3 milhões de hectares em 2018. Um relatório recente da International Cocoa Initiative também destacou que cerca de um em cada três menores de idade em áreas de cultivo de Gana e Costa do Marfim são afetados pelo trabalho infantil.

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