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Ghosn afirma que não teve outra escolha a não ser fugir do Japão

Carlos Ghosn fala à imprensa sobre os motivos de sua fuga do Japão

O ex-CEO da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, disse que resolveu se apresentar ante à imprensa nesta quarta-feira para "lavar sua honra", durante sua primeira aparição pública em Beirute desde sua fuga há quase duas semanas do Japão, onde é acusado de desfalque financeiro.

Também acusou a Nissan e a justiça japonesa de conluio para prolongar indefinidamente sua prisão sem um veredicto.

Nos minutos iniciais de sua coletiva de imprensa, Ghosn disse que não ia explicar como fugiu do Japão, mas que o fez porque havia sido "arrancado de seus familiares e amigos, referindo-se ao fato de que, após sua libertação sob fiança, ele foi proibido de ter contato com sua esposa Carole Ghosn.

"As acusações contra mim não têm base nenhuma", ressaltou, acrescentando que o sistema judicial japonês o considerava "suposto culpado".

O empresário, que chegou ao Líbano, seu país de origem, em 30 de dezembro, repetiu que não fugiu da justiça japonesa: "Eu escapei da injustiça e da perseguição".

O ex-CEO denunciou ainda um "conluio" entre a Nissan e a justiça japonesa em relação a sua prisão, o que caracterizou como um "golpe".

"O conluio entre a Nissan e os promotores é de todos os níveis", afirmou ele.

"Quando perguntei aos meus advogados (...) eles disseram que temiam que cinco anos se passem no Japão antes que eu recebesse um veredicto", acrescentou.

Ghosn foi preso em novembro de 2018, quando deixava seu jato particular em Tóquio. Em abril de 2019, foi libertado sob fiança depois de passar 130 dias na prisão.

Desde então, estava em prisão domiciliar e não podia deixar o país à espera de julgamento (a data ainda não havia sido definida).