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Ex-gestores de fundos de pensão são denunciados por aportes na Sete Brasil

Murillo Camarotto, Isadora Peron e Luísa Martins

Eles são acusados de fraudes em investimentos dos fundos que administram A força-tarefa da Operação Greenfield informou ter protocolado denúncia criminal contra 29 ex-gestores dos fundos de pensão Petros, Funcef, Previ e Valia. Eles são acusados de fraudes em investimentos desses fundos, que administram, respectivamente, os recursos de funcionários da Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB) e Vale. O ex-ministro do Planejamento Esteves Colnago está entre os denunciados.

As fraudes cometidas, segundo os investigadores, teriam causado um prejuízo já calculado em R$ 5,5 bilhões. A força-tarefa da Greenfield atua na Procuradoria da República em Brasília.

De acordo com as investigações, os acusados praticaram o crime de gestão temerária com aportes no Fundo de Investimentos Sondas, da empresa Sete Brasil, que seria a responsável pela construção de unidades de perfuração para a operação no pré-sal. Os procuradores pedem uma reparação de R$ 16 bilhões.

“Foram ignorados os riscos dos investimentos, as diretrizes do mercado financeiro, do Conselho Monetário Nacional, dos próprios regimentos internos, bem como não foram realizados estudos de viabilidade sobre os aportes”, informou nota da Greenfield.

Os investigadores alegam ainda que Petros, Funcef e Valia continuaram a investir no FIP Sondas apesar de o cronograma ter apresentado atrasos já na primeira etapa e do incremento de mais riscos.

Agência Brasil

Outro lado

Após nova denúncia da operação Greenfield, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras informou em nota que colabora de forma irrestrita com o Ministério Público (MP) e a PF e que, inclusive, busca ressarcimento de antigos dirigentes.

“A Petros está comprometida com as melhores práticas de governança e responsabilidade na administração dos recursos dos participantes. Temos reforçado os trabalhos das Comissões Internas de Apuração (CIAs) da fundação, criadas para averiguar eventuais irregularidades em investimentos decididos no passado, e cujos resultados são imediatamente encaminhados às autoridades”, afirma em nota.

A Petros ressalta ainda que há processo de responsabilização contra ex-dirigentes no intuito de buscar ressarcimentos. Inclusive, ingressou com requerimentos na 22ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, para atuar como assistente do MP em processos de improbidade administrativa movidos pelo órgão contra ex-gestores.

A Funcef afirmou que mantém em sua estrutura as comissões técnicas de apuração (CTAs) que analisam os Fundos de Investimentos (FIPs) realizados no passado. “Além disso, a Funcef foi o primeiro fundo de pensão a se tornar assistente da acusação nas apurações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal acerca dos investimentos que estão sendo investigados pela Operação Greenfield. Importante enfatizar que a Funcef contribui ativamente na produção de provas para auxiliar também ao MPF e PF”, afirmou o fundo em nota.

A advogada Mariana Mei de Souza, que defende quatro ex-diretores do Funcef denunciados, afirmou que eles ainda não foram formalmente notificados e, até lá, não irão se manifestar.

Seu escritório representa os acusados Antônio Bráulio de Carvalho, Carlos Alberto Caser, Carlos Augusto Borges e Demósthenes Marques. A advogada diz ainda não ter tido acesso aos autos do processo.

A Valia, fundo de pensão dos funcionários da Vale, defendeu a decisão de investir na Sete Brasil, mesmo após a denúncia contra ex-gestores, por decisões “temerárias”.

Em nota, a Valia afirmou que a decisão de investir no projeto FIP Sondas, com uma participação de apenas 2,56% do capital, seguiu rigorosamente o trâmite em todos os fóruns de assessoramento da fundação e foi fundamentada por vários aspectos técnicos, “como a excelente expectativa de retorno e o promissor cenário do setor de óleo e gás naquele momento”.

A fundação afirma que, após a deflagração da Operação Lava Jato, que indicou a existência de um esquema de corrupção relacionado ao FIP Sondas, iniciou litígio contra a Petrobras em busca da reparação de seu prejuízo e na defesa da integridade dos patrimônios dos planos que administra.

“Além disso, a Valia submeteu o investimento à avaliação de uma independente Comissão de Apuração de Responsabilidades, que concluiu pela inexistência de responsabilidade civil dos profissionais da fundação envolvidos no investimento”.

A Valia diz que seguirá defendendo seu processo de investimento, “cujos consistentes resultados demonstram inequivocamente o rigor técnico adotado pela fundação”, sem deixar de buscar, em sede de contencioso contra a Petrobras, a reparação pelos prejuízos sofridos no investimento feito no FIP Sondas.