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Gestores fora do eixo RJ-SP indicam ações que não estão no radar do mercado

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Homem observa painel de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores, a B3, em SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Homem observa painel de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores, a B3, em SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Distantes do que se convencionou cunhar como os grandes centros financeiros do mercado local, nas regiões da Faria Lima, em São Paulo, ou do Leblon, no Rio de Janeiro, gestores de fundos de ações localizados em outras regiões do país defendem que, devido à distância física, conseguem ter uma visão mais independente, com menor influência da percepção média dos pares, para construírem carteiras com posições que fogem do consenso.

É bem verdade que os gestores fora do eixo Rio-SP não deixam de apostar em nomes mais óbvios, comumente presentes nas carteiras dos fundos da indústria local, de modo a não desperdiçarem desempenhos destacados de setores em um bom momento conjuntural, como as exportadoras de commodities e os grandes bancos.

Mas é por meio de ações que não aparecem com tanta frequência nos portfólios da maior parte dos fundos que os gestores distantes dos grandes centros têm conseguido entregar aos investidores retornos diferenciados ao longo dos últimos anos.

INSPIRAÇÃO EM WARREN BUFFETT GUIA GESTORA NO INTERIOR DO PARANÁ

A Real Investor, gestora de Londrina com cerca de R$ 3 bilhões em ativos, é uma das principais do mercado brasileiro que não está sediada em uma capital do país.

Sócio e cogestor da Real Investor, Anderson Lueders diz que não vê a distância geográfica como um empecilho. Pelo contrário.

Ele lembra que o investidor americano Warren Buffett, uma das principais inspirações à filosofia de "value investing" perseguida pela Real Investor (de comprar ações sólidas a preços descontados), vive em Omaha, uma pequena cidade do Nebraska com cerca de 500 mil habitantes, e não precisou estar em Nova York para se tornar uma das maiores referências do mercado em escala global.

Para obter um retorno adicional em relação à média de mercado, é preciso identificar vantagens em determinado negócio que a maior parte dos investidores ainda não percebeu, diz o gestor da Real Investor. E, ao não estar presente nos grandes centros no dia a dia, a influência em relação à percepção média dos pares acaba sendo menor, afirma.

"Pelo fato de não convivermos de forma tão íntima com esse círculo, não sofremos a influência de forma tão forte."

Lueders aponta as fabricantes de autopeças voltadas ao setor automotivo Tupy e Mahle Metal Leve entre as posições que carrega nos fundos e que não costumam aparecer tanto entre as principais apostas do mercado.

"São duas empresas do setor automotivo que se beneficiam bastante do cenário atual de restrições logísticas e que, ao mesmo tempo, têm boa parte das receitas dolarizadas", afirma o gestor.

Ele também cita a construtora Even entre as ações na carteira, em um setor que, pelo impacto negativo da alta dos juros para os financiamentos imobiliários, tem sido pouco lembrado pelos pares neste momento, mas que Lueders avalia estar com um desconto além do razoável, frente à robustez operacional do negócio.

Desde o início da estratégia, em março de 2012, até julho de 2022, o principal fundo da gestora, o Real Investor FIA BDR Nível I, acumula rentabilidade positiva de 302,5%, contra os ganhos de 56,8% do Ibovespa. No ano, o fundo está próximo da estabilidade, com leve alta de 0,1%, contra a queda de 1,6% do índice de mercado.

LONGE DA MANADA, MAS COM A ENTREGA DE RESULTADOS CONSISTENTES, DIZ GESTOR DA GAÚCHA QUANTITAS

Sócio diretor responsável pela gestão de renda variável da Quantitas, de Porto Alegre, com cerca de R$ 4,7 bilhões em ativos, Wagner Salaverry também vê a distância geográfica em relação aos principais centros financeiros como um fator que contribui para a construção de uma carteira descorrelacionada da média de mercado.

"A gente estuda em escolas diferentes, convive com pessoas diferentes no dia a dia, e, sem dúvida, é algo que contribui para a gente pensar um pouco diferente também", afirma Salaverry.

Ele aponta a fabricante de medicamentos Hypera, a calçadista Grendene e a empresa de soluções logísticas Hidrovias do Brasil entre as apostas que fogem do consenso.

São ações que combinam características como baixo nível de endividamento e forte geração de caixa para atravessar um período de Selic mais alta, com preços em Bolsa considerados muito achatados frente aos resultados reportados recentemente nos balanços trimestrais, afirma Salaverry.

"O fato de estarmos distantes geograficamente ajuda a nos manter afastados da manada", diz o gestor, acrescentando ser importante ter posições que divergem da média, mas, ao mesmo tempo, entregar retornos consistentes aos investidores. "Não adianta ficar longe da manada se não conseguir dinheiro para o cliente."

Desde o início, em fevereiro de 2011, o fundo FIA Montecristo da Quantitas acumula rentabilidade positiva de 151,3%, contra a alta de 54,2% do Ibovespa. No ano, o fundo recua 1,8%.

PROXIMIDADE COM INVESTIDORES CONTRIBUI PARA APOSTAS FORA DO RADAR, DIZ GESTOR DA MINEIRA AF INVEST

Leandro Saliba, sócio e gestor da AF Invest, gestora de Belo Horizonte com cerca de R$ 3,5 bilhões em ativos, diz que o fato de manter uma grande proximidade com os clientes da casa, muitos deles residentes na região e com relacionamento de longa data com a empresa, contribui para um portfólio divergente da média de mercado.

Essa proximidade com a base de cotistas, diz Saliba, permite aos gestores fazer uma seleção de nomes que não necessariamente estão presentes na maior parte dos fundos, e que eventualmente ainda nem estão, de fato, em seu melhor momento operacional, mas que apresentam perspectivas bastante positivas à frente e negociam com as ações na Bolsa em níveis considerados excessivamente descontados.

"Somos muito próximos dos clientes e, por conta disso, temos uma carta branca para fazermos os investimentos que entendemos como os mais apropriados do momento", afirma o gestor.

O Banco ABC Brasil e a BR Partners, negócios que Saliba avalia que tendem a se beneficiar de um processo que ele entende estar apenas no início, de desenvolvimento do mercado de capitais, bem como o Grupo Pão de Açúcar e a elétrica Neoenergia, estão entre as posições que o gestor carrega na carteira do FIA (fundo de investimento em ações) Minas.

"Em vez de comprar as melhores empresas, mais bem geridas do setor, preferimos empresas que têm um desconto muito grande e que, na hora que corrigir, vão ter uma forte valorização das ações", diz Saliba.

O fundo da gestora de Belo Horizonte sobe 230,15% desde o início, em fevereiro de 2010, contra a valorização de 55% do Ibovespa, com uma queda de 2,8% em 2022.

CONHEÇA MAIS A RESPEITO DOS FUNDOS DE GESTORAS FORA DO EIXO RJ-SP

Fundo: Real Investor FIC FIA BDR Nível I

Aplicação inicial mínima: R$ 5.000,00

Taxa de administração: 2% a.a.

Taxa de performance: 15% sobre o que exceder o Ibovespa

Fundo: Quantitas Fundo de Investimento em Ações Montecristo

Aplicação inicial mínima: R$ 1.000,00

Taxa de administração: 2% a.a.

Taxa de performance: 20% sobre o que exceder o Ibovespa

Fundo: AF Invest Minas FIA

Aplicação inicial mínima: R$ 1.000,00

Taxa de administração: 2% a.a.

Taxa de performance: 15% sobre o que exceder o Ibovespa