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Gestora de US$ 120 bi foca em empresas para proteger Amazônia

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A principal gestora por trás de uma campanha global de investidores para ajudar a salvar a Amazônia está redirecionando seu ativismo e agora foca nas empresas, depois que o governo brasileiro se distanciou “ainda mais” do compromisso de proteger as florestas.

A Storebrand Asset Management, que administra US$ 120 bilhões em ativos, lidera um grupo de fundos com objetivos semelhantes com um total de US$ 3,7 trilhões sob gestão. Mas um ano de conversas com o governo brasileiro não foi suficiente para impedir a extração ilegal de madeira, por isso, uma nova estratégia é necessária, disse o CEO da Storebrand, Jan Erik Saugestad, em entrevista.

“Nas próximas semanas, entraremos em contato com mais de 50 empresas para pressionar ainda mais”, disse Saugestad. Ele não quis identificar as companhias, mas disse que a Storebrand tem como alvo grupos que possam se beneficiar da extração ilegal de madeira.

“Fizemos uma análise de risco abrangente de nossos próprios investimentos e identificamos empresas com alta exposição ao risco do desmatamento”, disse Saugestad.

A mudança de estratégia destaca o dilema que investidores institucionais enfrentam ao tentar alavancar sua influência financeira para mudanças ambientais e sociais: decidir quando fazer mais pressão e quando sair do investimento.

A resposta nem sempre é clara. No ano passado, outro grande gestor de ativos nórdico, o Nordea Bank, excluiu as ações da JBS do portfólio depois que um relatório indicou que a maior produtora de carne do mundo supostamente estaria comprando gado de fazendas localizadas em terras desmatadas ilegalmente.

Mas alguns argumentam que excluir empresas do portfólio abre espaço para outros investidores. Depois da saída do Nordea, a ação da JBS subiu mais de 30% em valor com a ajuda de acionistas como Vanguard e Banco Santander que compraram participações, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Maior pressão

Saugestad diz que a Storebrand não está prestes a excluir o Brasil do portfólio, porque isso significaria perder capacidade de fazer pressão. Ele também disse que há sinais de que o Banco Central e alguns líderes empresariais no país começam a prestar atenção às preocupações dos investidores.

“Queremos manter esta pressão e o momentum”, afirmou.

No início do ano, cientistas disseram que a Amazônia pode já ter ultrapassado um limite crítico, tornando-se um contribuinte líquido para a mudança climática, em vez de um freio ao aquecimento global. Em abril, durante a cúpula do clima do presidente dos EUA, Joe Biden, Jair Bolsonaro prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2030. Um mês depois, o desmatamento bateu recorde, de acordo com Saugestad.

“É uma imagem dividida entre a ambição e o que registramos no terreno”, com uma distância cada vez maior entre as metas declaradas pelo governo e o que está realmente fazendo, disse Saugestad.

“Faltou política nos últimos dois anos” e isso “afastou o Brasil ainda mais da meta de reduzir o desmatamento ilegal”, afirmou.

No ano passado, a Storebrand reuniu mais de duas dezenas de investidores institucionais do mundo todo, incluindo a Church of England, para tentar salvar a Amazônia por meio do ativismo. Alguns já alertaram que estão preparados para retirar seus investimentos por causa da falta de resultados.

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©2021 Bloomberg L.P.

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