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'A gestão pelo medo na Caixa acabou', diz presidente da instituição em posse

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No dia em que a Caixa Econômica Federal completa 162 anos, a representante dos funcionários no conselho do banco assumirá a presidência. Maria Rita Serrano, 53, tomou posse nesta sexta-feira (12) fazendo críticas ao governo Jair Bolsonaro (PL) na instituição.

"A gestão pelo medo na Caixa acabou", disse Serrano em seu discurso de posse. "Exemplo de resiliência, a Caixa resistiu novamente ao desmantelamento do patrimônio público e à avassaladora política de assédio e medo patrocinada pela gestão do último governo através de seus representantes na direção do banco."

Ela fez referência às denúncias de assédio sexual e moral praticados pelo ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães e relatados por funcionários do banco ao Ministério Público do Trabalho. As denúncias levaram Guimarães a deixar o cargo. Ele nega as acusações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), participaram da cerimônia, realizada em teatro da Caixa Cultural em Brasília. Cinco ex-presidentes da Caixa nas gestões Lula e Dilma Rousseff compareceram ao evento.

"Se hoje o estado conta com o banco público do porte da Caixa é porque, ao longo dessa história, os empregados, entidades e movimentos organizados presentes aqui empunharam a bandeira da defesa e de manutenção do banco público frente às iniciativas de privatização", disse Serrano.

Lula discursou, algo que não estava previsto. Elogiou Rita Serrano pedindo que ela repetisse seu bom desempenho ao longo de seus 33 anos de carreira.

"Só espero que você dedique à Caixa na presidência aquilo que você dedicou como funcionária. Tenho certeza que vamos viver um novo período nesse país. O Brasil cansou de muita tristeza, cansou de muito ódio, de muitas ofensas", disse Lula. "O Brasil conquistou o direito de voltar a sorrir."

O presidente afirmou que vai retomar obras paradas, inclusive as de infraestrutura, que começaram no governo do PT e não foram levadas adiante nem pelo governo Michel Temer, nem por Jair Bolsonaro.

"Deixamos aí pensando que os outros [Bolsonaro e Temer] iam fazer, os outros não fizeram, e nós voltamos e vamos inaugurar aquilo que nós mesmos começamos a fazer."

Lula sinalizou que a Caixa será acionada como veículo financiador de políticas públicas de distribuição de renda e de investimentos.

"Vamos contar com uma Caixa que volte a ser um banco muito mais forte, que empreste dinheiro muito mais barato, com juro mais barato, mas sem perder dinheiro, porque o banco tem que dar lucro."

O ministro Fernando Haddad disse que pretende ter a Caixa como parceiro e reforçou a importância do banco no financiamento habitacional durante os governos Lula e Dilma Rousseff, que permitiram aos mais pobres, por meio de subsídios, acesso à casa própria.

Rita Serrano é a quarta mulher a presidir a Caixa. Antes dela exerceram o comando Maria Fernanda Ramos Coelho (2006-2011), Miriam Aparecida Belchior (2015-2016) --ambas em governos do PT- e Daniella Marques Consentino (2022), indicada por Jair Bolsonaro (PL).

Ela foi uma indicação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que também escolheu a presidente do Banco do Brasil. Ambos os bancos foram delegados à petista como área de influência como forma de compensá-la por não integrar a equipe de governo.

Funcionária de carreira da Caixa desde 1989, a nova presidente da Caixa é formada em História e Estudos Sociais e tem mestrado em administração pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul).

Natural de Santo André (SP), ela é ligada ao movimento sindical na região do ABC, berço político do presidente Lula. Rita Serrano chegou a presidir o Sindicato dos Bancários do ABC entre 2006 e 2012.

Em 2013, exerceu mandato no conselho de administração da Caixa como suplente, na vaga destinada aos funcionários. Em 2017, foi eleita conselheira. É autora de Caixa, Banco dos Brasileiros, em que conta a história da instituição e seu papel na implementação de políticas públicas.

Em seu discurso, ela afirmou que reorganizará o banco para a execução de programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida --que serão reformulados pelo governo.

Outra frente de atuação serão as parcerias com estados e prefeituras para o estímulo a projetos de infraestrutura, especialmente na área de saneamento básico.

Funcionários da Caixa aprovaram a indicação de Serrano, que teve papel fundamental na apuração das denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-presidente Pedro Guimarães --que colocaram o banco no centro de uma investigação policial.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) pediu no fim de setembro do ano passado que a Justiça condene o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães a pagar R$ 30,5 milhões pelas práticas de assédio sexual, moral e discriminação contra funcionários do banco. O ex-presidente do banco nega as acusações.

Aliado de Jair Bolsonaro --que disse em entrevista ao site Metrópoles "não ter visto nada demais [nas denúncias]"--, Guimarães deixou o cargo e foi substituído por Daniela Marques.

A ex-presidente do banco, exonerada há dez dias, autorizou a Caixa a liberar o crédito consignado com recursos do Auxílio Brasil em plena campanha eleitoral, o que gerou críticas pelo uso político do banco em favor do então presidente, candidato à reeleição.

Em recente entrevista à Folha de S.Paulo, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que um eventual perdão das dívidas de famílias de baixa renda que contrataram o empréstimo consignado do Auxílio Brasil deve ser discutido em conjunto com Caixa, principal operador dessa política.