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Geosmina: pelo menos 24 bairros do Rio e três cidades da Baixada estão com gosto ruim na água da Cedae

André Coelho, Geralsdo Ribeiro e Gisele Barros
·2 minuto de leitura

Moradores de pelo menos 24 bairros do Rio e três municípios da Baixada — Duque de Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu —, onde vivem cerca de 1,5 milhão de pessoas, relataram, em mensagens publicadas nas redes sociais do EXTRA, alterações na água, como sabor de barro e turbidez. A Cedae informou que já iniciou testes para diagnosticar problemas e solucioná-los o quanto antes.

A guia de turismo Rozane Rodrigues, moradora de Piedade, disse que está enfrentando a mesma situação que viveu no verão do ano passado. Como em 2020, ela voltou a se ver obrigada a comprar galões de água mineral, que vem utilizando até para cozinhar.

— Na manhã de terça-feira, enchi garrafas com água do filtro e, à tarde, vi que estava com uma cor amarelada. Achei estranho, mas bebi. Assim como no ano passado, senti um gosto fortíssimo de terra e um cheiro ruim — contou Rozane.

Moradora da Rua Laudelina Maia de Paiva, em Guaratiba, a estudante Alice Pereira disse que notou no último domingo a má qualidade da água que saía das torneiras de sua casa.

— Meus vizinhos sentiram o mesmo gosto ruim — lamentou Alice.

Segundo a Cedae, uma alteração na qualidade da água foi percebida por uma equipe de técnicos na terça-feira. A companhia informou que coletou amostras para análises e que os resultados completos dos testes ficarão prontos em uma semana. Além disso, destacou ter adotado medidas para reduzir o problema, como a aplicação de argila ionicamente modificada no trecho da Bacia do Guandu onde é feita a a captação para sua estação de tratamento. O produto reduziria a concentração de poluentes naquele ponto.

O governador em exercício, Cláudio Castro, convocou ontem uma reunião de emergência com diretores da Cedae, no Palácio Guanabara. Enquanto o problema era discutido, funcionários da concessionária aumentavam, na estação de tratamento do Guandu, a quantidade de carvão ativado despejada nos reservatórios, para tentar melhorar a qualidade da água. O recurso começou a ser usado pela empresa no ano passado, durante o ápice da primeira crise. Na época, um equipamento para a aplicação do produto foi comprado às pressas.

Em uma nota divulgada após a reunião, a Cedae afirmou que, independentemente do que apontarão os laudos dos exames das amostras coletadas, começou a corrigir as alterações na qualidade de seus serviços. Citando a aplicação de argila especial na Bacia do Guandu e de carvão nos reservatórios de sua principal estação de tratamento, a companhia garantiu que “técnicos já relatam uma percepção de melhora na água produzida, o que brevemente também será percebido pelo consumidor”, diz um trecho do comunicado.