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Georgieva luta para permanecer à frente do FMI

·3 minuto de leitura
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva (AFP/Brendan Smialowski)

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, luta neste sábado (9) para permanecer no cargo, enquanto o Conselho Executivo da instituição analisa evidências de que ela manipulou dados em favor da China quando ocupou um cargo de alto nível no Banco Mundial.

Na sexta-feira, o Conselho disse que decidirá "muito em breve" se mantém Georgieva no cargo. O organismo pode se reunir novamente hoje, segundo uma fonte próxima ao caso, que pediu anonimato.

O escritório de advocacia WilmerHale denunciou que, durante o mandato de Georgieva como diretora executiva do Banco Mundial, ela foi uma das principais autoridades que pressionou a equipe a alterar dados em benefício da China na edição de 2018 de seu relatório Doing Business.

O Conselho informou que fez um "progresso significativo" em sua avaliação do caso, mas concordou em "solicitar esclarecimentos adicionais com vistas a concluir sua consideração sobre o assunto em breve".

Georgieva, de 68 anos, tem o apoio da França e de outros países europeus, segundo a fonte anônima.

No entanto, os Estados Unidos, membro-chave do FMI, ainda não se manifestaram, de acordo com duas fontes com conhecimento da situação.

O tempo pressiona por um pronunciamento, porque na segunda-feira o FMI e o Banco Mundial começam suas reuniões do outono boreal.

"Uma investigação está em andamento com o conselho do FMI e o Tesouro pediu um relatório completo e justo de todos os fatos", explicou à AFP Alexandra LaManna, porta-voz do Departamento do Tesouro americano.

"Nossa principal responsabilidade é preservar a integridade das instituições financeiras internacionais”, acrescentou.

Georgieva, de nacionalidade búlgara e economista de formação, falou com o Conselho do FMI na quarta-feira.

Ela nega as conclusões do relatório. Na quinta-feira, enviou seu depoimento de 12 páginas aos 24 membros do conselho, bem como uma carta de seu advogado.

"Estou satisfeita por finalmente ter tido a oportunidade de explicar ao Conselho do FMI meu papel no relatório Doing Business e como respeitei a integridade do relatório", disse. "Espero uma resolução rápida da questão", acrescentou.

O escritório de advocacia denunciou que Georgieva, junto com seu sócio Simeon Djankov, ex-ministro das Finanças búlgaro que criou o relatório, e Jim Yong Kim, então presidente do banco, pressionaram a equipe a mudar o cálculo da classificação da China para evitar conflitos com Pequim.

A iniciativa se deu enquanto a liderança do banco estava envolvida em negociações delicadas com a China para aumentar o capital de empréstimo do banco.

De acordo com a investigação, Pequim reclamou do seu 78º lugar na lista de 2017, e o relatório do ano seguinte teria apresentado uma queda ainda maior.

Nas semanas anteriores ao lançamento do relatório, no final de outubro de 2017, Kim e Georgieva pediram à equipe para explorar a possibilidade de atualizar a metodologia em relação à China, de acordo com uma investigação da WilmerHale.

Após as acusações, o Banco Mundial rejeitou o relatório, que avalia as nações com base em seu clima de investimento, enquanto Georgieva classificou as conclusões da investigação como "erradas" e disse que "não pressionou ninguém a alterar qualquer relatório".

Georgieva iniciou sua liderança no FMI em 1º de outubro de 2019, substituindo Christine Lagarde, nomeada presidente do Banco Central Europeu.

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