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Georgieva, do FMI, diz que líderes financeiros precisam se preparar para mais choques de inflação

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI

Por David Lawder

KOENIGSWINTER, Alemanha (Reuters) - A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, disse nesta quinta-feira que os líderes financeiros globais podem precisar se sentir mais à vontade para combater as múltiplas pressões inflacionárias.

Georgieva disse à Reuters que está ficando mais difícil para os bancos centrais reduzirem a inflação sem causar recessões, devido às crescentes pressões sobre os preços da energia e dos alimentos devido à guerra da Rússia na Ucrânia, às políticas de Covid zero da China que prejudicaram a indústria e à necessidade de reordenar as cadeias de abastecimento para torná-las mais resilientes.

"Acho que o que precisamos para começarmos a ficar mais confortáveis é: esse pode não ser o último choque", disse ela, observando que deixou de ver a inflação como um choque "transitório" quando o surto da variante Ômicron se instalou no final do ano passado.

Ela afirmou que a forte demanda dos Estados Unidos, as interrupções na cadeia de suprimentos e os efeitos da guerra na Ucrânia apontam para uma inflação mais duradoura. A pandemia de Covid-19 não acabou e pode haver outra crise, acrescentou ela durante reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G7 na Alemanha.

A política de Covid zero da China, que levou a lockdowns generalizados nas principais cidades, é impraticável por causa de variantes altamente contagiosas, mas as autoridades de Pequim “se recusam” a alterá-la, disse ela, acrescentando que seus efeitos serão discutidos na reunião.

Ela afirmou que "na verdade não está muito preocupada" com a economia chinesa porque o governo de Pequim tem espaço de política fiscal e monetária para sustentar o crescimento.

Georgieva disse que os esforços dos países para mudar suas cadeias de suprimentos de eficiência máxima para maior resiliência aumentarão alguns custos, pois será necessário haver redundância.

"Então, isso será um choque de preços que só ocorrerá uma vez e não haverá mais impacto na inflação? Ou será como cortar mais nossas asas?", disse ela. "Nós temos que descobrir isso."

(Reportagem de David Lawder)

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