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Após ver gêmeos de 1 ano internados com coronavírus, mãe fala sobre culpa: “Não fure o isolamento”

gêmeos de 1 ano foram internados com coronavírus. Foto:Getty Images

Por Renan Botelho (@renan_botelho)

Quando a crise do coronavírus se instalou no mundo, espalhou-se o boato de que crianças e bebês estavam imunes ao Covid-19. A informação foi logo desmentida pela Organização Mundial da Saúde, que divulgou um número crescente de casos de infecção pelo vírus em menores de idade. Em São Paulo, epicentro da epidemia no Brasil, o número de crianças de até nove anos com teste positivo para a Covid-19 aumentou sete vezes no último mês. 

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Os gêmeos Alice e Bernardo, de 1 ano e 9 meses, filhos da consultora de comunicação Carol Giarrante, fazem parte desta estatística. "Eu nunca acreditei nessa história de criança estar imune ao vírus. E se tivessem, eles seriam vetores tanto pra mim quanto para os meus pais e meus sogros”, conta a mãe dos pequenos, que suspeitou que os dois estavam infectados quando notou uma febre alta. 

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"A Alice estava com a febre já no quinto dia quando o Bernardo começou (a ter febre). Eu já estava desconfiada. Tinha levado ela em uma consulta de encaixe e a pediatra disse que o pulmão estava limpo, mas que ele não descartava ser coronavírus. Eu não queria acreditar. Foi aí que ele teve uma febre muito alta, acima de 39, o que foi o gatilho pra gente ir para um pronto socorro”, conta Carol.  

Os dois foram internados e submetidos ao exame da doença. “A gente achava que ia ser uma infecção viral ou bacteriana, o que acontece com crianças normalmente. Quando saiu o resultado, a minha reação foi não acreditar e pensar imediatamente nos meus pais, por que eles tinham tido contato com eles dez dias antes”, relata. 

Carol conta que estava seguindo as ordens de isolamento social, mas por conta do desenvolvimento dos filhos achou que seria melhor que eles voltassem a conviver com os avós. Decisão da qual ela se arrepende. 

”Nós estávamos isolados, não indo ao mercado, comprando tudo online, mas por estarmos em home office, eles acabaram ficando muito expostos à televisão e o Bernardo tinha começado a perder a fala. Ele estava meio que involuindo. A gente ficou preocupado e  começamos a levar eles aos nossos pais que também estavam isolados. A gente pensou ‘poxa, nós estamos isolados, eles também estão isolados, então não vai ter problema’.

E na verdade teve”, diz ela, que faz um alerta aos pais: “Não fure o isolamento. A minha sensação foi de uma culpa muito grande, de pensar no que eu fiz de errado. A febre dele não cedia e vinha um desespero. ‘O que eu fiz de errado pro meu filho ficar assim?’. O sintoma da febre foi provocado por uma infecção muito grave, que foi controlada por antibióticos, mas podia não ter sido. É muito desesperador pensar nisso”. 

Recomendações médicas

A Dra. Juliana Crespi, que é pediatra dos gêmeos e faz parte do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, conta que já atendeu diversos pacientes com Covid-19, com a idade variando entre 7 meses a 12 anos. "Os sintomas são na maior parte das vezes inespecíficos, lembrando um quadro gripal.  Os mais comuns são febre, podendo variar entre subfebril a febre alta, tosse, congestão nasal ou coriza, dor de garganta, falta de ar, diarreia, náuseas ou vômitos, fadiga ou dor muscular, dor de cabeça e baixa aceitação alimentar”, explica. 

A pediatra reforça os cuidados que os pais devem ter: isolamento social e e a higienização correta e frequente das mãos. "Se for necessário sair de casa mantenha distância das outras pessoas. A criança só deve utilizar máscara se tiver mais de 2 anos de vida e conseguir utilizá-la sem levar excessivamente as mãos ao rosto. Levar as mãos ao rosto com frequência pode aumentar o risco de contaminação”, conta. 

Se a criança apresentar um dos sintomas, o importante é manter a calma, consultar seu pediatra e observar. "Se ela estiver com dificuldade para respirar, com o estado geral ruim ou com febre persistente deve ser avaliada pelo pediatra. Se houver o aparecimento de qualquer sinal de alerta os pais devem procurar o serviço de emergência”, afirma a Dra. Juliana Crespi. 

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