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Gelo do Ártico derrete mais rapidamente do que o previsto, aponta estudo

·2 minuto de leitura
Foto fornecida em 17 de junho de 2020 pela ONG Polar Bears International, que defende ursos polares, mostrando um urso em Svalbard, Noruega, em 2018 no gelo marinho fragmentado

O gelo nas áreas costeiras do Ártico derrete de forma até duas vezes mais rápida do que se estimava, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira pela University College London (UCL) e publicado na revista "The Cryosphere".

A pesquisa conclui que o gelo nas principais regiões da costa diminui a um ritmo entre 70% e 100% maior do que o consenso estabelecido. A causa dessa reavaliação drástica é o uso pelos pesquisadores de mapas mais recentes da camada de neve depositada sobre o gelo, que, desta vez, levam em conta o impacto de décadas de mudanças climáticas.

"Os cálculos anteriores da espessura do manto ártico se baseavam em um mapa da neve atualizado pela última vez há 20 anos", explicou o estudante de doutorado Robbie Mallett, que dirigiu o estudo. "Como agora a camada de gelo se forma cada vez mais tarde no ano, a neve que a recobre tem menos tempo para se acumular. Nossos cálculos levam em conta essa diminuição pela primeira vez e sugerem que a calota derrete mais rapidamente do que pensávamos", acrescentou.

Os pesquisadores usaram um satélite da Agência Espacial Europeia para calcular a altura do gelo sobre a água e calcular sua espessura total real, complementando essa estimativa com um novo modelo de cálculo da espessura da neve, desenvolvido com a Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos. Combinados, esses resultados lhes permitiram medir a taxa global de perda de gelo, bem como a sua variação de um ano para o outro.

A professora Julienne Stroeve, que também redigiu o estudo, lembrou que o Ártico se aquece três vezes mais rapidamente do que a média global.

A espessura da camada de gelo também é um indicador da saúde do Ártico, assinalou Robbie Mallett. "É importante, porque um gelo mais grosso atua como um manto isolante, impedindo que o oceano esquente a atmosfera no inverno e o protegendo do sol no verão. Um gelo mais fino também tem menos chances de sobreviver ao degelo ártico do verão", explicou.

jj-acc/mb/lb