Geithner reitera que abismo fiscal só será evitado com aumento de impostos

Washington, 2 dez (EFE).- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou neste domingo que se os republicanos não aceitarem um aumento de impostos para as rendas mais altas "não haverá acordo" para evitar o temido "abismo fiscal".

"Se (os republicanos) vão querer forçar o aumento para todos os americanos porque não desejam deixar que os impostos subam para 2% dos americanos, então, esta será a opção que escolherão", ressaltou Geithner em entrevista no programa "State of the Union" da "CNN"

Por isso, acrescentou, "a bola está no campo dos republicanos", que devem apresentar agora seu plano alternativo.

Geithner, que lidera a equipe encarregada pelo presidente Barack Obama para negociar um acordo com os republicanos, visitou esta semana o Congresso para se reunir com representantes republicanos e democratas e oferecer uma primeira proposta.

Este plano inclui um aumento de US$ 1,6 trilhão de receita por aumentos de impostos durante a próxima década, com um plano de investimentos e estímulo de US$ 50 bilhões e a reforma parcial dos programas de seguridade social.

No entanto, esta proposta presidencial foi imediatamente rejeitada pelos republicanos por considerá-la "pouco séria" e o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, que lidera as negociações por parte dos republicanos, a qualificou hoje de "sem sentido".

"Acho que é um bom plano e é uma boa base para desenvolver estas conversas", insistiu Geithner por sua parte.

Se um acordo não for alcançado antes do final do mês de dezembro, entraria em vigor em janeiro uma abrupta combinação de cortes de gasto público e de alta de impostos conhecida como "abismo fiscal", de cerca de US$ 500 bilhões.

Apesar das posições de ambas partes ainda parecem distanciadas, Geithner assinalou que "estamos longe, mas estamos nos aproximando".

No centro do desacordo figura a alta de impostos para as famílias com rendas superiores aos US$ 250 mil anuais marcada pelo presidente Obama como condição fundamental para qualquer tipo de acordo.

Por último, Geithner mostrou um cauteloso otimismo. "Acho que vamos alcançar um acordo porque há muitas coisas em jogo, não só para a economia dos EUA mas para a economia mundial", concluiu. EFE

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