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Geada atinge milho do Paraná e Mato Grosso do Sul e acentua quebra de safra

·4 minuto de leitura
Lavoura de milho afetada por geada

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Geadas atingiram na madrugada desta terça-feira regiões agrícolas do Paraná e Mato Grosso do Sul, o que deve acentuar perdas na safra brasileira de milho já fortemente impactada pela seca, segundo especialistas.

Ainda é difícil precisar o impacto do frio excessivo, uma vez que o prejuízo demora alguns dias para aparecer nas lavouras. Além disso, geadas mais intensas são esperadas na madrugada de quarta-feira.

"No Paraguai, Paraná e centro-sul de Mato Grosso do Sul, a geada foi geral. E hoje tem mais uma. Então vamos ter uma nova quebra, vamos ter uma nova quebra além da existente (devido à seca)", disse o analista de milho da Safras & Mercado, Paulo Molinari.

"Não dá pra dizer ainda, pois acabou de acontecer", explicou ele, sobre o tamanho das perdas.

Atualmente, considerando apenas os efeitos da severa seca no centro-sul, a segunda safra brasileira está estimada em 61,6 milhões de toneladas, queda de 22,4 milhões de toneladas em relação potencial inicial estimado pela Safras & Mercado.

A colheita nacional, considerando a primeira safra, está prevista pela consultoria em 95,5 milhões de toneladas. O Paraná, normalmente é segundo Estado produtor brasileiro do cereal após Mato Grosso, enquanto o Mato Grosso do Sul vem em quarto.

"Vamos ter lavouras aí que, dependendo da geada de hoje, é possível que tenha perda total", comentou Molinari.

Segundo ele, o mercado de milho no Brasil está paralisado, sem vendas de produtores, devido à incerteza de como ficará a oferta do Brasil.

"Esta semana não tem oferta, o mercado subiu, não tem vendedor, nem mais barato nem mais caro, todo mundo está em pânico com a questão de geadas", completou.

Para o analista, uma das alternativas da indústria de carnes, que já lidava com custos de matérias-primas da ração historicamente elevados, é importar ou aumentar o uso de trigo como ingrediente da alimentação de criações.

Mas no Paraguai, que costuma exportar milho ao Brasil, as geadas foram "extremamente fortes", disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima, citando outro fator que pode limitar a oferta a indústrias brasileiras.

O impacto do fenômeno climático poderia ter sido mais intenso, não fossem as chuvas registradas em algumas regiões.

"Choveu em algumas áreas, isso aliviou um pouco as geadas amplas principalmente no norte do Paraná e algumas áreas de Mato Grosso do Sul. No entanto, o centro de alta pressão ficou em cima do Paraguai", disse Santos.

"Geadas extremamente fortes --de forte a muito forte--, não teve nem moderada no Paraguai, provavelmente dizimou", afirmou o meteorologista, dizendo que perdas só vão ficar mais claras nos próximos dias.

Há previsão de que o frio intenso continue na quarta-feira, disse a Rural Clima em boletim.

"Infelizmente as previsões se confirmaram, e amanhã (quarta-feira) o dia deve ser mais frio ainda, a massa polar está ganhando força", comentou.

A segunda safra de milho do Paraná está estimada em 9,8 milhões de toneladas pelo Departamento de Economia Rural (Deral), que vê uma colheita, até o momento, com queda de cerca de 5 milhões de toneladas ante o potencial inicial, devido ao impacto da seca.

Os números devem mudar dependendo do impacto do frio para as lavouras, disse o especialista em milho do Deral, Edmar Gervásio.

Segundo ele, da área total de milho segunda safra no Paraná de 2,5 milhões de hectares, 1,8 milhão de hectares estão em fases em que perdas podem ocorrer.

Mas ele ponderou que a maioria das lavouras do Estado está em frutificação "já em fase final", não devendo ter impacto, assim como ocorre quando os plantações estão em maturação, perto da colheita.

CAFÉ ESCAPA POR ORA

Segundo o Simepar, órgão de monitoramento do Paraná, a forte onda de ar frio se intensifica ainda mais sobre todas as regiões do Estado entre a noite da terça-feira e a madrugada de quarta-feira.

O Simepar agora mostra previsão de geada moderada para uma ampla faixa do Estado, que vai do oeste e inclui toda a parte norte paranaense.

Geadas fortes estão previstas para praticamente metade do Paraná, do meio do Estado até o sul, na quarta-feira.

Para Paulo Franzini, especialista em café do Deral, a cultura escapou por enquanto dos efeitos do frio intenso, mas a próxima madrugada preocupa.

"Nesta madrugada teve geadas fracas de baixadas sem danos nas lavouras de café. A preocupação é para amanhã, se confirmar as previsões."

Já o meteorologista da Rural Clima disse que o risco de geadas é baixo para áreas de café, na quarta e quinta-feira.

Geadas foram registradas em áreas de cana de Mato Grosso do Sul, de Rio Brilhante para baixo, assim como em canaviais no centro do Paraná, mas a situação "não assusta por enquanto", disse o consultor Julio Maria Borges, da Job Economia. Ele acrescentou que é preciso acompanhar o fenômeno previsto para quarta-feira.

No caso do trigo do Paraná, o principal produtor nacional deste cereal, o atraso no começo da implantação da cultura fez com que apenas 1% das lavouras tenha chegado a floração --fase suscetível a perdas por geadas-- segundo o Deral.

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