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Maior fraude da história? Entenda o escândalo de US$ 40 bi envolvendo a GE

Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann

Um dos maiores conglomerados do mundo, a General Electric está sendo acusada de esconder um rombo de US$ 40 bilhões. Segundo Harry Markopolos, investigador financeiro que já desmascarou outros desvios contábeis pelo mundo, a GE realizou “a maior fraude da história”.

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Em um relatório de 175 páginas divulgado nesta semana, Markopolos acusa a GE de esconder US$ 38 bilhões (quase R$ 160 bilhões, em conversão direta) em perdas potenciais, e afirma que as posições de caixa e de dívida da empresa são muito piores do que as divulgadas pelo grupo.

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"A relação de dívida total da GE é de 17 para 1, não de 3 para 1, o que vai prejudicar sua situação de crédito", disse Markopolos. O documento também afirma que a GE é insolvente e sustenta que suas unidades industriais têm um déficit de capital de giro de 20 bilhões de dólares.

Markopolos diz que ele e sua equipe investigam a suposta fraude da GE há mais de um ano, analisando com cuidado os balanços fiscais da empresa divulgados entre 2002 e 2018. Mas o investigador afirma parte das fraudes datam da década de 1980.

Esta não é a primeira vez que Markopolos faz manchetes com denúncias de fraudes no mercado financeiro. Ele foi um dos primeiros a denunciar Bernie Madoff, condenado a 150 anos de prisão por um esquema de pirâmide que US$ 65 bilhões e fez 3 milhões de vítimas.

Agora, segundo o relatório do analista, a GE está por trás de uma fraude “maior que a da Enron”. A Enron foi uma gigante do mercado de energia dos Estados Unidos que declarou falência após a revelação de um escândalo contábil em 2001.

O presidente-executivo da GE, Larry Culp, afirmou que o relatório de Markopolos tem erros factuais e constitui "manipulação de mercado, pura e simples". O investigador estaria lucrando com a queda nas ações do conglomerado, que chegou a 11% no dia em que o relatório foi divulgado.

"Ele está divulgando seletivamente processos regulatórios largamente divulgados e investigações rigorosas sem o benefício de qualquer acesso aos livros e registros da GE", disse Leslie Seidmanm, membro do conselho da GE e presidente da comissão de auditoria, referindo-se a Markopolos.

Falando à CNBC nesta quinta-feira, Markopolos afirmou que vai receber um percentual de qualquer lucro gerado pelo relatório. Ele não deu detalhes sobre a compensação ou indicou o nome do fundo envolvido, descrito por ele como "um fundo de hedge de médio porte dos Estados Unidos".

Nos últimos dois anos, a GE anunciou mais de 40 bilhões de dólares em baixas e encargos contábeis. A companhia também afirmou que sua contabilidade está sendo investigada pela SEC e pelo Departamento de Justiça dos EUA.

*Com informações da Reuters