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Gates busca acelerar acesso à pílula contra Covid da Merck

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(Bloomberg) -- A Fundação Bill & Melinda Gates disse que milhões de tratamentos com a promissora pílula contra a Covid-19 da Merck & Co. podem começar a chegar a países de baixa renda no início de 2022. A fundação promete destinar até US$ 120 milhões para ampliar o acesso global à terapia.

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Os fundos ajudarão a atrair fabricantes de medicamentos genéricos, alguns dos quais indicaram que poderiam produzir até 10 milhões de tratamentos por mês, de acordo com Trevor Mundel, presidente da divisão de saúde global da fundação Gates. Embora obstáculos regulatórios e outros desafios precisem ser resolvidos, essas farmacêuticas poderiam começar os embarques no primeiro trimestre, disse.

“Podem ocorrer reviravoltas nesse enredo e atrasos, mas é isso o que temos que almejar”, disse Mundel em entrevista. “Há muita capacidade disponível, mas é uma questão de quando eles realmente se comprometem com isso.”

O avanço do medicamento foi acompanhado pela preocupação de que países de baixa renda ainda com dificuldades para obter vacinas possam ficar para trás mais uma vez quando se trata de terapias. A fundação convocou outros doadores para dedicar recursos e acelerar o lançamento da pílula experimental molnupiravir da Merck em nações mais pobres, caso seja aprovada.

A Merck não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

À margem

O potencial de produção não será concretizado sem incentivos e garantias em vigor, disse Mundel. Os fabricantes não têm certeza do nível da demanda pela terapia, quem vai pagar por ela e quanta produção alocar, afirmou, “então, queremos tirá-los dos bastidores e realmente colocá-los em ação”.

A própria Merck espera produzir 10 milhões de tratamentos até o fim do ano, e muito mais deve estar disponível em 2022.

A farmacêutica tomou medidas para garantir que países de várias regiões possam obter o medicamento, incluindo o licenciamento da terapia para fabricantes de genéricos. Na semana passada, a Merck e a parceira Ridgeback Biotherapeutics solicitaram autorização de uso emergencial nos EUA, e o tratamento deve ser revisado pelo comitê da agência FDA no mês que vem.

Ainda assim, organizações de saúde pedem mais ações para ampliar a disponibilidade de medicamentos contra a Covid, incluindo o aumento dos testes em países de baixa renda para detectar casos nos primeiros dias de infecção, quando as terapias poderiam ser mais eficazes.

Alguns países ricos e de renda média, como Austrália, Singapura, Malásia e Tailândia, já seguiram os Estados Unidos e garantiram o medicamento ou iniciaram negociações para a compra. Enquanto isso, uma iniciativa global para oferecer tratamentos corre o risco de enfrentar os mesmos problemas que o programa de distribuição de vacinas Covax, de acordo com relatório independente encomendado pela Organização Mundial da Saúde.

A fundação Gates visa reduzir significativamente o prazo para que novos medicamentos cheguem às regiões de baixa renda depois de se tornarem disponíveis em mercados mais ricos. Esse intervalo, segundo a organização, pode ser de pelo menos 12 meses. Parte do financiamento mais recente inclui US$ 2,4 milhões em subvenções para ajudar a acelerar as solicitações de pré-qualificação de fabricação de empresas de genéricos à OMS.

A fundação destacou sua iniciativa em 2017 para estabelecer uma garantia de volume com dois fornecedores de genéricos para oferecer terapias de HIV a países de baixa renda. Esse trabalho foi realizado em coordenação com o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS, ou PEPFAR, e com o Fundo Global de Luta contra a AIDS, Tuberculose e Malária.

(Atualiza com pedido de comentário da Merck no quinto parágrafo.)

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