Gasolina traz viés de alta para os juros

O reajuste nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias, anunciado na noite de terça-feira pela Petrobras, pressiona para cima os juros futuros na manhã desta quarta-feira. A decisão ocorreu em meio a preocupações com a inflação, após certo alívio garantido pela desvalorização do dólar, com anuência do Banco Central. Porém, um aumento já era esperado e os investidores seguirão atentos à moeda norte-americana que, se voltar a ceder ao longo da sessão, pode limitar a alta esperada para as taxas futuras. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de janeiro, por sua vez, superou ligeiramente a mediana das estimativas, mas desacelerou ante a leitura de dezembro.

"O reajuste dos combustíveis já estava de certa forma precificado, mas traz viés de alta para os juros futuros", diz o economista chefe da Planner Investimentos Eduardo Velho. Ele lembra que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, considerava reajuste de 5%. Porém, nos seus cálculos, o reajuste de 6,6% da gasolina, em média, nas refinarias, corresponde a 5,28% ao consumidor, "portanto, levemente acima do considerado pelo Banco Central".

Vale mencionar que esse reajuste ocorre após o anúncio do governo federal de um corte maior que o previsto nas tarifas de energia elétrica. A redução entrou em vigor no último dia 24, sendo de 18% para consumidores residenciais (16,2% previstos) e de até 32% para indústrias (de 28% prometidos anteriormente).

Nesta manhã, saiu o IGP-M de janeiro, que subiu 0,34%, desacelerando ante a alta de 0,68% de dezembro, conforme divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa anunciada ficou ligeiramente acima da mediana das previsões (0,33%) e dentro do intervalo previsto nas estimativas do mercado financeiro consultadas pelo AE Projeções (0,18% a 0,40%).

Velho, da Planner, diz que o indicador "não deve ter muita influência" sobre o mercado futuro de juros. "Ficou praticamente colado na mediana", afirma. "Mas, decompondo o índice, constata-se que a desaceleração das commodities vão repercutir no custo de vida (IPC-M) para baixo no índice de fevereiro".

Os juros futuros também seguirão atentos ao dólar. Na terça-feira a queda da moeda norte-americana fez as taxas futuras operarem em baixa. O dólar encerrou o dia na menor cotação de fechamento desde 28 de maio do ano passado no mercado de balcão, a R$ 1,9860 (-0,80%). Flávio Serrano, do Besi Brasil, diz que os juros futuros ficam "dependentes do movimento do dólar". "Se cair, os DIs podem ceder um pouco, mas se houver uma correção na moeda, é provável que os DIs subam".

Às 9h33, na BM&FBovespa, o contrato para janeiro de 2014 projetava taxa de 7,20%, de 7,19% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2015 marcava 7,88%, de 7,87% na véspera; e o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,78%, de 8,76% no ajuste da sessão anterior. O dólar à vista negociado no balcão caía 0,10%, a R$ 1,984.

Em tempo: há pouco, saiu o Índice de Preços ao Produtor (IPP), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPP registrou alta de 0,30% em dezembro ante novembro. Em 2012, o indicador acumulou alta de 7,16%.

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