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Gasolina por metade do preço na Argentina gera fila de brasileiros

·3 min de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL 31.05.2018 Fila em posto na marginal Tietê, em SP (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL 31.05.2018 Fila em posto na marginal Tietê, em SP (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

PUERTO IGUAZÚ, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Para frear a corrida de brasileiros aos postos de Puerto Iguazú, município vizinho a Foz do Iguaçu, no Paraná, os argentinos limitaram a no máximo 15 litros a venda de gasolina para veículos com placas estrangeiras, diante da grande procura por causa da alta dos preços dos combustíveis no Brasil.

A medida foi tomada para evitar o desabastecimento na cidade. Mesmo com o limite, motoristas brasileiros não deixam de cruzar a fronteira da Argentina com o Paraná para economizar.

O litro da gasolina em Puerto Iguaçu é praticamente a metade do preço encontrado no Brasil. Na cidade argentina, o valor do litro do combustível varia entre 92,50 e 95,20 pesos, dependendo do tipo, o que equivale a aproximadamente R$ 3,15 a R$ 3,60.

O preço é muito atrativo para brasileiros, uma vez que em Foz do Iguaçu o litro é vendido em média por R$ 6,90. Além de brasileiros, os postos argentinos têm atraído também paraguaios, que têm pagado aproximadamente R$ 4,10 pelo litro da gasolina em seu país.

Apesar da restrição, há postos de combustível argentinos permitindo até 30 litros por veículo, desde que 15 litros seja de gasolina comum e outros 15 de aditivada.

Um motorista brasileiro que não quis se identificar diz que frentistas aceitam propina de R$ 10 para encher o tanque.

Para não perder a viagem, alguns motoristas abastecem 15 litros em um posto e outros 15 em outro. Em razão da grande movimentação de estrangeiros, os postos organizam uma fila exclusiva para argentinos.

Representantes da Câmara de Combustíveis da província de Missiones, Faruk Jalaf diz que Puerto Iguazú, cidade de 80 mil habitantes, tem apenas cinco postos e a quantidade de gasolina que chega à cidade não é suficiente para atender a demanda de motoristas do Brasil e do Paraguai.

Em outras cidades argentinas, conta, há também uruguaios que cruzam a fronteira. "As estações de combustíveis têm cotas (quantidade de combustível) que está diminuindo". Jalaf diz que o valor da gasolina argentina está mais em conta porque o preço está congelado há mais de seis meses. Por isso, segundo ele, há postos à beira da falência.

A busca pela economia leva brasileiros e paraguaios a enfrentarem filas durante duas horas ou mais para chegar às bombas de combustível.

Na manhã de quarta-feira (10), a reportagem observou que a fila em um posto da bandeira Shell passava de duas quadras. Até mesmo um comércio informal já se instalou na região dos postos.

Ambulantes oferecem aos motoristas alfajor, água e serviço de câmbio -eles vendem peso, moeda argentina, por R$ 0,031.

Moradora de Foz do Iguaçu, a pedagoga Renata Cabral diz que vai a Puerto Iguazú a cada dez dias para abastecer. "É só ter um pouco de paciência. Pela diferença do valor dá para esperar tranquilo", conta. Para aproveitar a viagem, ela também costuma passar em supermercados para comprar carne e laticínios que estão mais baratos do que no Brasil.

Outro frequentador dos postos argentinos é o produtor cultural Dalmont Benites. Este ano já é a terceira vez que ele cruza a fronteira para abastecer.

Benites ressalta que além do preço atrativo, a gasolina argentina rende mais no veículo. "Com um tanque brasileiro eu ando uma semana, com o argentino, três semanas", diz.

Além da fila nos postos, os motoristas estrangeiros também enfrentam uma fila para passar pela aduana. Antes de entrar na Argentina, é preciso mostrar o comprovante de vacinação completo para poder fazer o trâmite de ingresso.

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