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Gases do universo estão 10 vezes mais quentes do que eram há 10 bilhões de anos

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Um novo estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Tóquio e Ohio State University, analisou o histórico térmico do universo a partir de gases e concluiu que a temperatura média deles sofreu um aumento mais de dez vezes nos últimos 10 bilhões de anos. Hoje, essa temperatura alcança 2 milhões de Kelvin. Para os pesquisadores, o processo que cria galáxias também contribui para esse aquecimento.

Em linhas gerais, eles utilizaram um método que permitiu estimar a temperatura dos gases mais afastados da Terra — portanto, mais no passado. Depois, esses dados foram comparados aos dos gases mais próximos do nosso planeta, que também estão mais próximos do momento presente. Assim, eles confirmaram que o universo está se aquecendo ao longo do tempo devido ao colapso gravitacional que vem ocorrendo na estrutura cósmica, e é bastante possível que esse aquecimento continue.

Os cientistas utilizaram dados coletados pelo observatório Planck e pelo estudo do Sloan Digital Sky Survey para entender a variação da temperatura do universo ao longo do tempo. Depois, os dados foram combinados e eles elaboraram as distâncias dos gases aquecidos por perto e mais longe com as medidas do desvio para o vermelho, uma referência usada pelos astrofísicos para estimar a idade cósmica a partir da qual objetos distantes são observados.

Com análises da luz, os cientistas puderam "voltar no tempo" para realizar o estudo (Imagem: Reprodução/Universo Observado)
Com análises da luz, os cientistas puderam "voltar no tempo" para realizar o estudo (Imagem: Reprodução/Universo Observado)

Esse nome vem do tamanho dos comprimentos das ondas de luz: quanto mais longe um objeto está no universo, maior é o comprimento de onda de luz. Assim, a luz que vemos dos objetos distantes do nosso planeta é mais antiga do que a luz daqueles que estão mais próximos, porque a luz dos objetos distantes precisou percorrer uma distância maior até nos alcançar. Então, junto de um método para estimar a temperatura da luz, os pesquisadores mediram a temperatura média dos gases do início do universo — ou seja, os gases à volta de objetos distantes.

Depois, compararam a média dessa temperatura com aquela dos gases mais próximos da Terra — portanto, do presente. Eles descobriram que os gases do universo atual alcançam a temperatura de quase 2 milhões de Kelvin à volta dos objetos mais próximos da Terra, o que representa quase 10 vezes a temperatura dos gases envolvendo objetos que estão mais longe que, por isso, são mais antigos. Yi-Kuan Chiang, principal autor do estudo e pesquisador na Ohio State University, explica que essa nova medida confirma diretamente o trabalho de Jim Peebles, cientista que estabeleceu a teoria da formação das estruturas das grandes escalas do universo.

Essas estruturas se referem aos padrões globais de galáxias e aglomerados de galáxias em escalas além das individuais, que se forma com o colapso gravitacional da matéria escura e gás: conforme o universo evolui, a gravidade puxa a matéria escura e o gás no espaço, juntos, para as galáxias e aglomerados de galáxias, conforme explica Chiang. "O puxão é tão violento que cada vez mais e mais gás se choca e se aquece". Assim, as descobertas do estudo mostraram aos cientistas como cronometrar o progresso da formação da estrutura cósmica com verificações da temperatura no universo.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal.

Fonte: Canaltech

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