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Gargalos na indústria podem durar até 2023 com freio da China, dizem analistas

·4 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise de energia da China e os sinais de um desaquecimento prolongado da economia do país asiático devem fazer com que os gargalos nas cadeias produtivas e a falta de componentes durem até 2023.

Até o começo deste ano, a maior parte dos analistas avaliava que esse problema duraria até o fim de 2021. Com a piora do cenário internacional, os especialistas em comércio exterior já falam que a solução deve vir apenas no fim de 2022 ou mesmo no ano seguinte.

O PIB (Produto Interno Bruto) da China cresceu 4,9% de julho a setembro, o ritmo mais fraco desde o terceiro trimestre de 2020 e desacelerando 7,9% em relação ao segundo trimestre. O resultado surpreendeu negativamente os analistas.

Além de uma crise de energia, do agravamento do endividamento do setor imobiliário e de novos surtos de coronavírus, o resultado mais fraco da economia chinesa também é atribuído aos gargalos de logística, com escassez de semicondutores e custos mais altos de frete e matérias-primas.

Uma das razões da inflação no mundo inteiro é a ruptura das cadeias de produção, lembra o consultor e ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.

"Apenas em 2023 as cadeias devem estar mais organizadas, ainda é preciso reformular rotas de transporte e tem gente exportando café por avião, pela falta de navios. Não é algo que se resolva da noite para o dia."

Todo o setor de serviços sofreu um impacto grande na pandemia, e os segmentos de transporte e turismo do mundo inteiro acabaram sendo desorganizados, complementa Barral. A falta de semicondutores também desacelerou a indústria automobilística no mundo inteiro.

Em maio, um outro surto havia levado ao fechamento do terminal de Yantian, afetando o transporte marítimo internacional.

Uma alta nos custos de transporte marítimo e os gargalos que persistem em portos de todo o mundo agravaram os problemas que afetam as cadeias de suprimento.

No fim do ano passado, até o primeiro trimestre, a expectativa apontava para que a falta de componentes estaria superada ainda em 2021.

Em agosto, um novo surto de coronavírus fechou parcialmente o porto chinês Ningbo-Zhoushan, e a suspensão na entrada e saída de navios reduziu a capacidade de transporte em um quinto.

Também em agosto, o presidente da chinesa Lenovo, Yuanqing Yang, disse à Folha que a situação deveria se resolver apenas em 2022.

Se já havia um apagão logístico, com o aumento de frete e alguma restrição quantitativa de navios, os gargalos de microeletrônica têm criado novos obstáculos para a produção industrial chinesa, diz o economista do Iedi (Instituto para o Desenvolvimento da Indústria) Rafael Cagnin.

"É mais um desafio, que acontece de forma sistêmica e deve demorar mais que o planejado para que a produção seja regularizada. Por outro lado, é um incentivo de médio e longo prazos para a reorganização das cadeias de valor, para que fiquem mais próximas dos mercados consumidores."

"Novas variantes do vírus e outras ondas também acabaram mudando o perfil de demandas. Durante a pandemia, aumentou a busca por produtos eletrônicos, para digitalizar alguns setores da economia, o que demandou peças, componentes e chips."

O economista avalia que um legado positivo dos efeitos da pandemia sobre as cadeias de produção poderia ser a abertura de espaços fora da Ásia, como a América Latina, para instalar a produção em locais mais próximos do mercado consumidor.

"Mas esse é um jogo que está em aberto e tem muita incerteza de como se dará. E também vai depender da capacidade de países, como o Brasil, de aproveitar essas oportunidades."

Enquanto o mercado não se ajustar, esse problema vai continuar preocupando a indústria em todo o mundo, avalia José Augusto de Castro, presidente do AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).

"Na indústria automotiva, esse gargalo é mais visível, mas é um problema que atinge toda a cadeia. Como consequência, parte dos produtos que eram fabricados no Brasil vai precisar ser importada."

Castro diz que a ruptura das cadeias produtivas é uma questão mais grave do que parecia no começo do processo de reabertura dos países. "A gente ainda vai sentir falta de componentes e de importados no primeiro semestre do ano que vem, talvez até no segundo. Isso só vai voltar aos poucos."

Para João Leal, da Rio Bravo, a falta de componentes é uma das fontes de maior preocupação hoje, e ainda é difícil antever uma melhora consistente da cadeia de suprimentos global.

"Esse cenário acaba por dificultar ainda mais a normalização depois da pandemia. E deve perdurar, pelo menos, até meados de 2022, o que traz pressões de desaceleração da economia e na inflação."

Já a economista do Bradesco e diretora de Economia do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), Fabiana D'Atri, é mais otimista. Ela diz acreditar que, embora o processo de normalização das cadeias esteja sendo mais demorado do que se antecipava, isso pode ocorrer nos próximos meses.

"A China tem a sua parcela de culpa, mas não é a única peça desse quebra-cabeças. Com uma menor demanda por bens, conforme a reabertura for se consolidando, deve ocorrer o reestabelecimento da produção. De uma maneira bem generalizada, ao longo dos próximos meses, a gente vê indícios de um retorno à normalidade."

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