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Gabriela Prioli rompe padrões de batom rosa, salto, biquíni e discutindo política

Amanda Serra
·4 minuto de leitura

Gabriela Prioli, advogada criminalista, comentarista política da CNN Brasil, professora universitária, colunista do jornal "Folha de São Paulo", garota-propaganda de marcas de beleza como a "Quem Disse Berenice", entre outras, amiga da Anitta e “Youtuber, linda e fashion” como está na sua bio do Instagram.

"Tem uma história por trás disso, calma. Tenho uma prima de 4 anos e ela pegou o celular da mãe e saiu correndo e filmando, e o vídeo dela fala assim: 'Oi gente, eu sou youtuber, sou linda e fashion'. Então, postei na minha bio. No geral, minha bio é outra coisa, mas foi uma brincadeira, mas tudo bem. Sou youtuber, linda e fashion também, se vocês quiserem", explica aos risos logo depois de perguntar para equipe remota se estava brilhando (pele oleosa) muito no vídeo. Está aí outra característica da paulistana de Pirituba, na Zona Oeste da capital, ela é animada, espontânea .

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Aos 35 anos, Gabriela não tem nada de óbvia, e nem tente encaixa-lá em alguma 'caixinha' ou padrão por conta de sua aparência física, e claro, o fato de ser mulher.

“Quando posto uma foto e vejo as pessoas me questionando: 'ela postou uma foto de roupa ou então uma foto na praia de biquíni' ou 'ela está falando de dia a dia' e por isso acho que ela não pode ter um pensamento mais profundo ou me dizer uma coisa mais séria sobre política’, é claro que em algum momento isso te fragiliza . Será que devo insistir nisso? Mas o que aprendi com a maturidade é que a única existência possível pra mim é a minha existência”, afirma Gabriela, que inúmeras vezes, e ainda hoje, escuta o que deveria fazer e como, pois as pessoas estão acostumadas a julgar sem ao menos conhecer. 

“Já ouvi que ia ter que usar cores sóbrias pra conseguir ser valorizada ou ser respeitada dentro da advocacia. Que eu jamais ia poder usar os meus sapatos em um canal de notícias, como é a CNN. Aliás, ouço até hoje que o fato de eu usar os meus brincos ou o meu batom ou o meu penteado ou as minhas roupas é muito ruim porque é óbvio que estou querendo chamar a atenção”, conta a comentarista política, que possui quase 2 milhões de seguidores em suas redes sociais e faz questão de usar sua influência como ferramenta pública de informação. Sai academiquês entra a articulação acessível da advogada.

Quando você é mulher, e principalmente com estes assuntos ligados tradicionalmente ao feminino, e aí consequentemente desvalorizados porque ligados ao feminino, a gente sempre ouve que precisa andar num espaço muito estreito

No Yahoo Entrevista desta semana, Gabriela ainda fala sobre as relações abusivas que vivenciou mais de uma vez até aceitar sua própria personalidade e se respeitar como indivíduo. E mais importante, entender que força não tem a ver com agressividade, mas muitas vezes para mulheres serem ouvidas, elas tomam uma postura mais combativa em tudo. 

"Tinha dificuldade de me reconhecer em uma relação abusiva, principalmente pela questão da violência psicológica. O fato de eu ser uma mulher forte e eu ter crescido a vida inteira com resistências na minha personalidade... no geral não me submeto aos padrões, tento alterá-los e as pessoas não reagem bem a esse tipo de tentativa. Então, a vida inteira fui chata, a vida inteira fui histérica, a vida inteira fui louca, a vida inteira fui grossa, a vida inteira fui uma mulher difícil. E aí, estava nesses relacionamentos, e o que eu ouvia dos meus parceiros era exatamente isso: que eu era louca, que eu era histérica, que eu era chata. E que portanto, o meu comportamento justificava que eles agissem daquela maneira", conta.

Quando digo que gosto das minhas roupas exuberantes, faço questão de enfatizar que a forma como me visto não é mais um padrão. É o inverso: cada um se vista como quiser, que faça o que quiser. Gostou da cor do meu batom? Vou ficar feliz de ver as pessoas usando. Não gosta de batom? Tá tudo bem também

"Meu antídoto contra essas relações foi poder conseguir me apropriar de quem eu era, falar: 'Sou essa pessoa, e não, não tô sendo grossa, estou sendo assertiva, e não, eu não estou sendo chata, estou sendo profissional. E não, eu não tô histérica, só quero ter espaço pra que eu possa me manifestar nessa discussão", enfatiza Gabriela, casada com o DJ Thiago Mansur, responsável por fazê-la ressignificar o conceito de força.

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"Ele é o homem mais forte que já conheci e não tem agressividade no comportamento. Sou imensamente feliz numa convivência de compromisso com o meu marido, de parceria, mas não sou instrumentalizada por outra existência. A minha existência é minha, a existência dele é dele e a gente caminha junto", afirma.

Confira o vídeo acima.