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'Tensões econômicas' põem crescimento mundial em risco, diz G20

Por Antonio RODRIGUEZ
(Arquivo) O comissário europeu Pierre Moscovici

Os Estados Unidos optaram por manter a pressão sobre a China na reunião de ministros das Finanças do G20 em Buenos Aires, ao afirmar que não temem uma guerra comercial e sem esclarecer se seus aliados ficarão isentos das tarifas alfandegárias sobre o aço e alumínio.

O secretário de Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse em coletiva de imprensa após a reunião que uma guerra comercial "não é nosso objetivo, mas não temos medo disso".

Ele defendeu as novas tarifas dos Estados Unidos, que taxarão em 25% as importações de aço e em 10% as de alumínio, o que gera temores de guerra comercial.

Nas declarações, Mnuchin questionou diretamente a China. "No G20, há um desejo geral de ver a China abrir seus mercados de forma que possamos entrar neles, como eles entram nos nossos, em uma relação comercial muito mais equilibrada e recíproca".

O secretário americano não se referiu a nenhum outro país, apesar de aliados como a União Europeia e a própria Argentina terem pedido a ele que ficassem isentos das novas tarifas, como Canadá e México, parceiros de Washington no Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).

Os europeus aproveitaram as reuniões bilaterais com Mnuchin para insistir que não são responsáveis pela crise do aço, causada pela superprodução da China que inunda o mercado mundial com produtos baratos.

Mas Mnuchin evitou declarar sobre esses pedidos. "Os debates estão em andamento, esperamos que o presidente tome uma decisão rapidamente", disse ele.

O ministro argentino Nicolás Dujove, anfitrião do encontro, foi prudentes em suas respostas.

"Estamos esperando uma resolução dos Estados Unidos, que não tem que ser imediata. Os Estados Unidos tomaram uma resolução sobre uma parte muito pequena de seu comércio exterior, não há a percepção de que estejamos perto de uma guerra comercial", afirmou Dujovne.

Já o ministro francês Bruno Le Maire exigiu uma isenção incondicional.

"Não pode haver condições. Apenas explicamos a nossos amigos americanos que a decisão que querem tomar não é apropriada", disse Le Maire.

Antes das declarações de Mnuchin, ministros tinha redigido um comunicado no qual expressaram sua preocupação de que "as tensões econômicas e geopolíticas" afetem o crescimento mundial.

A reunião do G20 lembrou que a solução deve ser multilateral.

- Tensões fiscais -

Outro assunto que causa tensão entre Estados Unidos e Europa é a proposta para taxar as grandes empresas digitais, como Google, Amazon, Facebook e Twitter, cujas práticas de otimização fiscal são questionadas com frequência.

Moscovici aproveitou sua viagem a Buenos Aires para dar uma mensagem de tranquilidade aos Estados Unidos com sua intervenção nesta terça-feira diante da reunião do G20.

Na quarta-feira (21), ele estará de volta em Bruxelas para apresentar seu projeto de taxação das companhias digitais.

"Não se trata em nada de medidas de represália nem de medidas antiamericanas", afirmou, garantindo que a proposta de imposto abarca todas as grandes companhias digitais, independentemente de sua nacionalidade.

Sobre este ponto, o comunicado final foi cauteloso e não citou os impostos.

"As tecnologias transformadoras puderam trazer imensas oportunidades econômicas (...), mas a transição demanda desafios aos indivíduos, aos negócios e aos governos", aponta o comunicado.

"É preciso de cooperação internacional para aproveitar essas oportunidades e garantir que os benefícios sejam compartilhados por todos. Concordamos em desenvolver um conjunto de opções para avaliar em nossa próxima reunião, em julho", acrescentou.

- Criptomoedas -

Para os ministros das Finanças, foi mais simples alcançar um acordo sobre o tema das moedas virtuais e do bitcoin. Eles rejeitaram considerá-las moedas soberanas, alertando para os riscos de serem usadas para lavagem de dinheiro, ou financiamento do terrorismo.

"Os criptoativos não cumprem as funções-chave de uma moeda soberana", afirmaram os ministros no comunicado final.

Ao reconhecer que as criptomoedas podem contribuir para uma maior eficiência e inclusão no sistema financeiro, os ministros expressaram também sua inquietação sobre como "proteger consumidores e investidores, a integridade do mercado, a evasão fiscal, a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo".

"Fizemos importantes esforços neste terreno nos anos recentes e deveríamos evitar que um novo elemento como os criptoativos escapem às normas comuns", disse à imprensa o governador do Banco Central francês, François Villeroy.

O ministro espanhol Román Escolano afirmou que "nestes momentos, não podemos achar que os criptoativos sejam um risco à estabilidade financeira internacional, mas é um assunto que temos que acompanhar ativamente".