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Merkel 'preocupada' com acesso às vacinas contra covid-19 apesar das promessas do G20

Anuj CHOPRA
·3 minuto de leitura
Líderes do G20 projetados na cúpula na Arábia Saudita
Líderes do G20 projetados na cúpula na Arábia Saudita

Os líderes do G20 prometeram neste domingo (22) "não poupar esforços" para garantir um acesso igualitário às vacinas contra a covid-19, segundo a declaração final da cúpula, em tom consensual mas com poucas medidas concretas.

"Não pouparemos esforços para garantir seu fornecimento acessível e igualitário para todos", diz o texto, referindo-se a vacinas, testes e tratamentos contra o novo coronavírus.

A cúpula das 20 maiores economias do mundo é realizada neste ano por videoconferência sob a presidência da Arábia Saudita, país muito criticado pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

À medida em que a pandemia avança no planeta, com mais de 57 milhões de casos e 1,3 milhão de mortos, os presidentes e chefes de governo optaram pelo consenso no combate ao vírus.

"Apoiamos plenamente todos os esforços de colaboração", diz a declaração final, em referência aos dispositivos de combate ao vírus coordenados pela Organização Mundial da Saúde.

Também se comprometem a "abordar as necessidades financeiras globais restantes".

Os Estados Unidos anunciaram no domingo que esperam começar sua campanha de vacinação em meados de dezembro.

O Center for Global Development calcula que os países ricos já reservaram 1,1 bilhão de doses da futura vacina Pfizer/Biontech, uma das mais avançadas, sobre um total de 1,3 bilhão de doses anunciadas para serem produzidas no ano que vem.

No entanto, em sua declaração, o G20 não menciona a quantidade de 28 bilhões de dólares, incluindo 4,2 bilhões de emergência, exigidos pelas organizações internacionais para combater a pandemia.

A chanceler alemã Angela Merkel, há 15 anos no poder, afirmou neste domingo estar "preocupada porque nada foi feito ainda" de concreto para garantir vacinas para os países mais pobres.

- "Compromisso" com a dívida -

O G20 também abordou a complexa questão da dívida dos países pobres, que disparou como resultado da crise econômica provocada pela pandemia.

Os líderes do G20 dizem estar "comprometidos para implementar" a chamada Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), "incluindo sua prorrogação até junho de 2021", diz o texto.

Vinte e nove dos países mais favorecidos do mundo estão utilizando este mecanismo para permitir aos países pobres endividados com eles suspender o pagamento dos juros de suas dívidas até junho de 2021.

Mas enquanto as Nações Unidas esperavam que este prazo fosse prorrogado até o final de 2021, o G20 deixa nas mãos de seus ministros das Finanças a "análise" desta questão para o ano que vem.

Neste sentido, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, cujo país negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a questão da dívida, afirmou no sábado em seu discurso no G20 que o país fez "um enorme esforço fiscal" e pediu "a ação do mundo e dos organismos internacionais de crédito".

As grandes potências, que já gastaram cerca de 11 trilhões de dólares para salvar a economia mundial, também dizem que estão "determinadas a continuar usando todos os instrumentos disponíveis" para apoiar uma recuperação "desigual" e "muito incerta".

A declaração final usa um tom mais consensual do que nas últimas cúpulas do G20, marcadas pelo conflito pelo clima e pelo comércio, muitas vezes pela relutância de Donald Trump.

Em relação ao meio ambiente, as principais potências reconhecem que o combate à mudança climática "está entre os desafios mais urgentes de nosso tempo".

Nesse sentido, o presidente Jair Bolsonaro reclamou das críticas ao Brasil por sua política ambiental e apresentou um balanço em números para "repelir ataques injustificados proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis".

Donald Trump, que saiu apressado da reunião no sábado para jogar golfe, aproveitou o discurso de domingo diante de suas contrapartes para criticar mais uma vez o Acordo de Paris, que segundo ele "não foi concebido para salvar o meio ambiente, foi projetado para matar a economia americana".

E no que diz respeito ao comércio, após anos de confrontos entre o governo americano de Trump e a China, mas também com seus sócios europeus, o texto afirma desta vez que "apoiar o sistema multilateral de comércio é agora mais importante do que nunca".

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