G20 adverte que recuperação da economia global é muito fraca

Moscou, 16 fev (EFE).- Os ministros de Finanças e os chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo e da União Europeia, que formam o Grupo dos 20 (G20), advertiram neste sábado em Moscou que a recuperação da economia global é fraca demais e se recusaram taxativamente a participar de uma "guerras de divisas" para não prejudicar a estabilidade financeira.

Os líderes das Finanças da organização que coloca na mesma mesa as economias mais desenvolvidas junto com as emergentes observaram "focos de estabilidade" no início de 2013, que "marcarão tendências rumo ao crescimento ou à recessão", disse em entrevista coletiva o ministro da Economia russo, Anton Siluanov.

"Graças às importantes medidas políticas adotadas na Europa, Estados Unidos e Japão, e à estabilidade da economia chinesa, os principais riscos para a economia mundial diminuíram", assinala o comunicado final da reunião realizada na capital da Rússia, país que desempenha a presidência rotativa do G20 este ano.

Ao mesmo tempo, a nota adverte que "persistem grandes riscos e os ritmos de crescimento da economia mundial ainda seguem sendo fracos demais e os níveis de desemprego em alguns países são inaceitavelmente altos".

O comunicado também pede a união de esforços para fortalecer a união monetária da eurozona: "Nestas circunstâncias é preciso aplicar esforços coerentes para fortalecer a união econômica e monetária da Eurozona".

Além disso, solicita o fim da "incerteza relativa à situação fiscal dos EUA e Japão" e o aumento das "forças internas de demanda nos países com superávit em suas operações por conta corrente, levando em consideração as condições particulares dos grandes produtores de mercadorias".

Embora nas preliminares da reunião ministerial, muitos analistas tenham apontado que as "guerras de divisas" seriam o centro do debate, não foi assim graças à unidade de todos os países neste assunto.

"Não houve debate, porque todos tínhamos a mesma postura. (...) Não podemos nem falar de guerra de divisas. O mercado é quem deve decidir as cotações e os bancos centrais não devem intervir", comentou Siluanov.

O comunicado final insiste que os membros do G20 se absterão de "desvalorizações competitivas de divisas" e também "de todas as formas de protecionismo", decisão elogiada ao término da reunião pela diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

"Consideramos que falar de guerras de divisas é exagerado. Falaram sim das inquietações em relação às divisas. A boa notícia é que o G20 respondeu hoje com cooperação, mais que com conflito", declarou Lagarde aos jornalistas.

Não houve acordo concreto nesta primeira reunião do G20 sob a liderança da Rússia sobre os objetivos para a dívida e o déficit públicos, um assunto que abre uma brecha entre alguns países-membros, condicionados por suas próprias circunstâncias econômicas e sociais.

"Por enquanto, não foi possível alcançar uma decisão aceitável. Trata-se da elaboração de objetivos de referência em médio prazo sobre os níveis déficit público e dívida estatal", afirmou Siluanov, lembrando que a maioria dos países não cumpriu os objetivos de redução à metade do déficit estabelecidos em 2010.

O G20 assinala que é necessário adotar medidas que "permitam estudar a transparência e a concordância dos relatórios do setor público e (fazer) um acompanhamento da incidência dos fatores sensíveis do setor financeiro sobre a dívida estatal".

A presidência russa, com apoio de outros países em desenvolvimento como Brasil e México, conseguiu o apoio, em alguns casos morno e reticente, para reformar o sistema de cotas do FMI para aumentar as contribuições e, em consequência, a capacidade de decisão das economias emergentes.

"Reiteramos a urgente necessidade de ratificar o mais rápido possível a reforma de cotas e da direção do FMI (estipulada) em 2010", aponta a nota final do G20.

A reunião realizada em Moscou é a primeira de uma série de encontros prévios à cúpula de chefes de Estado do G20 que será realizada na primeira semana de setembro na cidade de São Petersburgo. EFE

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