G-20 quer estimular crescimento da economia mundial

Diante do cenário de lenta recuperação global e o risco de piora do quadro de recessão na Europa, o G-20 (grupo das 20 nações mais ricas do mundo) se comprometeu nesta segunda-feira a fazer o que for preciso para estimular o crescimento da economia mundial. No comunicado, divulgado ao final do encontro, os ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do grupo acenaram com a possibilidade de adoção de medidas de estímulo à atividade.

Segundo o G-20, os países com espaço fiscal estão prontos para dar suporte ao aumento de demanda agregada para ajudar no crescimento da economia mundial. A ajuda no curto prazo ocorrerá se as condições econômicas piorarem. Os representantes do G-20 reconheceram que os esforços para reduzir os desequilíbrios globais não têm sido suficientes e que é preciso fazer mais para garantir a estabilidade econômica do mundo.

Para não agravar a situação, o G-20 deu sinais na direção de uma maior flexibilidade para o atingimento das metas fiscais definidas em 2010. "À luz do baixo crescimento, vamos garantir que o ritmo de consolidação fiscal seja apropriado para garantir a recuperação", diz o texto. Durante a reunião do G-20, os autoridades econômicas traçaram um cenário de riscos elevados e de baixo crescimento para a economia global.

A possibilidade nos Estados Unidos da entrada em vigor do chamado "abismo fiscal" (medidas de corte de gastos e aumento de impostos que entram em vigor em janeiro de 2013) e o aperto fiscal no Japão são uma ameaça. O G-20 também vê risco em eventuais atrasos na implementação das medidas já anunciadas na Europa de enfrentamento da crise. Outro fator de preocupação é a possibilidade de choques de ofertas adicionais nos mercados de commodities.

Calibragem

Apesar do impasse em torno do "abismo fiscal", o G-20 diz que os EUA vão calibrar cuidadosamente o ritmo do aperto fiscal, para garantir que as finanças públicas sejam colocadas em um caminho de sustentabilidade de longo prazo, evitando uma forte contração fiscal em 2013. A desaceleração do crescimento nos países emergentes também preocupa.

" Há um equilíbrio muito delicado da situação da economia mundial, com baixo crescimento e altos riscos", advertiu o ministro das Finanças do Chile, Felipe Larraín. Segundo ele, a Europa estará em recessão não só este ano mas também em 2013. Larraín disse que também ficou claro na reunião de ontem que a recessão na Europa poderá continuar em 2014, conforme projeções da OCDE.

O Brasil saiu frustrado da reunião por não ter tido avanços na definição da reforma de cotas (que dão direito a voto) do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey. Ele destacou que existe um compromisso dos líderes dos países do grupo para completar a definição sobre a nova fórmula de cálculo das cotas com direito a voto até janeiro de 2013. "É frustrante que o G-20 não tenha sido capaz de chegar a um resultado a esse respeito", disse.

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