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A nova Lei de Gérson

Mauro Beting
·2 minuto de leitura
GÉRSON! Wagner Meier/Getty Images

In dubio pro Gerson, não pró réu.

Eu não posso falar sem provas. Mas difícil imaginar que isso não tenha acontecido no Maracanã. E em vários campos há várias décadas.

Não, Mano...

Não é “malandragem” o Gérson reclamar de muito provável atitude racista de Indio Ramirez no jogaço Flamengo 4 x 3 Bahia, no Maracanã.

É fato que acontece há séculos em vários campos. Mas só agora atitudes mais firmes, conscientes, consistentes e corajosas têm sido tomadas. Como a de Gérson denunciando aquilo que muito provavelmente ele foi vítima. Segundo ele, pela primeira vez em campo. Mas muito provavelmente não a primeira na vida dele. Dos pais dele. Dos avós. De toda uma ascendência que depois de décadas têm que ser mesmo melhor defendida por todos.

Não, Mano. Não é “malandragem”. Algo que você bem conhece como também manja muito de futebol. Mas tem se perdido em reclamações exacerbadas. Perdendo até a razão quando teria motivos para reclamar das arbitragens e dos adversários.

Mano perdeu mais um jogo e também o cargo no Bahia muito pela atitude lamentável de tentar minimizar na hora o que não se pode relativizar. Como o próprio Mano depois admitiu o que é óbvio – e é crime.

Não é mimimi. É fato. Há séculos.

O Bahia de tantas atitudes louváveis e afirmativas prontamente está apurando o que aconteceu com seu atleta e com seu agora ex-treinador.

E faz muito bem.

Porque “cala boca, negro” infelizmente não é aquilo que se falava há muito tempo: “cala boca já morreu”.

Não tá morto. E seguirá matando se atitudes firmes não forem debeladas e debatidas.

Gérson deu um vapo já no campo e na rede social.

E essa bandeira é de todos.

“O ‘cala boca, negro’ é justamente o que não vai mais acontecer” escreveu no Instagram a vítima de injúria racial.

“Não vou calar a minha boca. A minha luta, a luta dos negros, não vai parar”.

É isso, Gérson.

A Lei de Gérson é outra no Século XXI.

Sim. Estamos evoluindo. Nem tudo que acontece em Vegas e em um campo de jogo deve ficar lá dentro.

Mas será que não seria também o caso de os atletas deixarem o gramado no Rio como deixaram em Paris na Champions em protesto ao racismo do quarto árbitro?