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Funk carioca faz sucesso em Portugal, com festas, bailes e muldiões nas ruas do Porto e de Lisboa

·5 min de leitura

O funk se multiplica em Portugal na velocidade de suas batidas. Foi o gênero mais ouvido no verão, segundo o Spotify, plataforma na qual seis funks brasileiros dominam o Top 10 no país, liderado pelo trio MC Davi, MC Pedrinho e MC Don Juan, com “Bipolar”. Os bailes explodiram com a reabertura das discotecas no outono europeu, além de tomarem conta das ruas de Lisboa, Porto e outras cidades. Virou moda, e não só entre brasileiros. Portugueses lotam a pista e as ruas graças ao fenômeno dos fluxos, espécie de flash mob do funk.

Mas o funk em Portugal não é só modinha de verão: em 20 de novembro, noite fria de outono na Europa, uma das mais tradicionais festas de Portugal fez cinco anos. Sob o comando do brasileiro Rafael Henrique Vitório, vulgo DJ Farofa, a Kebraku lotou o Pérola Negra, no Porto, onde cabem umas 450 pessoas. Quase metade do público que foi ver MC Carol, de Niterói, estrela da noite, era portuguesa. Mas a inclusão e a diversidade vão além da nacionalidade.

— Tem havido vários bailes LGBTQIAP+ em Lisboa e no Porto. Muitos produtores que se mudaram para Portugal estão movimentando a cena. Eu mesmo faço no Maus Hábitos, do Porto, o Batidão Baile Funk, que é a Kebraku junto com a Pyrats, produtora de jovens portugueses. Então, chega a ter muito mais portugueses que brasileiros. O Batidão tem quase quatro anos e surgiu porque pediram um baile que não fosse heteronormativo. É aberto a todos os corpos — diz Farofa.

MC na universidade

E os portugueses não querem só dançar, precisam entender a estrutura por trás do viés democrático do funk, que atravessou o Oceano Atlântico para confundir, como dizia Chacrinha.

— O DJ da MC Carol estava com a camisa do AC/DC. Um cara na plateia ficou em choque. O cara produz funk e é metaleiro? Não entendem que isso no Brasil funciona perfeitamente, porque somos ecléticos a este ponto — explica Farofa.

Depois de vencido o estranhamento, principalmente sobre as letras, há admiração em Portugal pelo funk como movimento de libertação e transformação social e também curiosidade sobre o território de onde saem tantos talentos.

— É uma música popular, saída da favela, sem estrutura e dinheiro, o que ainda acontece, embora os funks tenham melhor produção hoje em dia — diz Farofa.

Para explicar o movimento, MC Carol, que também se apresentou em Lisboa, foi convidada a dar palestra na Universidade Católica do Porto. O papo incluiu os DJs Farofa e Dorly e a análise do fenômeno ganhou um estatuto filosófico, como escreveu o professor e pesquisador Diogo Tudela:

“A pressão da qual brota a voz da MC Carol transporta não apenas discurso, mas modo discursivo e argumentação cuja presença se revela pivotal em qualquer instituição que almeje estatuto universal”.

Uma mulher se destaca nos caminhos recentes do funk em Lisboa. A paraibana Kamila Ferreira é apontada como uma das primeiras a abrir o baile em Portugal. Na capital do país desde 2015, ela é conhecida como DJ King Kami, além de ser uma das metades do duo Caravagyo.

Graças a DJs como King Kami é possível ir a mais bailes funk em Lisboa, como o Brabo, do carioca Jeff Oliveira, que tocava na Recalcada, no Rio, e agora comanda o projeto de funk brasileiro direcionado à comunidade imigrante LGBTQIAP+. Há, ainda, o Proibidão Baile Funk, e os bailes e festas de Saint Caboclo no projeto Dengo Club, com uma pegada mais afro e que pretende integrar os imigrantes à sociedade portuguesa por meio da música.

— O baile é uma forma de liberdade, um lugar pras pessoas ouvirem música das suas origens e compartilhar parte de sua cultura com quem decide vir e fazer parte. Para unir as pessoas também, porque muita gente vê o funk como música de bandido ou marginais — conta Caboclo.

Tirar o funk da “periferia” de Lisboa não é uma missão apenas de reconhecimento, mas uma forma de fazer a ponte entre pessoas e o mercado de trabalho.

— Temos os eventos menores, onde promovemos conversas e fazemos contatos. Há muitos artistas, fotógrafos e agentes que se conheceram no Dengo — explica Caboclo.

Multidão

Voltando ao Porto, a Lust tem na programação há meses o seu baile, que acontece todas as sextas-feiras com DJs do Brasil. O evento virou calendário na cidade, onde ficou conhecido como Funk Fridays. A uma hora e pouco dali, na cidade queridinha dos brasileiros, Braga, Lucas de Freitas tem produzido bailes no Barhaus. Em 2019, MC Kevinho, ídolo em Portugal, lotou a principal casa de shows bracarense: 13 mil pessoas.

O funk está também na rádio Cidade FM com o programa Baile na Cidade, às sextas-feiras. É uma reprodução do I Love Baile Funk, um megashow de sucesso que já foi à Suíça. Detalhe: é produzido e apresentado pelo português André Henriques, que promete sempre duas horas com o melhor da produção brasileira.

Parte desta produção, dos clássicos aos mais modernos, compõe a trilha dos fluxos de rua. Em seu perfil numa rede social, o Fluxo Lisboa mostra uma multidão nas ruas do Bairro Alto, em Lisboa, em setembro. “Rolés” (a gíria carioca foi popularizada em Portugal pelo funk) de outros coletivos são marcados espontaneamente, e os organizadores pedem aos seguidores que fiquem atentos às notificações.

No último bailão do Fluxo de Rua Portugal, no fim de outubro, dezenas de carros com caixas de som gigantes instaladas nas malas estacionaram em um lugar ao ar livre, durante o pôr do sol, e rapidamente chegaram mais carros e centenas de pessoas.

Bailes improvisados como este acontecem em quase todas as regiões de Portugal e independem de uma pista de dança, o que poderá ser uma saída para os funkeiros nos próximos meses. A partir de dezembro, será obrigatório apresentar um teste negativo para entrar numa discoteca, mesmo para os vacinados e com certificado. A medida para conter a nova onda de Covid-19 deve afastar parte do público, temem os empresários, DJs e MCs.

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