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Fundos multimercado ganham com alta dos juros globais

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019 - Still de mãos segurando cédulas de real. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019 - Still de mãos segurando cédulas de real. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um ano marcado por uma série de incertezas com a guerra na Ucrânia e as eleições no Brasil, um dos poucos consensos entre os especialistas de mercado parece ser o de que os juros nos Estados Unidos terão de subir para conter a forte pressão inflacionária na região.

Em março, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou os juros pela primeira vez desde 2018, em 0,25 ponto percentual, para um intervalo entre 0,25% e 0,50% ao ano.

O movimento, contudo, está longe de ser suficiente. Nesta quarta, a autoridade monetária dos EUA se reúne, e a maioria dos analistas aposta em uma alta de 0,5 ponto percentual nos juros. Dirigentes do Fed defendem um aumento no ritmo de altas para levar a taxa para ao redor de 3,5% até dezembro, de modo a tentar conter a inflação alta para os padrões do país -o índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos atingiu a marca de 8,5% em março, a maior desde 1981.

Quem tem conseguido tirar um bom proveito do cenário macroeconômico global aguardado à frente são os fundos multimercado.

No primeiro trimestre do ano, os fundos de investimento do tipo registraram uma rentabilidade média de 6,12%, de acordo com o IHFA (Índice de Hedge Funds da Anbima), bem acima dos ganhos de 2,42% do CDI no mesmo intervalo.

O resultado é bem melhor do que o apresentado ao longo de todo o ano passado, quando os multimercado do IHFA tiveram um retorno médio de 2,04%, contra 4,4% do CDI.

O desempenho positivo neste ano se deve, em grande medida, justamente à aposta dos gestores quanto à necessidade de juros mais altos nos países desenvolvidos.

Casas de investimento tradicionais do país como SPX Capital, Verde Asset e Adam Capital têm posicionado os portfólios e entregado retornos altos aos cotistas com o aumento dos juros e a continuidade do processo de aperto monetário nos Estados Unidos.

Para isso, esses fundos se valem de estratégias conhecidas no jargão como "tomadas" no mercado de juros americanos, uma posição feita por meio de contratos derivativos que tende a se valorizar a cada movimento de alta das taxas pelo Fed.

Vinland Capital, Asset 1, Kinea, XP Asset, Ibiuna, Gap Asset e Kapitalo são algumas outras gestoras com posições que ganham com a alta dos juros americanos, uma das apostas mais recorrentes nas carteiras dos multimercados neste momento.

O investidor pessoa física ainda não consegue diretamente por meio da B3 adotar posições "tomadas" em juros nos Estados Unidos, sendo a opção pelos fundos a principal alternativa disponível, diz Carolina Oliveira, analista da XP.

"Os multimercados acertaram muito bem a tese de inflação global pressionada por todos os estímulos feitos na pandemia e pela guerra na Ucrânia, levando à necessidade de elevação dos juros", diz a especialista.

Desempenho recorde O fundo multimercado Nimitz, da gestora SPX Capital, teve no mês de março uma rentabilidade de 7,34%, o maior ganho mensal desde que iniciou as atividades, em 2010. Apenas no primeiro trimestre, os ganhos do multimercado da gestora de Rogério Xavier chegam a 13,15%.

"Na atual situação inflacionária, os bancos centrais podem se ver forçados a apertar mais do que o desejado sua política monetária, de modo a evitar que as expectativas de inflação se desancorem", apontam os gestores na carta de gestão referente ao mês de março.

Eles dizem que a persistência da dinâmica inflacionária atual exige taxas de juros globais mais elevadas do que as hoje projetadas, em um mundo que caminha para um processo de desglobalização e inflação mais alta na esteira da pandemia e da guerra na Ucrânia.

A gestora mantém posições favoráveis à alta de juros nos países onde acredita ainda existir "grande desequilíbrio" entre as condições econômicas e os preços de mercado. "Vemos uma intensificação da situação inflacionária global."

A SPX também tem apostas no dólar, na Bolsa chinesa e em commodities metálicas, assim como posições "vendidas", que ganham com a queda de ações brasileiras de tecnologia e do setor financeiro.

Surpresa com reação do mercado Com uma visão semelhante sobre a necessidade de um aperto monetário mais agressivo nos países desenvolvidos, o multimercado Verde, da gestora Verde Asset, de Luis Stuhlberger, avançou 4,19% em março. No primeiro trimestre, o retorno é de 7,13%.

"A nossa convicção de que as pressões inflacionárias continuariam agudas e pressionariam os bancos centrais, liderados pelo Federal Reserve, a apertar fortemente suas políticas monetárias se concretizou de modo importante", apontam os gestores da Verde na carta sobre o desempenho do mês passado.

O fundo indica no documento que segue com posições tomadas em juros nos Estados Unidos, e, em menor medida, na Europa. Contratos de petróleo e ações brasileiras também compõem o portfólio do multimercado.

"Por ora, nos surpreende como o mercado acionário global tem absorvido bem esse forte aumento das taxas de desconto, e nos perguntamos até quando isso vai durar."

Tempos de guerra Já o fundo Adam Macro, da Adam Capital, teve em março ganhos da ordem de 2,01%, levando a rentabilidade acumulada no primeiro trimestre para a casa dos 3,76%.

Novamente a elevação dos juros nos Estados Unidos aparece como uma relevante contribuição para a performance apresentada.

Os gestores da Adam, fundada por Márcio Appel e André Salgado, assinalam que, passado pouco mais de um mês da guerra da Ucrânia, e mesmo diante de tantas incertezas à frente, a atividade econômica continua em expansão nos países desenvolvidos com a reversão das medidas de isolamento por conta da pandemia, com destaque para os Estados Unidos.

"A economia americana segue forte. O mercado de trabalho está aquecido, as vendas no varejo subiram mantendo a tendência de alta e, apesar dos indicadores de novas ordens de bens duráveis e de capital terem apresentado queda, esses indicadores estão em níveis bem elevados para o padrão histórico", dizem os gestores da Adam.

Eles veem a forte pressão inflacionária nos Estados Unidos como o "grande desafio" para o Fed neste ano, à medida que a autoridade monetária americana terá de contrabalançar o aumento dos juros com o impacto negativo trazido para o ritmo de recuperação da atividade econômica do país.

Além de posições tomadas nos juros americanos, o multimercado da Adam carrega posições nas ações da Vale e da Petrobras na Bolsa local.

"Em tempos de guerra, os acontecimentos podem reverter as convicções de forma repentina. Do nosso lado estamos atentos, especialmente, para as oportunidades."

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