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Fundo de brasileiros afunda com aposta em ações globais

***Arquivo*** SÃO PAULO, SP, BRASIL - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa  (Diego Padgurschi /Folhapress)
***Arquivo*** SÃO PAULO, SP, BRASIL - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa (Diego Padgurschi /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um fundo focado em ações globais da gestora TT Investimentos, criada em 2018 por sobrinhos do ex-presidente do BC (Banco Central), Arminio Fraga, viu o patrimônio desmoronar ao longo dos últimos meses.

Segundo dados compilados pelas plataformas de dados financeiros TC Economatica e TradeMap, com base em informações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o fundo TT Global Equities somava um patrimônio líquido em torno de R$ 9,8 milhões em setembro, contra cerca de R$ 73,8 milhões em dezembro de 2021, o que corresponde a uma queda de aproximadamente 86,7% no período.

As informações disponíveis indicam que o fundo tem em sua base somente três cotistas, sendo um deles Arminio Fraga, fundador da gestora Gávea Investimentos e colunista da Folha.

Na sexta-feira (9), passou a circular nas redes sociais uma carta atribuída a Arthur Fraga Bahia, um dos sócios da TT Investimentos, no qual o gestor faz um mea-culpa sobre as perdas sofridas recentemente pelo fundo TT Global Equities.

O signatário diz ter montado uma operação arriscada envolvendo opções de compra e venda (instrumento financeira por meio do qual o investidor assegura o direito de comprar ou vender determinado ativo no futuro a um preço preestabelecido) das ações da empresa Clarus Corporation.

O gestor diz que possui conhecimento profundo a respeito da companhia, que é uma fabricante e distribuidora de equipamentos para atividades ao ar livre, como escalada em montanhas e esqui na neve, segundo as informações que constam no site da Clarus.

Em um cenário de forte queda das ações de forma generalizada nas Bolsas, por causa do início do processo de alta dos juros pelo Federal Reserve (banco central dos EUA) e do risco de desaceleração global, as ações da empresa, negociadas na Nasdaq, acumulam desvalorização de cerca de 40% no acumulado do ano, até 9 de setembro, contra a queda de 14,6% do índice americano S&P 500.

Ainda de acordo com o relato do gestor da TT, após uma "alavancagem" (quando o gestor investe um valor acima do seu patrimônio) realizada pelo fundo, o custodiante do fundo retirou a garantia financeira que havia oferecido à operação (margem), devido à elevada concentração da carteira.

Isso forçou a liquidação da operação, que causou "perdas irreparáveis".

Empresas como Coinbase, Walt Disney e Meta (ex-Facebook) chegaram a compor o portfólio do fundo durante os últimos meses, mas com uma concentração crescente em Clarus, segundo os dados mais recentes disponíveis sobre a alocação, referentes a maio de 2021.

O texto que circula nas redes pede desculpas aos investidores pelo erro na publicação, e diz que mais de 95% do patrimônio e de seus sócios, entre eles o irmão de Arthur, Antonio Fraga Bahia, estavam investidos no fundo.

Procurada, a gestora não respondeu à reportagem até a tarde deste sábado (10).