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Fundador da Natura defende que Brasil seja mais ambicioso em questões climáticas

·2 min de leitura
Área desmatada da floresta amazônica no Mato Grosso

Por Jake Spring

GLASGOW (Reuters) - As metas contra a mudança climática que o Brasil anunciou durante a cúpula do clima organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Glasgow não são ambiciosas o suficiente, afirmou nesta terça-feira o fundador e co-presidente do conselho de administração da Natura & Co, Guilherme Leal.

O governo brasileiro anunciou na semana passada novas metas climáticas, prometendo uma redução de 50% na emissão de gases causadores do efeito estufa até 2030, ante a meta anterior de 43%. Criticado por ambientalistas pela devastação da Amazônia, o governo também prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028.

Mas a redução proposta pelo Brasil é calculada sobre níveis de 2005. Grupos ambientalistas afirmam que o corte de 50% em relação ao novo patamar revisto no ano passado, na realidade, significa uma redução menor de emissões em relação ao compromisso anterior definido pelo país.

O co-fundador da Natura Guilherme Leal afirmou à Reuters que os novos compromissos propostos pelo Brasil não são suficientes o bastante.

"Poderíamos ser mais corajosos em nossas ambições", disse Leal. "Não há dúvida, eu creio que o Brasil pode e deve ser mais ambicioso nesta área."

Representantes dos ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores não comentaram a declaração

Leal tem trabalhado para organizar centenas de executivos e outros líderes no Brasil em um grupo chamado "Uma Concertação pela Amazônia", com o objetivo de cobrar o governo para fazer mais para proteger o bioma depois que a destruição da floresta explodiu desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o governo em 2019.

A destruição da Amazônia durante a passagem de Bolsonaro pelo governo cresceu a níveis não vistos desde 2008. Apenas no ano passado, uma área do tamanho do Líbano foi destruída.

Leal disse que o aumento da meta climática foi um passo na direção correta, mas não foi o suficiente.

"A credibilidade (do governo Bolsonaro) é muito baixa. O governo federal, por meio de suas diversas agências, precisa efetivamente mostrar que vai cumprir seus compromissos", disse Leal.

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